10/02/2011 08h:07 Araguaia: desastre anunciado

É certo que já perdemos o Tocantins. Serra da Mesa, Peixe/Angical, Luiz Eduardo, Estreito, Tucurui turbinaram o país de energia mas implodiram o meio ambiente. E explodiram o segundo maior rio totalmente brasileiro (o primeiro é o São Francisco). E o que isto trouxe para o Estado: uma das taxas de energia mais caras do país e uma multidão de impactados que sobrevivem a perambular por migalhas dos construtores e investidores.
Mas se já estava ruim. Pode piorar. Os empresários agora vão estourar o Araguaia nessa sanha capitalista de produzir energia com a explosão do meio ambiente. Sem reparação, afinal, ninguém consegue reparar um rio. Depois de anos de regaceio, já é certo no meio político que o Ibama autorizou, recentemente, os estudos de impacto ambiental para o licenciamento e licença de instalação da Hidrelétrica Santa Isabel. Quem conhece do ramo, sabe muito o que isto significa: o governo federal a colocou em suas prioridades.  A Funai no Estado já oficiou, na semana passada, o governo federal para confirmar o que já está sendo feito na prática. É obra do tal PAC.
O negócio, de tão escandaloso contra o meio ambiente, vai seguindo na surdina, dado o impacto que causará no rio Araguaia e na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do planeta. E se já não tínhamos a exuberância do Tocantins agora ficaremos sem as belas praias e peixes do Araguaia...
E a classe política completamente amorfa. Espectadora paga com recursos públicos para defender o patrimônio público. E o que está acontecendo aí é algo espantoso, é a privatização do capital público.
Vão dizer aí que tem ajuda aos impactados, vai pipocar de ONGs para ganhar dinheiro com isso, montar projetos coisa e tal. E deixar de lado o meio ambiente. O ICMbio vai sair com as suas teses vocacionadas para a tergiversação. Mas o capital prevalecerá
Essa hidrelétrica Santa Isabel já tem o consórcio. Quem venceu o leilão foi o Gesai, que é formado pelas empresas Billiton Metais S/A, Companhia Vale do Rio Doce, Camargo Corrêa S/A, Alcoa Alumínio S/A e Votorantim Cimentos Ltda. Ele vai atingir diretamente as cidades de Ananás, Araguanã, Riachinho, Xambioá. E Palestina e São Geraldo, no Pará. O investimento é de R$ 1,8 bilhão. Como está no tal PAC, terá dinheiro público do BNDES.
Ela vai formar um lago que inundará uma área de aproximadamente 24 mil hectares de terras férteis às margens do rio Araguaia. Em algumas cidades, vão cobrir ruas.
Os próprios interessados não escondem o que estão fazendo. O relatório da Engevix (uma das responsávéis pela construção) aponta que “há registros de sítios com características únicas na Amazônia e que serão submersos quando da formação do reservatório". Diz ainda que existem mais de 5.000 figuras gravadas em rochas. "A submersão desses sítios será inevitável no momento de formação do reservatório e determinará, fatalmente, a perda de um dos mais importantes e ainda pouco estudados conjuntos de gravuras rupestres do país." 

É um desastre anunciado. Há dois anos, a senadora Kátia Abreu plantou no Congresso uma discussão para transformar o rio Araguaia e Rio Parque Araguaia. Apresentou um projeto de lei. O debate sofreu resistência desse grupo aí que conseguiu da Aneel levar adiante o projeto de detonar o Araguaia.
É hora de retomar a discussão. Apesar de achar que não adianta mais nada. Vejam o caso de Belo Monte: o governo decidiu e não quis saber de mais nada. E assim vamos assistindo a isso tudo, engolindo isso tudo. E agora, ficaremos efetivamente sem o nosso rio Araguaia.
E onde está o início disso tudo: lá na hora que escolhemos nossos representantes nas urnas. Fonte:
DESASTRE ANUNCIADO

Escrito por Luiz Armando Costa enviado por Rizza Matos