10/03/2014 - Estudante de direito morre depois de fazer prova física do concurso da Polícia Militar

A contagem do tempo para o advogado Celso Pelegrini, de 60 anos, será dolorosa daqui pra frente. Seu único filho, Luis Felipe Meira Pelegrini, de 21 anos, morreu ao tentar ingressar na Polícia Militar de Mato Grosso. O jovem estava no 7º semestre do curso de direito e passou mal durante a prova de aptidão física, no dia 19 de fevereiro, e, dez dias depois, em 1º de março ele faleceu, no pronto-socorro de Várzea Grande.

Além da tristeza, a morte de Felipe Pelegrini consternou amigos e namorada, mas a dor da perda para seu pai tornou-se insuportável. “Eu perdi quem eu mais amava no mundo”, lamenta Celso Pelegrini na missa do 7º dia de seu único filho, que aconteceu na sexta-feira (07). 

O sentimento de perda do pai trouxe junto o de revolta com o sistema de saúde e a exigência de testes físicos. Para Celso, estas provas físicas “vão além dos limites do corpo” somente para aprovação em concurso público.

Segundo o advogado, é necessário que o candidato faça uma série de exames mais aprofundados antes de realizar a prova física. “O que eles pedem é muito superficial e não tem como saber o histórico de saúde do candidato”. A causa da morte do jovem ainda é confusa para o pai. “Na verdade, até agora não entendi o que aconteceu com meu filho. No dia, os médicos disseram que era vesicular”, conta.

“Eu não sei até que ponto eu posso mudar isso e não deixar que a morte do meu filho seja em vão, mas o que mais me incomoda é o setor da saúde, meu filho morreu nos meus braços sem nenhum diagnóstico”, lastima Celso.

Segundo o relato do advogado, por duas vezes seu filho foi internado no pronto-socorro de Várzea Grande e só foi atendido quando estava prestes a morrer. “Se você se interna lá é sinal de que vai morrer”, afirma.

Corredores lotados de pessoas agonizando de dor, médicos atendendo além do limite de sua capacidade e enfermeiros já endurecidos devido ao caos diário a que são submetidos. Esta foi à cena descrita pelo pai que perdeu seu filho e não tinha condições financeiras para pagar uma unidade particular. “Não existe saúde em nosso país”, assevera Celso.

No dia da seleção, Felipe Pelegrini acordou cedo, tomou café da manhã e foi para a prova marcada para às 7h da manhã. O primeiro teste era a corrida, em que o candidato precisa cumprir um percurso de 2.300 metros em 12 minutos. 

O jovem entrou na pista às 9h30 e quando estava próximo à linha de chegada, percebeu que não daria tempo, sendo assim, decidiu se jogar ao chão no intuito de alcançar a linha. Ele teve hiperglicemia e uma parada respiratória. A ambulância que estava no local o encaminhou ao pronto-socorro de Várzea Grande, onde Felipe só foi atendido quando estava em suas últimas horas de vida e teve “um problema cardíaco”. Ele morreu às 14h40. 

Apesar de ter consciência que o mau atendimento do serviço público resultou na morte de seu filho, Celso não pretende processar o estado. No entanto, ele quer que a morte de seu filho não seja em vão e que “essa realidade mude para que outros não morram”.

“O meu pedido é que as autoridades que possam mudar isso façam alguma coisa e mudem a nossa saúde. Olhe quantos já foram gasto com essa Copa, será que ela vale mais do que milhões de mortos no nosso país?”, questiona o pai de Felipe Pelegrini.

 

Priscilla Silva

Comentários

Data: 10/03/2014

De: Luis Gonzaga Oliveira Domingues

Assunto: luisodomingues@hotmail.com

O Estado deve rever o processo de avaliação da prova de aptidão física do concurso para polícia civil, pois não podemos admitir que esse tipo de prova se sobreponha a avaliação escrita, psicológica e intelectual, etc. A polícia tem a função de investigar e não usar da força para prender ou ficar correndo através de pessoas que cometam crimes. Somente a Justiça de punir aqueles que cometem crimes, portanto o papel da polícia é de prender e colocar a disposição da justiça. No Brasil ainda temos uma polícia bastante repressiva que pratica na maioria das vezes violência contra aqueles que foram excluídos da sociedade, sendo que prende basicamente negros pobres.
Dizer que a copa do mundo é a culpada pelos problemas históricos de nossa saúde é no mínimo falta de informação, pois o sistema de saúde no Brasil está nas mãos da iniciativa privada que fica com boa parte dos recursos públicos através do mau uso dos mesmos. A Finlândia, Noruega e outros países Europeus possuem saúde pública para toda sociedade. Não existe portanto saúde privada, sendo uma das melhores do mundo.
As empresas privadas nacionais e multinacionais e a FIFA(empresa privada)que vendem produtos esportivos e a sociedade brasileira são os responsáveis pelo aplicação de dinheiro público e privado na copa do mundo.
A população pobre na sua maioria é que frequenta os estádios de futebol e não camadas médias e ricas. Acontece que as elites não querem mais a participação do segmento pobre nos estádios, pois seriam eles os responsáveis pela violência.
Portanto, os ricos do mundo todo juntamente com grandes grupos empresariais, meios de comunicação, como televisão e rádios e outros querem que os governos desenvolvam políticas de investimentos público e privado em novos estádios com a finalidade de atrair as camadas médias e ricas para assistirem jogos nessas novas construções.

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