09/06/2014 - Usuários de drogas serão internados de forma compulsória

Prefeitura implanta nesta semana projeto para retirar das ruas da Capital quem está enquadrado como dependente químico, mas precisa de parcerias

ELIANA BESS

 


Dependentes químicos que vivem nas ruas de Cuiabá serão internados compulsoriamente. Esta iniciativa integra o projeto que será lançado nesta semana pela Prefeitura de Cuiabá, através da Secretaria de Assistência Social. Com a parceria de diversos órgãos – Judiciário e Executivo – o objetivo é encaminha-los para clínicas terapêuticas.

A expectativa é de que a iniciativa diminua o problema que o serviço social de Cuiabá enfrenta com os moradores de ruas. Atualmente são cerca de 400 pessoas que vivem nessas condições e o poder público não tem como obrigá-los a sair de onde estão, a menos que estejam causando danos ou cometendo crimes, nesse caso a ação envolve a polícia.

“Não tem como impedir. O Centro Pop, que é uma unidade especializada no atendimento aos moradores de rua faz 80 atendimentos por dia, mas muitos deles acabam retornando para as ruas depois dos encaminhamentos”, explicou José Rodrigues Rocha Junior, secretário de Assistência Social do município, por meio de assessoria.

Outras duas equipes do Creas Norte (Morada do Ouro) e Creas Centro auxiliam nas ações desenvolvidas pela Secretaria de Assistência Social. No mês de maio, por exemplo, por meio da abordagem solidária, como é chamado o trabalho, foram atendidas 187 pessoas distintas, ou seja, nenhuma delas foi atendida mais de uma vez.

Só com esses moradores foram desencadeados 3 mil atendimentos, os desdobramentos são ações nas áreas jurídicas, social, pedagógica, de saúde, encaminhamentos para emprego, qualificação profissional, cortes de cabelo e alimentação.

INTERNAÇÃO
Com a internação compulsória, uma vez que não leva em consideração a vontade do dependente (na maioria dos casos eles não querem tratamento), será uma oportunidade de mudanças para essas pessoas.

Para a execução do projeto que será lançado esta semana, dependerá da parceria com outros órgãos. Entre eles, Defensoria Pública, Ministério Público, Poder Judiciário, Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), secretarias de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), de Saúde do município e do Estado, entre outros.
"Porque o destino deles será as unidades terapêuticas”, frisou José Rodrigues.

De acordo com o secretário de Assistência Social de Cuiabá, existem quatro alojamentos da prefeitura para abrigarem das pessoas que decidem sair da condição de morador de rua. Mas, acabam retornando para o convívio na rua, por opção.


INSEGURANÇA
De fato a presença dos moradores na rua causa insegurança na população e aos estabelecimentos comerciais. “Os clientes ficam inseguros, reclamam porque se sentem coagidos. Embora aqui para a loja eles não oferecem perigo. Até contribuem com a limpeza, retirando as caixas de papelão que são destinadas para o lixo, uma vez que as utilizam para se abrigarem durante a noite ou se protegerem do sol”, revelou Pedro Franceschini, gerente da Multicoisas, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça. Para ele, o que pesa é o desconforto gerado aos clientes que temem ser assaltados.

 

Marcos Lopes/HiperNotícias

Empresário Pedro Franceschini, na Avenida do CPA, reclama que presença de usuários de drogas perto da loja afasta os cliente

O problema se agrava para aqueles que dependem do transporte público para retornar do trabalho. "Morro de medo de ser assaltada, já tive muitos amigos que foram assaltados no ponto do ônibus e a cada dia parece que tem gente diferente no entorno dos estabelecimentos, portanto nas proximidades dos pontos de ônibus. Não dá prever a reação deles, infelizmente são pessoas que acabam perdendo a dignidade e princípios de vida. Restam-nos a insegurança e desconfiança. É sempre uma ameaça ao cidadão", pontuou uma servidora pública que preferiu não ter o nome divulgado.

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