10/02/2016 - Foliões denunciam ação policial com balas de borracha que deixou feridos no carnaval de Cuiabá

10/02/2016 - Foliões denunciam ação policial com balas de borracha que deixou feridos no carnaval de Cuiabá

Uma ação policial marcou a penúltima noite do carnaval cuiabano. Nesta terça-feira (9), algumas pessoas denunciaram que foram atingidas por armas não letais (bala de borracha e spray de pimenta) na Praça da Mandioca, nas proximidades do Bar do Bigode, sem nenhuma explicação. A Polícia, no entanto, tem outra versão do fato, e inclusive indica outro local para o enfrentamento.


Jean Siqueira foi um dos atingidos. Ele contou à reportagem do Olhar Direto que estava em frente ao Bar do Bigode, por volta das 3h da manhã, e que cerca de dez policiais da ROTAM chegaram jogando spray de pimenta nos olhos dos foliões, sem dizer nada:
 
“A gente estava ali na área da escadaria no começo, e a noite toda a polícia subia e descia ali, como se estivesse procurando alguma coisa. Por volta das três da manhã a música na praça já tinha acabado, e estávamos ali tomando uma cerveja. Os policiais chegaram com arma em punho e jogando o spray de pimenta, bem perto dos olhos das pessoas. Quando a gente começou a gritar e perguntar porque estavam fazendo isso, eles se juntaram e começaram a atirar com as balas de borracha”.
 
Ele contou, ainda, que os policiais utilizaram granadas, que cortaram as nádegas de uma de suas amigas. As balas de borracha também atingiram as costas de M.A., que não quis se identificar. “Foi sem alerta, sem aviso, sem briga, nada”, contou. Segundo a vítima, cerca de dez pessoas se machucaram com as ações.
 
Quando Jean estava indo embora, ainda encontrou mais policiais subindo para o local. “Eu perguntei pra policial porque estavam atirando na gente, e ela disse que era para dispersar multidão. Falei pra ela que a gente não estava fazendo tumulto nem nada, mas ela não respondeu e só continuou andando”, afirmou.
 
Outro lado
 
O Coronel Jorge Luiz Magalhães, responsável pelas ações da Polícia durante o carnaval, afirmou que houveram dois confrontos na madrugada, mas que um deles foi na Avenida Mato Grosso e o outro no posto entre a Avenida do CPA e a Mato Grosso.
 
“A polícia recebeu a denúncia de que havia um grupo ali na Mato Grosso, próximo a uma das entradas para a Mandioca, com som alto e tocando funk, e ali não era uma área onde estava autorizado fazer carnaval. As guarnições chegaram lá e pediram para que desligassem o som, mas foram recebidos com garrafadas. Logo depois, a PM reagiu à altura com as armas não letais e dispersou a multidão. Isso aconteceu por volta de meia noite”, explicou. Segundo o coronel, durante o confronto foi ouvido um disparo de arma de fogo, mas a PM não conseguiu identificar quem efetuou.
 
Por volta das três horas da manhã, segundo o coronel, eles receberam outra denúncia: “Falaram que o pessoal estava se aglomerando ali num posto entre a Avenida do CPA e a Avenida Mato Grosso, também com som alto. Da mesma forma, a polícia chegou e pediu para desligarem, mas foi recebida novamente com garrafadas, e reagiu com as armas de efeito não letal. A multidão se dispersou, mas subiu a Mato Grosso novamente, e os policiais foram atrás. Nesta ação, foram ouvidos três disparos de arma de fogo, mas novamente a polícia não identificou os autores e ninguém se apresentou como ferido”.
 
Ainda segundo o Coronel, na Praça da Mandioca não houve nenhuma ação ou enfrentamento, e a polícia estava lá para proteger o evento: “Nós ainda remanejamos mais trinta policiais de Santo Antônio para lá, estávamos com mais de 200 homens”. Ele ainda afirmou que a polícia está à disposição se alguém quiser fazer alguma denúncia, já que não receberam nenhum aviso de que alguém teria se machucado no enfrentamento: “Vamos ouvir e apurar”, finalizou.

Da Redação - Isabela Mercuri

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