09/09/2016 - Terceirão de MT tira nota abaixo da meta do Ideb

09/09/2016 - Terceirão de MT tira nota abaixo da meta do Ideb

 

O Ensino Médio público e privado de Mato Grosso não foi bem na avaliação que o Ministério da Educação faz para checar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015.

Tirou 3,2. A meta era 4.

Neste nível, os alunos geralmente enfrentam o vestibular.

O Ideb é feito de dois em dois anos.

O resultado referente a 2015 foi divulgado nesta quinta-feira (8) em Brasília.

As notas do Ideb vão de zero a 10.

As séries avaliadas são a 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio.

A avaliação leva em conta o índice de aprovação, notas dos alunos nas provas de português e matemática e o índice de abandono da escola.

Na rede estadual de Mato Grosso, a nota 3 ficou abaixo da meta estabelecida para o ano da pesquisa, que é de 3,5.

As notas dos três últimos testes mostram que não houve avanços: 3,1(2011), 2,7(2013) e 3,0 (2015).

Na rede privada de Mato Grosso, a nota foi um pouco melhor: 5,3. Mas também abaixo da meta: 6,1.

Nos três últimos testes as notas foram 5,7 (2011), 5,3 (2013), 5,3 (2015) – houve involução.

No Brasil

No Brasil, a situação é ruim também, mas alguns estados aparecem em condição melhor.

São Paulo tirou nota total – somando público e privado - 4,2, mais próxima da meta previamente estabelecida (4,5).

Pernambuco tirou 4 e superou a meta (3,9). Brasília também tirou 4, mas tinha como meta 4,5.

Ensino fundamental

Neste nível de ensino, Mato Grosso superou a meta.

A oitava série fez 4,6 pontos e a meta era de 4.3. A quarta série tirou 5,7, também acima da média (5).

A oitava das rede estadual perseguiu a nota 4,1 e chegou a 4,5. Na rede privada, com 6,2, encostou na meta 6,3.

Cuiabá

Cuiabá foi melhor no Ideb. Está entre as melhores notas de Mato Grosso.

Na rede estadual, foi de 3,4 para 5,4, acima da meta – 4,8 – de 2005 a 2015.

Na rede municipal, saltou de 3,7 para 5,5, no mesmo período, superando a meta – nota 5.

Os “nós” da educação

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes, comenta, com reservas, o resultado do Ideb.

Segundo ele, este é um teste limitado, que deve ser levado em conta como uma referência apenas, porque não mostra a totalidade das condições de ensino.

Ele destaca que a “péssima” estrutura da rede estadual e a qualificação dos professores são elementos que interferem no resultado do ensino em Mato Grosso.

Sobre a infraestrutura das escolas, ele diz que as unidades tradicionais, como o Liceu Cuiabano, por exemplo, tem prédios melhores.

Destaca também que a maioria das escolas tem muitos limites com relação aos equipamentos tecnológicos.

Sobre o quadro de pessoal, diz que o número alto (60%) de professores contratados dificulta a qualificação do corpo docente como um todo, porque há muita rotatividade. “Tem escolas com 90% dos professores interino”, diz o sindicalista, ressaltando a urgência de um concurso público na rede estadual de ensino.
Na rede privada, a qualificação docente também preocupa, é o que confirma o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado de Mato Grosso (Sinepe-MT), Gelson Menegatti.

“Em outros países, profissionais que vão para a docência passam por uma verdadeira inquisição para saberem se têm aptidão para lecionar. Aqui não, aqui é qualquer um que tenha uma faculdade se candidata. Os melhores, creio, vão em outra profissão, porque todos querem sustentar bem sua família”, diz ele, se referindo aos baixos salários do setor.

Quanto à infraestrutura, diz que maior parte das escolas particulares cuida disso ou perde cliente.

Menegatti ressalta que a média do Ideb é diferente de alguns colégios, como os salesianos por exemplo, que são m ais altas.

Ele acredita que, para mudar a educação, é preciso olhar para esta questão mais amplamente, compreendendo que é uma época de quebra de paradigmas.

“A tecnologia mdou tudo. Nossos alunos estão mais ligados que muitos professores. A verdade é que nossa escola não é mais atrativa”, admite.

Menegatti passou 10 dias no Japão e se surpreendeu com o fato de todos os jovens falarem inglês, além do japonês, e dominarem tecnologia de ponta.

 

 

Keka Werneck, repórter do GD

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