10/05/2011 - 08h:30 Delegado é preso por suposta fraude em morte de juiz

  A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira, dia 9,  mandados de prisões preventiva expedidos pela 7ª Vara Federal, contra o delegado de Polícia Civil Márcio Pieroni, então chefe da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), e do empresário Josino Pereira Guimarães, acusado de envolvimento no assassinato do juiz de Direito Leopoldino Marques do Amaral em 1999. Os dois foram levados para a sede da Superintendência da Polícia Federal, onde devem permanecer presos, aguardando encaminhamentos judiciais. Josino está próximo de ir a júri popular pelo assassinato do magistrado.

Além da prisão de Márcio Pieroni e Josino Pereira Guimarães, o Ministério Público Federal denunciou  Cloves Luiz Guimarães, irmão de Josino;  Gardel Tadeu Ferreira de Lima e o detento Abadia Paes Proença. Eles são acusados de crimes de formação de quadrilha armada, denunciação caluniosa, falsidade ideológica, fraude processual, interceptação telefônica para fins não autorizados em lei, quebra de sigilo funcional e violação de sepultura.
A acusação refere-se à montagem de um simulacro de investigação paralela comandada pelo delegado Pieroni para tentar levantar suspeitas das provas que subsidiam o processo judicial, em trâmite na Justiça Federal, no qual Josino Pereira Guimarães será julgado em breve por um Júri Popular pelo assassinato do Juiz Leopoldino.
Para iniciar a investigação paralela, Pieroni relatou perante o Juizado Especial Criminal da Comarca de Cuiabá a existência de um falso crime de ameaça. O objetivo era  plantar dúvida sobre a morte do juiz, afirmando que ele estaria vivo e morando na Bolívia. Nesta investigação montada pela Polícia Civil, depoimentos foram falsificados, realizaram-se interceptações telefônicas cujos diálogos foram orientados pelos réus, produziram-se laudos periciais por dentistas particulares para legitimar a fraude.
 

Um dos dentistas, nomeado por Pieroni para este fim, que realizou exame de arcada dentária recebeu de Josino R$ 2,5 mil pelo laudo, conforme confessado pelo próprio dentista, o qual entregou o comprovante de depósito ao Ministério Público Federal.
De posse desses depoimentos e laudos, Pieroni, em conluio com os demais réus, conseguiu na Justiça Estadual autorização para exumação dos restos mortais de Leopoldino com o objetivo de obter novo laudo odontolegista que colocasse em dúvida que o corpo enterrado não seria do juiz. A farsa dos réus não obteve êxito graças à rápida intervenção dos Ministérios Público Estadual e Federal que no mesmo dia da exumação obtiveram ordem judicial da Justiça Federal para que todo o trabalho fosse interrompido, iniciando investigações pela PF MPF que, ao final, comprovaram a fraude.
Nos depoimentos prestados perante a Polícia Federal, somente Abadia Proença, que está preso aguardando julgamento pelo crime de latrocínio contra uma idosa, continuou mantendo suas declarações prestadas para o delegado Pieroni. Todas as outras pessoas ouvidas na Polícia Civil confirmaram a fraude, atestando que não prestaram as declarações da forma como redigidas pelo delegado Pieroni, e afirmaram terem sido orientadas para ligarem para números de telefones interceptados e terem suas conversas direcionadas pelo delegado e o agente de polícia Gardel.
Ademais, o delegado Pieroni, após ouvir informalmente o diretor do IML de Mato Grosso, Jorge Caramuru, de que as provas apresentadas em nada interfeririam nos resultados periciais anteriores que comprovavam a morte do juiz, conforme relatado na Procuradoria da República, procurou dentistas de fora do quadro oficial de peritos para serem nomeados para emitirem laudos, sendo que um destes laudos foi pago por Josino Pereira Guimarães e seu irmão Cloves Guimarães.
Durante a investigação, identificou-se que mesmo antes da produção de qualquer prova na Polícia Civil, Pieroni já relatava para o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de que provavelmente ocorreria a exumação dos restos mortais do juiz Leopoldino.
 O Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Diretoria do IML do Estado de Mato Grosso não têm dúvida acerca da morte do juiz, uma vez que foram realizados dois exames de autópsia, dois exames odontolegais, dois exames de DNA, em 1999 e 2006, quando ocorreu a primeira exumação, por peritos da Unicamp, assim como que o exame de impressão digital foi positivo, sem se falar do reconhecimento pelos familiares.      
A prisão de Josino Pereira Guimarães foi decretada tanto nesta nova ação criminal quanto no processo de homicídio, sob o argumento de manter íntegra a instrução processual. Pieroni teve a prisão decretada por conveniência da instrução e para garantir a ordem pública, já que também foi indiciado por crime de tortura pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil em outro Inquérito Policial  para a obtenção de confissão.

 

Redação 24 Horas News

 

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