10/08/2015 - Após tragédia, pai supera perda e cria quadrigêmeos

10/08/2015 - Após tragédia, pai supera perda e cria quadrigêmeos

Após 13 anos tentando realizar o sonho de ser pai, a felicidade chegou multiplicada por quatro para o empresário Sandro Alex Mota, 45, que no dia 7 de fevereiro deste ano, viu a mulher, a auxiliar administrativa, Rosângela Garcia Mota, 38, dar à luz aos filhos quadrigêmeos: Benjamim, Samuel, Isaque e Ester.

Tudo seria perfeito, caso Rosângela não sofresse uma grave hemorragia e uma pré- eclâmpsia durante a cesariana e 12 horas depois fosse a óbito. Apesar da dor, Sandro se mostrou um superpai e com a ajuda da família tem criado os filhos com dedicação e muito amor.

O relacionamento de Sandro e Rosângela teve início há 23 anos e após 10 anos juntos eles decidiram oficializar a união. Junto com o casamento veio o desejo de ser tornarem pais. A auxiliar administrativa chegou a engravidar duas vezes, mas os bebês estavam sendo gerados nas trompas, o que resultou no aborto espontâneo.

Diante das tentativas frustradas, o casal optou pela fertilização artificial. A primeira foi realizada em 2007, quando foram inseminados quatro óvulos, porém, o método não teve êxito. Em 2014, o casal realizou uma nova tentativa, dessa vez, três óvulos foram fecundados e para surpresa dos pais, o sucesso foi total. Desde então, Rosângela deu início a todos os cuidados necessários que uma gravidez requer, mas de forma triplicada.

A surpresa maior do casal ocorreu durante a quarta ultrassom, quando médico os avisou que na verdade eles seriam pais de quatro crianças. “Um dos óvulos multiplicou, o que significa que dois dos nossos filhos foram gerados na mesma placenta, eram univitelinos e por isso seriam gêmeos idênticos”, conta Sandro. Ele relata que no primeiro momento, ele e a esposa ficaram espantados, choraram juntos, mas que todas as reações sempre foram de felicidade. “Nós esperamos muito por aquele momento e estávamos quatro vezes felizes. Só Deus sabe o que já tínhamos passado até chegar ali”.

Com 31 semanas de gestação, Rosângela apresentou os sinais que de que os bebês queriam vir ao mundo. E o casal se dirigiu para um hospital maternidade da Capital. A equipe médica foi avisada, e todos se prepararam para realizar a cesariana dos quadrigêmeos. “Meu primogênito é o Benjamim, em seguida vieram Samuel e Isaque e por último minha caçula, Ester.

A Rosângela só viu as crianças quando nasceram”, conta Sandro. Isso porquê, logo após o parto a auxiliar administrativa apresentou um quadro de pré-eclâmpsia e hemorragia e retornou ao centro cirúrgico para a retirada do útero. “Após a cirurgia ela foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os rins pararam e ela teve uma parada cardíaca e não resistiu”.

Sandro diz que no momento foi um forte baque, mas que ele sabia que dali em diante os filhos dependeriam totalmente dele. “Ele tirei força da dor e comecei a cuidar deles desde o momento em que nasceram. Como eles tinham um peso na média de 900 gramas, tiveram que ficar na UTI para ganho de peso e, desde então, eu comecei a preparar o leite deles e acompanhar toda a rotina dos meus filhos, não desgrudei deles um momento sequer”.

O primeiro a sair do hospital foi o Benjamim, com 15 dias de nascido e por último foi o Samuel, que teve que ficar 34 dias. “No início da semana, eu tive uma conversa séria com ele. Falei que todos os irmãos dele já estavam em casa e se ele não engordasse logo ia ficar mais tempo no hospital, longe dos irmãos. E parece que ele entendeu o recado, pois no final da semana já tinha atingido o peso ideal”, conta aos risos o empresário.

Questionado sobre a perda da mulher, Sandro diz que apesar de ser um episódio triste de sua vida, já foi superado. “Tenho certeza que minha mulher está em um lugar melhor do que todos nós. E meus filhos não me dão tempo para sofrer, afinal além do carinho, amor e cuidado, eu tenho que dar banho, mama e trocar as fraudas de quatro crianças”.

E falando em cuidado, o pai de primeira viagem conta que para atender os quatro bebês foram criados métodos de organização. Duas babás foram contratadas, uma trabalha no período da manhã e outra durante a noite.

Além disso, a irmã Patrícia Mota Rauch e a mãe Joedir Mota se revezam para ajudar Sandro. “São mulheres fundamentais na minha vida e na dos meus filhos. Mas eu não deixo a desejar, sei fazer de tudo, como ou melhor do que elas”.

As crianças já têm uma rotina pré- estabelecida. Segundo o pai, elas acordam praticamente juntas, tomam banho, trocam as roupas e em seguida é a hora da primeira mamada do dia. “Criamos uma tabela de mamadas, com o nome de cada um, com os horários em que eles mamam e quantos mililitros cada um ingere. Temos também uma tabela de medicamentos e uma agenda onde são anotadas as datas das consultas com a pediatra”. Ele acrescenta que a rotina só muda caso algum dos filhos apresente um comportamento diferente, como uma febre ou gripe inesperada.

No início, não foi fácil para Sandro se adequar ao papel de pai e mãe ao mesmo tempo. “Pedi para meu pai assumir minha empresa e desde então me dedico 24 horas por dia aos meus filhos. Nos primeiros dias de vida, eles tiveram muitas cólicas e choravam ao mesmo tempo. Fiquei sem reação, mas minha irmã e mãe ajudaram a lidar com a situação”.

Uma onda de comoção foi gerada em torno da história da família de Sandro e a população realizou doações, enquanto as crianças ainda estavam no hospital. “Até hoje eu não comprei uma lata de leite e uma frauda, tudo nós ganhamos. Estou até doando as de tamanho de recém-nascidos, porque eles cresceram e ainda têm várias”.

Irmã de Sandro, a professora Patrícia Mota Rauch, 40, tem três filhos e tem se dividido entre a família e os quatro sobrinhos. Ela elogia a maneira com que o irmão encarou a responsabilidade de ser pai. “Assim, como ele sempre foi um filho, irmão e marido exemplar, ele também é pai. É incrível a dedicação e amor que ele demonstra pelos filhos. Tenho certeza que meus sobrinhos sentirão orgulho do pai que têm”.

 

 

Elayne Mendes 
A Gazeta

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