09/05/2011 - 08h:05 EUA usam vídeos para tentar desmistificar a imagem de Bin Laden

 Este era, então, o homem mais perigoso do mundo, o fundador e líder da Al Qaeda, o responsável maior pelos atentados de 11 de Setembro: quase miserável ele aparece sentado diante de uma televisão, num quarto simples, com o controle remoto na mão, assistindo a um canal de notícias árabe.

De vez em quando ele zapeia de um canal para o outro. Um cobertor cobre os ombros e uma touca protege a cabeça. O rosto vê-se de lado: Osama bin Laden aparenta estar velho, com pouca saúde, descuidado.

O vídeo, divulgado pelo governo dos Estados Unidos, é um dos que foram encontrados na casa de Bin Laden após o local ter sido invadido por uma tropa de elite da Marinha americana. As imagens mostram um lado do líder terrorista morto durante a operação.

O outro lado é este: Bin Laden bem vestido e arrumado, numa gravação endereçada ao mundo externo. "Mensagem ao povo americano" é o nome de um outro vídeo, que não chegou a ser postado na internet pela Al Qaeda, e que também foi divulgado pelos EUA. A gravação provavelmente foi feita no ano passado.

A diferença é enorme. Na primeira tomada, uma gravação caseira, a barba de Bin Laden está mais grisalha e descuidada que nos vídeos "oficiais", destinados ao mundo externo. Nestes, a barba está escura, provavelmente pintada, e os cabelos estão alinhados – aparentemente com o objetivo de dar uma cara mais jovem ao líder terrorista.

"A divulgação do vídeo provavelmente faz parte de uma batalha publicitária, na qual a administração está agora focada", avaliou o ex-diretor da CIA Jim Woolsey. "A imagem que ficará na memória das pessoas será a de um homem velho e solitário", disse um comentarista da emissora de televisão CNN.

"Bin Laden parece um velho ator que sonha com um comeback", escreveu o New York Times. E sintetizou aquilo que a imprensa dos Estados Unidos disse de forma unânime: com a divulgação dos vídeos, Obama não apenas exibiu um troféu de guerra e celebrou o triunfo de seus serviços secretos – ele também definiu a imagem de Bin Laden para o futuro, não como um poderoso mártir, mas como uma figura midiática, criada pelo próprio líder terrorista.

Mas Mark Kimmit, ex-general de brigada e colaborador próximo do ex-presidente George W. Bush, alertou o governo Obama para não exagerar com a divulgação de material da Al Qaeda.

"Ele parece ser esse homem velho e cansado, sentado numa cadeira. O problema é: ao mesmo tempo que eles tentam desmistificar Osama bin Laden, nós ficamos sabendo que ele tinha muito mais controle operacional do que inicialmente pensávamos. Isso é um conflito na mensagem, e eu diria que a administração deve ter cuidado. Se um homem velho numa cadeira pode conduzir a mais temida organização terrorista do mundo, então temos muito com o que nos preocupar."

Mas o governo americano afirma que os vídeos divulgados são apenas uma parte ínfima do material coletado na casa de Bin Laden. No todo, o material comprova o papel ativo do líder terrorista no planejamento e na execução de atentados.
 

 

Brasil Online

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