10/01/2012 - Produtor indica queda de 90% na produção de pequi em Mato Grosso

 

Uma das milhares de plantas nativas do cerrado, o pequi tem sido utilizado para reflorestar áreas degradadas na Baixada Cuiabana. Porém, a falta de chuva este ano provocou  a redução do florescimento dos pequizeiros, o que pode reduzir em até 90% a produção do estado de Mato Grosso nesta safra.
 
A pesquisadora da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Lozenil Carvalho Frutuoso, estuda, há mais de 10 anos, o comportamento de espécies frutíferas oriundas da região Centro-Oeste. Segundo ela, o fruto do pequi pode germinar em um período que varia entre 25 dias a 12 meses. 
 
O pequizeiro floresce durante os meses de agosto a dezembro, a maturação do fruto em Mato Grosso é tardia, começando em janeiro e encerrando em março. O produtor rural Duílio Maiolino Filho prevê que a produção do pequi esse ano será baixa, devido ao período chuvoso que chegou mais tarde no ano de 2011. 
 
Ele explica que a produção em sua propriedade já foi toda colhida, mas a florada foi baixa, diferentemente dos anos anteriores. “Nunca vi nada igual, tive baixa produção com o pequi e também com outras frutíferas”, ressalta Duílio Maiolino.
 
Normalmente uma árvore de pequi produz em média dois mil frutos por colheita, e começa a produzir no quinto ano após o plantio. Os experimentos na propriedade do produtor Maiolino já atingiram 500 frutos por árvore e a produção começou no quarto ano. Foram plantadas 40 árvores de pequi e o produtor esperava colher em média 20 mil frutos. Maiolino disse que colheu no máximo 2 mil frutos na área, ou seja, 10% de toda produção, com uma queda de cerca 90%.
 
O técnico agropecuário da Empaer, Roberto Arcanjo, explica que o plantio de sementes acontece o ano inteiro. A semente de pequi é colhida no chão, da qual deve ser  retirada a polpa e ser deixada a secar, até que se remova a amêndoa; após dez dias, está pronta para o plantio. Ele explica que, para produzir mudas, é necessário tomar alguns cuidados, como a escolha correta da semente, o preparo da terra, plantio, irrigação e o acompanhamento da evolução da planta. “A muda do pequi requer cuidados, pois é de difícil germinação e, em alguns casos, a semente poderá ser tratada antes do plantio, garantindo mudas produtivas para o produtor”, esclarece Arcanjo.
 
Cinco espécies do Cerrado - Na Estância 13, numa área de um hectare, do produtor rural Duílio Maiolino, foi implantada uma Unidade Demonstrativa (UD) com cinco espécies frutíferas: pequi, jenipapo, cagaita, cumbaru e jatobá. Conforme Lozenil, os produtores estão plantando pequi para recuperação de áreas degradadas devido à versatilidade da planta e ao seu grande valor econômico. A madeira pode ser utilizada para construção civil, o fruto na culinária e a castanha para produção de biodiesel.
 
Na Universidade de Brasília e no Estado do Ceará, na cidade de Cariri, pesquisadores estão utilizando o fruto do pequi para produção de remédios como cicatrizantes, anti-inflamatórios e gastro protetores, na prevenção do desenvolvimento de tumores e doenças cardiovasculares. A indústria cosmética fabrica sabonetes, cremes e outros. “Altamente calórico, protéico e perfumado, com gosto meio adocicado, o pequi é usado também como condimento, rico em vitamina A, C e E. A polpa contém uma boa quantidade de óleo comestível”, declara Frutuoso.
 
No Estado foram encontradas quatro variedades, na região da Baixada Cuiabana é encontrado o pequi de tamanho pequeno, o mais consumido na culinária; o de tamanho médio é mais comum em Barra do Garças; o grande é encontrado em São Félix do Araguaia e o pequi sem espinho é próprio de uma reserva indígena do Xingu. As mudas de pequi serão comercializadas no Viveiro da Empaer por apenas R$ 5,00. As informações são da assessoria de imprensa.
 
Da Redação - LB

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