09/06/2011 - 08h:30 Policiais civis de MT suspendem greve e questionam reajuste salarial

Presidente do Siagespoc(Foto: Kelly Martins/G1 MT) 

Os investigadores e escrivães da Polícia Civil de Mato Grosso retornam às atividades nesta quinta-feira (9) após paralisação de 48 horas por aumento do salário. Ao todo são 1.760 investigadores e 380 escrivães distribuídos nos 141 municípios mato-grossenses. O presidente do Sindicato dos Investigadores da Policia Civil (Siagespoc), Clédison Gonçalves, disse ao G1 que o movimento grevista foi suspenso até a próxima segunda-feira (13), quando a categoria vai se reunir com o secretário de Administração, César Zilio, para apresentar a proposta de reajuste salarial. "Caso não ocorra nenhuma contra-proposta da reivindicação, voltaremos a paralisar as atividades na próxima semana", declarou.

As duas categorias buscam realinhamento da carreira, o que representaria um reajuste dos atuais R$ 2.365 mil para cerca de R$ 6 mil iniciais. O presidente do sindicato alega que as carreiras de escrivão e investigador devem ser equiparadas com a do perito, que ganha atualmente R$ 6 mil. Além disso, os investigadores se dizem prejudicados em detrimento dos delegados, que poderão ter aumento salarial de 11% e chegar ao montante de R$ 18 mil mensais. O projeto de lei será votado pela Assembleia Legislativa.

"É uma injustiça o que o Governo está fazendo. O delegado e o perito não trabalham sozinhos. Mas querem remunerar bem uma categoria e não a outra", contesta Gonçalves. Ele ressalta também os riscos que os profissionais passam e o trabalho desenvolvido para elucidar os crimes.

Um investigador que preferiu não ser identificado, por exemplo, destaca que o profissional passa meses tentando desvendar casos até chegar no autor do crime. "Mas, infelizmente, todo esse trabalho feito à sociedade parece não ser reconhecido", desabafa.

Outro fator apontado pelo sindicato é a concentração de peritos em Cuiabá e a deficiência no interior do estado o que, segundo o presidente, faz com que os investigadores ocupem dupla função.

Por outro lado, o Governo anunciou por meio de nota que irá  tomar medidas judiciais para declarar o movimento grevista ilegal. "Isso não nos intimida", rebate o sindicalista.  A Secretaria Estadual de Administração (Sad) também, em nota oficial, informou que a categoria foi contemplada com o reestruração da tabela salarial por meio da Lei Complementar nº 344, de 24 de dezembro de 2008, fixando subsídio para os anos de 2008, 2009, 2010 e 2011. A exceção do ano de 2008, quando o subsídio passou a valer a partir do dia 1º de dezembro, nos demais anos a data base foi 1º de maio.

“Com a reestruturação da tabela, os investigadores e escrivães receberam um aumento real de 48,66% no valor inicial da tabela, no período entre 2008 e 2011, alcançando o valor inicial de R$ 2.365,55 e final de R$ 5.250,00, além dos 22,21% da revisão geral anual com base no Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), totalizando 70,87%, no mesmo período”, informou a nota.

Sobre a equiparação entre as carreiras de investigador e perito, a SAD se manifestou dizendo que “a política de gestão de pessoas do Poder Executivo Estadual não trabalha com comparativos entre carreiras diversas e sim sob o ponto de vista do grau de complexidade e exigência do cargo, pois cada carreira atua em uma área finalística própria”.

Kelly MartinsDo G1 MT

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