09/10/2017 - Coronel Siqueira grampeou e controlou policiais subordinadas, diz Perri

09/10/2017 - Coronel Siqueira grampeou e controlou policiais subordinadas, diz Perri

Preso preventivamente na operação Esdras sob acusação de obstrução à justiça no caso das interceptações telefônicas clandestinas, o ex-secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos e coronel da Polícia Militar, Airton Benedito de Siqueira Júnior, é acusado de ter grampeado e controlado policiais militares subordinadas a ele, durante o tempo em que as escutas telefônicas clandestinas estavam em vigor.

 

Na decisão em que mandou prender o coronel, o desembargador Orlando de Almeida Perri aponta uma série de dados que apontam para a participação de Airton Siqueira no esquema de arapongagem. “Apesar de não denunciado pela prática dos crimes militares, há indícios fortíssimos da participação do Cel. PM Airton Benedito de Siqueira Júnior na organização criminosa”, diz Perri.

 

Por exemplo, a sargento PM Andrea Pereira de Moura Cardoso, que relatou a existência de um escritório de escutas clandestinas localizado em uma sala comercial alugada no Edifício Master Center, no Centro de Cuiabá. Ela era lotada no Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), subordinada ao coronel Siqueira, que a orientou a procurar o coronel Zaqueu Barbosa, então comandante-geral da Polícia Militar, pois passaria ao núcleo de inteligência, onde atuou entre o final de 2014 e 2015, juntamente com o cabo PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, também preso por realizar as escutas ilegais.

Encerrado o período de trabalho no setor de inteligência, Andrea Pereira foi chamada por Siqueira para exercer suas funções na Casa Militar, onde ele era secretário-chefe. Orlando Perri destaca que tais indicações mostram que o coronel sabia de todo o esquema de grampos. Segundo o desembargador, a nomeação da sargento Andrea para trabalhar no mesmo lugar que ele ocorreu para que, “mantendo-a sob suas asas”, pudesse controlá-la.

Grampeadas

O mesmo teria sido feito com outra PM, a capitã Cláudia Rodrigues Gusmão, que foi ouvida no inquérito policial militar (IPM) realizado pelo coronel Jorge Catarino Ribeiro. Ela atuou na Casa Militar entre janeiro e outubro de 2015 e foi interceptada ilegalmente entre julho a setembro daquele ano, logo após a troca do comando da Casa Militar, que passou do coronel Ribeiro Leite para Airton Siqueira. Consta nos autos que a capitã foi grampeada “com a finalidade de saber se ela tinha conhecimento do esquema de grampos ou se ela estava repassando informações sigilosas para terceiros”.

Apesar da decisão não mencionar relação com o coronel Siqueira, além de Cláudia, a major PM Valérya Fleck, que foi interceptada em setembro de 2015. Interrogada no IPM, contou que trabalhou no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) entre dezembro de 2011 a fevereiro de 2016, sendo que a partir de 2014 até sua saída, trabalhou diretamente com os cabos PM Gerson Ferreira e Euclides Torezan.

Conforme o desembargador Perri, o “pecado” que Valérya teria cometido para ter sido interceptada ilegalmente foi apontar erros grosseiros na documentação produzida pelo cabo Gerson e também suas faltas ao trabalho. Naquela época, o policial, que está preso desde maio, se dedicava integralmente ao escritório de escutas clandestinas. 

 

 

Celly Silva, repórter do GD

 
 

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