10/04/2016 - Quase 300 índios de aldeias Xavante em município de MT têm tuberculose

Nas aldeias da etnia Xavante da região de Campinápolis, a 565 km de Cuiabá, onde vivem cerca de 10 mil índios, 180 casos de tuberculose foram registrados no ano passado e, nos primeiros três meses deste ano, já são 129 notificações da doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. O número é alarmante, segundo o coordenador do Distrito Sanitário de Saúde Especializado Xavante, Joel Góes.

Somando os dados dos últimos cinco anos, são 390 registros de tuberculose em índios adultos e crianças. O número disparou entre 2010 e início de 2016. Em 2010, foram apenas cinco casos da doença e, no ano seguinte, 34. Já em 2014, ano em que o país sediou a Copa do Mundo, 42 índigenas de mais de 40 aldeias Xavante foram diagnosticados com tuberculose. Não há confirmação de morte em consequência da doença.

 

 

Em busca de um mutirão para atender os pacientes, o coordenador do Distrito Sanitário foi a Brasília no mês passado e procurou os representantes do Programa Nacional de Controle da Tuberculose. Numa reunião, propôs a realização de uma ação mais intensa de combate à doença nas aldeias. A intenção, segundo ele, é que esse mutirão fosse realizado neste mês de abril, quando se comemora o Dia do Índio.

"O tratamento da turberculose é delicado porque é feito direto na aldeia. O indígena não toma os medicamentos da forma devida, nos horários certos, o que prejudica o tratamento", explicou Joel.

Ele afirmou que uma equipe do Ministério da Saúde deve fazer um levantamento dos casos nas próprias aldeias, coletar material para refazer os exames naqueles que já estão há algum tempo com a doença e capacitar os profissionais do município para lidar com a tuberculose.

Os dados regionais de tuberculose, inclusive entre índios, não são compilados pela Secretaria Estadual de Saúde. O órgão informou que as informações são levantadas com os próprios municípios. Desse modo, não há como inofmrar o número de casos já registrados no estado.

 

  Imagem de microscopia eletrônica  mostra a bactéria Mycobacterium tuberculosis, que provocam tuberculose  (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))

Imagem de microscopia eletrônica mostra a bactéria Mycobacterium tuberculosis, que provocam tuberculose (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID))
 

A doença

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch, que afeta prioritariamente os pulmões, mas pode afetar também outros órgãos, como ossos, rins e meninges. É transmissível pelo ar, por meio da tosse e espirro. A tuberculose não se transmite por objetos compartilhados.

Sintomas

Os principais sintomas são tosse persistente, por mais de três semanas, febre no final da tarde, cansaço fácil, dor no peito, emagrecimento e suores noturnos. Pode existir catarro esverdeado, amarelado ou com sangue. Alguns pacientes não exibem qualquer indício da doença, e outros apresentam sintomas aparentemente simples que são ignorados durante alguns anos (ou meses).

 


 

Prevenção

Para prevenir a doença, é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou, no máximo, até quatro anos, com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de Aids não devem receber a vacina. A prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito a partir da análise dos sintomas e da realização de exames clínicos e específicos, como a baciloscopia, a cultura do escarro e raios-X de tórax. A tuberculose é uma doença curável em praticamente 100% das novas ocorrências, desde que a pessoa receba e complete o tratamento adequado.

O tratamento da tuberculose dura, no mínimo, seis meses e deve ser completado mesmo que a pessoa apresente melhora dos sintomas.

 

 

 

 

Pollyana AraújoDo G1 MT

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