09/03/2016 - Mulher sem formação e mal remunerada é a principal vítima da violência

Empregada, mas mal remunerada e sem formação acadêmica. Este é o perfil da mulher vítima da violência doméstica em Mato Grosso. Esse resultado foi extraído da monografia do delegado de polícia Richard Damasceno Ferreira Laje no curso de Especialização em Gestão de Segurança Pública, no Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania do Instituto de Ciências humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

Orientado pelo professor da UFMT Joel Paese, Ferreira Laje tomou por base um questionário formulado por ele e aplicado pelos delegados Celso Renda Gomes, Marco Antonio Fonseca, Ivar Polesso e Daniel Valente, que entre 11 de julho de 2014 e 13 de setembro daquele ano, na 2ª Delegacia de Polícia do Carumbé, em Cuiabá, ouviram 50 mulheres vítimas de violência doméstica. As entrevistadas permitiram a utilização de suas declarações desde que preservadas suas identidades.

 

A delegacia de Ferreira Laje atende os casos de violência contra a mulher em Cuiabá. No período, de 56 dias, 50 vítimas registraram ocorrências da Lei Maria da Penha, com quase um caso diário. Não há estimativa de quantas mulheres deixam de acionar a polícia quando sofrem agressão física, psicológica e sexual ou algum dano moral ou material.

 

Entre as vítimas pesquisadas, 66% trabalham e 34% não; 46% recebem até um salário e 30% de um a dois salários; 12% não têm rendimento; e 4% ganham entre dois e três salários. O quesito sobre escolaridade registra que 32% têm o ensino médio incompleto; 20% o ensino fundamental incompleto; 18% o ensino médio completo; 16% o ensino superior incompleto; 4% são analfabetas; e 2% têm o ensino superior completo.

A pesquisa a campo revela uma explosiva associação de fatores que contribui para a violência contra a mulher: 56% dos agressores são maridos e companheiros, e 36% são ex-maridos e ex-companheiros. A principal causa da agressão é o ciúme doentio de 78% dos homens. Nos casos pesquisados, 78% dos agressores são usuários de álcool e 44% de drogas. Quando da violência, 60%dos homens estavam sob efeito de álcool ou drogas, e 38% não. No estudo, álcool e drogas são classificados como fatores desinibidores da violência doméstica.

 

Ainda sobre os agressores, 66% trabalham e 30% não. Sobre remuneração a pesquisa revela que 30% recebem entre um e dois salários mínimos; 22% não tem nenhuma remuneração; 12% ganham até um salário mínimo; somente 2% recebem acima de cinco salários. Entre os que agridem 32% têm ensino fundamental incompleto; 26%, o ensino médio incompleto; 20%, o ensino médio completo; 10% são analfabetos; 6% têm o ensino fundamental completo; e 2% tem ensino superior incompleto e igual índice completou o ensino superior.

 

Sobre a resposta da polícia aos chamados das vítimas, 46% disseram que o atendimento foi rápido; 6%, muito rápido; 18%, nem rápido nem demorado; 16%, demorado; e 2%, muito demorado. E 86% das mulheres disseram que a queixa citada na pesquisa não era a primeira, e 14% informaram que se tratava do primeiro registro policial. 

 

 

Fonte: Eduardo Gomes com Diario de Cuiaba

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