09/11/2015 - Papa defende continuidade de reformas após vazamentos

Em seus primeiros comentários públicos sobre o mais recente escândalo no Vaticano, o Papa Francisco disse a fiéis na Praça de São Pedro neste domingo que o roubo de documentos descrevendo malfeitos financeiros dentro da Santa Sé é um crime. Ele defendeu, porém, a continuidade de reformas.

O papa afirmou que a publicação de documentos em dois livros lançados na semana passada é ‘um ato deplorável e não ajuda‘. Os livros ‘Mercadores no Templo‘, de Gianluigi Nuzzi e ‘Avareza‘, de Emiliano Fittipaldi, detalham erros de gestão e alegam ganância no Vaticano. As publicações são vistas como parte de uma disputa interna amarga entre reformadores e a chamada ‘velha guarda‘.

‘Esse fato triste certamente não vai me distrair do trabalho de reforma que eu e meus colaboradores estamos buscando com o apoio de todos vocês‘, declarou o pontífice, frase que foi recebida com comemoração pela plateia.

Entre os relatos de ‘Mercadores do Tempo‘, Nuzzi escreve que o custo da santidade pode chegar a meio milhão de dólares e conta ainda sobre um monsenhor que teria quebrado a parede de seu vizinho, um padre doente, para expandir seu próprio apartamento.

O Papa Francisco ressaltou que os documentos eram resultado da reforma em curso que ele instituiu e que medidas já estavam sendo tomadas para endereçar os problemas. Essas iniciativas já começaram a mostrar resultados, acrescentou.

‘Quero agradecer vocês e pedir que continuem a orar pelo papa e pela Igreja sem ficarem tristes‘, disse o papa.

O pontífice tornou uma prioridade a reforma da burocracia no Vaticano. Ele apontou uma comissão de oito especialistas em 2013 para reunir informações e fazer recomendações depois que fatos expostos levaram seu predecessor, o Papa Bento XVI, a uma renúncia histórica. Dois antigos membros dessa comissão foram presos como parte da investigação sobre documentos roubados. 

 

 

Estadão

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