10/04/2013 - Cineasta desabafa: é impossível fazer cinema em Mato Grosso hoje

Com um gosto amargo na boca e em tom de desabafo e lamento, o calejado cineasta mato-grossense Amaury Tangará dispara: é impossível fazer cinema hoje em Mato Grosso. A franqueza de Tangará, exposta durante entrevista para a reportagem do Olhar Conceito na bucólica Chapada dos Guimarães (terra que ele escolheu para morar, apesar de ser hoje uma espécie de caixeiro viajante do cinema), pode assustar, mas é reveladora da angústia de quem ainda sonha em fazer cinema de arte nestas plagas pantaneiras.

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E o que pode parecer uma placitute não é, pois Tangará fala com a experiência de quem já sofreu para produzir vários filmes em solo mato-grossense e corre o mundo para defender com garra a sétima arte.

E a angústia de Tangará é mais do que pertinente. Hoje completa exatos três anos que seu projeto para produção do filme "Cão de Louça" foi apresentado na Agência Nacional de Cinema (Ancine) e ainda aguarda patrocínio de R$ 2,85 milhões, que pode ser captado pelas leis de incentivo federal (Audiovisual), estadual (Hermes de Abreu) e municipais, para realizar o projeto. 

Cineasta, teatrólogo, roteirista e ator, Amaury Tangará é autor de inúmeros curtas, dentre os quais se pode destacar Pobre É Quem Não Tem Jipe, A Velha, os Meninos e o Gato Que Escaparam da Estranha Caixa Azul e Horizontem e dos longas Ao Sul de Setembro e A Oitava Cor do Arco Íris. Todas as produções foram feitas com a rara dedicação de quem ainda pensa o cinema como um agente transformador, como educativo, revolucionário.

Em tom onírico e ao mesmo tempo realista, Amaury Tangará avalia que "Cão de Louça" tem tudo para ser uma produção premiadíssima. Com argumento de Luis Carlos Ribeiro, narra a estória de quatro irmãs que optam pela reclusão após a vergonha pública da prisão do irmão, flagrado com a mão na massa ao desviar dinheiro público.

 

Da Editoria - Marcos Coutinho

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