09/07/2014 - (Revista MTAqui/Eixo BR 158) - A rodovia entre asfalto e poeira

Pronta, ainda não. A data pra conclusão nem Deus sabe. Essa a realidade sobre a obra de pavimentação da BR-158 em Mato Grosso. 

O asfalto se estende de Pontal do Araguaia à vila Alô Brasil, no município de Bom Jesus do Araguaia. Daquela localidade a rodovia avança rumo norte por 127 quilômetros com a pista encascalhada, porque a quase totalidade do trajeto (114,5 quilômetros) cruza a reserva indígena Marãiwatsédé, dos xavantes. O asfalto é retomado 12 quilômetros após o trevo para a vila de Pontinópolis, de São Félix do Araguaia. Faltando 30 quilômetros para Vila Rica e 17 quilômetros após aquela cidade, os trechos estão em obra. O percurso se completa com 20 quilômetros já concluídos. 

Na extensão de 803,6 quilômetros entre Pontal do Araguaia, na divisa com Goiás, e o marco divisório com o Pará, no município de Vila Rica, a 158 tem 657 quilômetros pavimentados e 144 sem pavimentação, sendo que 47 estão em obra. O restante do traçado, de 127 quilômetros, será desviado por imposição da Funai e do Ministério Público Federal para retirar a rodovia da recém-criada Marãiwatsédé.

Uma divisa seca e litigiosa separa Mato Grosso do Pará. Do lado paraense a 158 está concluída, cruza cidades e tem seu ponto mais ao norte em Redenção, distante 305 quilômetros de Vila Rica. 

De Redenção, pela malha rodoviária paraense asfaltada as commodities agrícolas mato-grossenses alcançam portos fluviais naquele estado. Há opções de exportação das commodities pelo Maranhão. Nesse caso, o carreteiro deixa a 158 e toma à direita para Tocantins, de onde os carregamentos prosseguem até os portos maranhenses.

A pavimentação da 158 atravessa décadas e parece não ter fim. Moradores na região e interessados em sua conclusão para a utilizarem como rota inter-regional e de escoamento da produção primária já se acostumaram às paralisações. Alguns não acreditam que a obra seja concluída, mas todos têm algo em comum: a rodovia é imprescindível ao Araguaia. 

A rodovia foi construída em etapas. Nos anos 1940 os primeiros picadões foram abertos entre Barra do Garças e o local onde seria fundada Nova Xavantina. Esse trabalho foi comandado pelo coronel do Exército Flaviano de Mattos Vanique, que chefiava a Marcha para o Oeste, promovida pelo presidente Getúlio Vargas, como parte de sua estratégia para retirar do Rio de Janeiro a capital da República, por temor de ataque aeronaval nazista. 

Vargas tinha o plano de construir uma cidade na região central do Brasil para sediar os poderes. Com a derrota de Adolf Hitler e o fim da guerra em 1945, a capital foi mantida no Rio e os picadões de Vanique ficaram perdidos nos grotões.

No final dos anos 1960 o engenheiro João Carlos de Souza Meirelles recebeu a missão de construir uma rodovia ligando Barra do Garças à gleba Suiá-Missú, para atender à demanda de transporte da fazenda de igual nome, no município de São Félix do Araguaia. A obra de Meirelles ganhou o nome de Estrada da Suiá-Missú. 

Os militares que assumiram o governo brasileiro em 1964 incluíram a Estrada da Suiá-Missú ao Plano Nacional de Viação. A rodovia consolidou-se graças ao pioneirismo de colonizadores que expandiram a fronteira agrícola mato-grossense rumo ao Pará. Norberto Schwantes, que na região fundou Canarana, Água Boa e Querência, foi um desses pioneiros.

Como parte do programa Integrar para não Entregar, os militares iniciaram a pavimentação da 158. Em parte essa obra foi executada pelo governo estadual por delegação do Ministério dos Transportes.

O presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu o governo em janeiro de 1995 e prosseguiu a obra da 158, mas também a passos lentos. Ao término de seu duplo mandato, em dezembro de 2002, a pavimentação ligava Ribeirão Cascalheira a Barra do Garças, mas havia um trecho de 17 quilômetros ainda pendente de conclusão, próximo a Ribeirão Cascalheira. 

Em maio de 2009 o então presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Luiz Antônio Pagot, e o à época governador Blairo Maggi (PR) lançaram a pavimentação da 158 num trecho de 201 quilômetros ligando o trevo com a BR-242 na então vila Estrela do Araguaia, na divisa com o Pará. Na mesma solenidade, Pagot anunciou que seria construído o Contorno Leste, para retirar a rodovia da Terra Indígena Marãiwatsédé, cuja criação era motivo de ação judicial.

Pagot e Blairo anunciaram que a rodovia seria concluída até o final de 2010. Quatro anos depois a obra continua. Uma das construtoras da 158 se deu mal, entrou em parafuso e teve de ser substituída. 

A nova construtora da 158 toca a obra no trecho pendente de 17 quilômetros entre Vila Rica e o Pará. Após concluí-lo, entrará em ação para pavimentar 30 quilômetros a partir daquela cidade rumo a Barra do Garças. Uma fonte dessa empresa assegurou que os trabalhos serão encerrados no final deste ano. Essa troca leva a chancela do governador Silval Barbosa (PMDB), que em janeiro deste ano firmou convênio nesse sentido com o Dnit para que a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu) respondesse pela obra.

A pavimentação anunciada por Pagot e Blairo foi orçada em R$ 163 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contrapartida de 10% do governo de Mato Grosso. Esse montante sofreu correções graças aos manjados aditivos contratuais, mas ninguém sabe dizer o patamar que essas manobras alcançaram.

NE – Manchete da edição Nº 40 (de 30 de junho a 14 de julho de 2014) da Revista MTAqui. A postagem não observa a ordem de paginação da publicação e perde em qualidade visual.

Esta manchete é uma das cinco reportagens nesta edição sobre a BR-158 e seu eixo de influência no Vale do Araguaia. O editorial também aborda o mesmo assunto.

Leia e sugira a leitura de MTAqui a revista que não escreve abobrinha nem joga conversa fora. Também sugira a leitura de sua versão quinzenal impressa.

 

 

Comentários

Data: 10/07/2014

De: queiroz

Assunto: sao felix

e ainda tem gente que acredita na estrada da Ilha do Bananal rsrsrsrs

Novo comentário