10/02/2016 - Presos curtem carnaval exibindo 'dinheiro do tráfico' em selfies

10/02/2016 - Presos curtem carnaval exibindo 'dinheiro do tráfico' em selfies

Agentes penitenciários que trabalham na Penitenciária Central do Estado (PCE), a maior de Mato Grosso com capacidade para 891 presos,mas superlotada em mais de 200%, denunciaram nesta terça-feira (9), de carnaval, que detentos da unidade comemoraram a folia de momo fazendo selfies (autoretratos) e exibindo dinheiro do tráfico de drogas que acontece dentro da penitenciária.

Em nota, o sindicato da categoria afirma que o governo do Estado, responsável por todas as unidades prisionais, através da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), tem pleno conhecimento da situação e permanece inerte.

O comunicado em clima de desabafo informa que na manhã desta terça-feira os agentes da PCE entraram no raio 1, onde encontraram além de muita droga e dezenas celulares, “uma grande quantidade de dinheiro, o qual é fruto do tráfico de drogas dentro da unidade, que hoje conta com uma população carcerário de quase 2 mil presos”.

A existência de celulares e presos que utilizam smarphones de última geração para se comunicarem com comparsas que estão lá fora e também para publicarem fotos em redes sociais não é novidade, pois já foi divulgada pela imprensa em outras ocasiões. O consumo de drogas dentro da PCE também é de conhecimento das autoridades da segurança pública de Mato Grosso, uma vez que em praticamente todas as revistas que são realizadas, os agentes encontram entorpecentes, celulares e armas artesanais.

Dessa vez, no entanto, a novidade, conforme mostra a nota divulgada pelo Sindicato dos Servidores Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen-MT), é que alguns presos estão “ostentando” e comemorando o carnaval através de fotos nas quais eles exibem o dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Um dos motivos que facilitam a entrada de objetos ilícitos na unidade, segundo o sindicato, é a falta de estrutura e equipamentos de trabalho.

O próprio Sindspen relata que para os agentes a sensação é de que se estão “enxugando gelo, pois sem o efetivo necessário não se tem como fazer as revistas constantes”. Dessa forma, esclarece o sindicato, “os presos acumulam drogas e celulares com facilidade, já que sem o aparelho de escâner corporal não se tem como combater a entrada de drogas que na grande maioria vem no corpo das visitantes”.

Outro lado

A Sejudh informou ao Gazeta Digital, por meio da assessoria de imprensa, que todo o sistema do Estado, no quesito segurança pública, está empenhado trabalhando na Operação Carnaval desde a quinta-feira (4) e isso inclui os servidores do sistema penitenciário.

Divulgou também um balanço parcial da operação encerrada nesta terça-feira (9). Informou que somente na PCE foram apreendidos 184 celulares (sendo 42 somente na revista desta terça-feira), 150 chips de telefonia celular, 76 facas artesanais, 18 chuços, 500 trouxinhas de drogas, outras 39 porções de drogas e180 litros de cachaça.

Confira a íntegra da nota do Sindspen MT denunciando a situação na PCE

NOTA PARA A IMPRENSA

Presos da PCE comemoram lucros de boca-de-fumo no carnaval

Enquanto o governo do estado insiste na vigência da portaria 02/2014 que proíbe a revista nas visitas de presos e se nega a aparelhar as unidades penais, o tráfico de drogas continua correndo livremente nesses locais. Durante o carnaval, presos de várias unidades fizeram selfie ostentando a fortuna que vêm fazendo debaixo dos olhos do estado.

Segundo os agentes penitenciários que passaram o carnaval fazendo revistas na Penitenciária Central do Estado (PCE), a sensação que dá é de que se esta enxugando gelo, pois sem o efetivo necessário não se tem como fazer as revistas constantes, e assim, os presos acumulam drogas e celulares com facilidade, já que sem o aparelho de escâner corporal não se tem como combater a entrada de drogas que na grande maioria vem no corpo das visitantes.

Ainda na manhã desta terça-feira (9) os agentes da PCE entraram no raio 1, onde encontraram além de muita droga e celulares, encontraram uma grande quantidade de dinheiro, o qual é fruto do tráfico de drogas dentro da unidade, que hoje conta com uma população carcerário de quase 2 mil presos.

Praticamente a população de uma cidade pequena do Estado de Mato Grosso e uma clientela enorme de usuários que vêm sendo abastecida graças a conveniência e omissão do Estado.

 

Welington Sabino, repórter do GD

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