10/02/2015 - Taques afirma que irá concluir obra do VLT em Cuiabá e VG

O governador Pedro Taques (PDT) afirmou, nesta segunda-feira (9), que sua gestão vai adotar providências no sentido de concluir as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande, iniciadas na gestão Silval Barbosa (PMDB).

“Eu defendo o término dessas obras. Defendo que Cuiabá, Várzea Grande e Mato Grosso tenham as obras do VLT, que nós possamos terminar essas obras. Como governador do Estado, digo que vamos trabalhar firmemente para terminar esta obra, encontrando a viabilidade técnica, inclusive, na questão tarifária”, disse.

Segundo Taques, os secretários do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira, e de Cidades, Eduardo Chiletto, vão trabalhar em conjunto para encontrar a viabilidade técnica das obras.

Um dos fatores a serem analisados pelas secretarias será a tarifa final do VLT, bem como a forma como será realizada a integração entre o VLT e os ônibus.

Para Taques, a forma correta deve ser a unificação dos sistemas de transportes urbanos.

“Quando se fala dessa tarifa, não estamos falando, ainda, no valor da integração, daqueles ônibus que alimentam o VLT. Imagina a pessoa que vai pegar o VLT na estação do Tijucal, para descer em outra estação e, depois, pegar um ônibus para ir às universidades. Qual o preço dessa tarifa? Essa integração tem que ser feita dentro do sistema de Cuiabá e Várzea Grande”, afirmou.

“Portanto, teremos que fazer a unificação desta integração. Isso não é feito pelo governador, porque não tenho capacidade técnica para isso. Temos técnicos competentes, que nos passarão essas informações”, disse. 

“Caos anunciado”

Durante audiência pública, na manhã desta segunda-feira (9), no Centro de Eventos do Pantanal, foi explicitado que existia uma prerrogativa de o Estado contratar uma empresa gerenciadora para que ela fiscalizasse a execução dos trabalhos, informando ao gestor sobre o andamento da obra. 

A contração da empresa gerenciadora foi feita pela gestão passada, por R$ 47 milhões. Contudo, os alertas e as recomendações não foram obedecidos, tampouco acatadas, conforme apontou o secretário do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira. 

Conforme detalha o documento apresentado em audiência pública, a empresa gerenciadora passou a atuar na obra em janeiro de 2013, seis meses após o início da execução das obras do modal de transporte. 

A empresa emitiu, em abril daquele ano, um documento técnico e de forma mais consistente. À época, já foi apontado que “o avanço geral real da implantação do VLT encontra-se muito abaixo do previsto no cronograma do próprio Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande”. 

Os relatórios subsequentes continuaram a apontar as mesmas deficiências: avanço das obras em ritmo muito abaixo do previsto; a ausência de regularização de entrega de projetos; a necessidade de imprimir novas frentes de trabalho com urgência, entre outros pontos. 

“Até que ponto a administração tomou as medidas que deveria ter tomado para que essa obra ficasse pronta a tempo, na qualidade desejada e na concepção original do anteprojeto?”, questionou Gustavo Oliveira. 

Em maio de 2013, por exemplo, um diagrama apresentado pela gerenciadora mostrava que até aquela data, apenas 7% das obras haviam sido realizadas, quando o previsto era de que 55% dos trabalhos já tivessem sido concluídos. 

“O Consórcio Implantador terá que realizar os 93% das obras restantes nos próximos 16 meses. Esta parece ser uma tarefa bastante difícil”, alertava a nota técnica. 

Ainda em maio de 2013, a gerenciadora advertiu para uma possível conclusão do modal, anos após o prazo previsto inicialmente, que era abril de 2014. Numa projeção inicial, a gerenciadora apresentou uma data de conclusão em junho de 2016.

“Assim, projetando-se a evolução do empreendimento com base na velocidade atual de implantação, pode-se dizer que o Consórcio Implantador, nem de perto conseguirá cumprir o prazo contratual. Na verdade, com o desempenho atual, o final da implantação deverá ocorrer muitos meses o fim do prazo oficial, se não, anos depois”, dizia o documento. 

Projeto Executivo 

O relatório apresentado nesta segunda-feira, e que expõe os resultados obtidos nas auditorias realizadas pelo Governo do Estado, elencam uma série de problemas no que diz respeito à obra do VLT. 

O principal, segundo o secretário Gustavo Oliveira, é a inexistência de um projeto executivo total da obra. 

“O projeto executivo total da obra não existe e os que resistem, a qualidade é bastante questionável”, afirmou. 

Ainda de acordo com o secretário, alguns dos projetos executivos apresentados pelo consórcio responsável pela obra sequer poderiam ser classificados desta forma, já que o nível insuficiente de detalhamento da obra daria ao estudo, a característica de “projeto básico”. 

Também no relatório emitido pela empresa gerenciadora da obra, foi atestado que “sem projetos adequados, não há como garantir a qualidade e até a segurança das obras executadas”. 

“A Secopa tem sido exaustivamente lembrada pela gerenciadora sobre o grave problema da frequente falta ou insuficiência de projetos para o correto desenvolvimento da obra”, diz outro trecho do documento. 

Erros grosseiros 

Conforme alertado pela gerenciadora, a ausência ou insuficiência de projetos executivos acarretou na existência de falhas graves de execução em algumas obras. 

Um dos exemplos citados pelo secretário Gustavo Oliveira foi o da Trincheira do Zero KM, onde foi constatado um problema de desaprumo de estacas de hélice. 

Ou seja, estacas que eram para ser implantadas com um espaçamento de dois metros acabaram sendo implantadas sem qualquer padronização. 

Veja imagem: 

 

Erro constatado em obra da Trincheira do Zero KM



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No viaduto da UFMT, também foi detectada falha grave de execução e que difere do que havia sido previsto no projeto da obra. 

“Tínhamos um pilar projetado para ser oco, era para ser uma casca de concreto armada e na execução, o pilar foi concretado sólido. A gerenciadora pediu que fosse alertado o projetista, pois aquilo não havia sido projetado daquela forma e o viaduto terá um sobre preço, já que vai ter mais concreto do que deveria e pode impactar nas fundições”, explicou Gustavo Oliveira. 

 

 

Camila Ribeiro E Douglas Trielli 
Da Redação

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