08/12/2012 - Jovem de 17 anos tenta suicídio antes da retirada de sua família de Suiá Missú

“Eu me sinto como uma folha, jogada ao vento”. Com esta frase Fabiola Martins dos Santos tenta traduzir o sentimento que fez com que atentasse contra a própria vida. Aos 17 anos, a jovem preferiu o gosto amargo do veneno que despeja na cerca da propriedade do pai à assistir o despejo de sua família, em ação comandada pela Polícia Federal e Força Nacional com o apoio do Exército Brasileiro.

“Ela me disse que perder tudo que a gente tem seria a maior dor da vida dela. Ela cresceu aqui, os amigos dela estão aqui e a vida dela está aqui”, declarou a mãe da garota, Vanderleia Martins da Costa Santos, 38, ainda consternada com a situação. “Mas ela não vai fazer de novo não”, garante.

“A cada dia que passa, nosso medo aumenta e a gente pensa: ‘é um dia a menos na nossa vida’. Porque nós vamos lutar pela nossa terra, não vamos sair. Vamos resistir”, adianta. “Eu tomei essa atitude [tentativa de suicídio] porque eu sei que vou morrer mesmo. Eu só ia morrer antes”, completa. 

A mãe de Fabiola encontrou a garota instantes após a tentativa de suicídio. “Dei muito leite pra ela. Ela vomitou o que tinha bebido, lavei a boca dela”, explica. A estudante, por sua vez, afirma que não se arrepende do que fez.

“Não me arrependo, estou me sentindo humilhada por estar sendo retirada da minha casa pela polícia como se eu fosse uma bandida. Olha o tanto de bandido, de traficante que tem no Rio de janeiro e em São Paulo e eles vêm mandar polícia pra tirar a minha família de casa por que?”, questiona.

A decisão para o suicídio foi tomada no dia em que o prazo para a desintrusão voluntária se esgotou. A qualquer momento a Polícia Federal e a Força Nacional podem entrar em ação. A previsão é que o despejo comece na segunda-feira (7).

 

Da Reportagem Local - Lucas Bólico