11/08/2017 - Sem receber, servidores de Leverger 'invadem' Prefeitura e protestam

A prefeitura de Santo Antônio do Leverger (34 Km ao sul de Cuiabá) foi palco de uma manifestação de servidores públicos que reclamam de atrasos nos pagamentos, cobram equiparação salarial igual aos profissionais da Educação e ameaçam deflagrar greve na próxima semana caso não sejam recebidos pelo prefeito Valdir Pereira de Castro Filho, o Valdirzinho (PSD). O ato foi realizado na manhã desta quinta-feira (10), e, de acordo com a organização do protesto, cerca de 150 pessoas participaram da mobilização.

Guilherme Rodrigues da Silva é presidente do Sindicato do Servidores Públicos Municipais de Santo Antônio do Leverger (Sispumsal) e explica que os servidores contratados estão sem receber os 2 últimos salários, de junho e julho. Já os efetivos reivindicam o pagamento de julho que deveria estar nas contas dos trabalhadores nesta quinta-feira (10). “Pela lei, hoje é ultimo dia para a Prefeitura nos pagar. Amanhã já conta como atraso”, enfatiza.

Afirma que os repasses ao sindicato também estão atrasados há 3 meses. “Desconta dos servidores e não repassa ao sindicato. O valor varia em torno de R$ 33 mil por mês. Hoje a prefeitura nos deve mais de R$ 80 mil, dos meses de maio, junho e julho que estão atrasados. Só repassaram uma pequena parcela de junho”. 

Conforme o sindicalista, o município de Leverger conta com 759 servidores, dos quais 413 são efetivos, 273 são contratados e outros 73 ocupam cargos comissionados, ou seja, indicação política do prefeito, vereadores, aliados e apoiadores. A folha salarial de Leverger consome mensalmente de R$ 1,6 milhão. No protesto participaram apenas servidores efetivos como professores e agentes comunitários de saúde.

Reivindicações

Na pauta, os servidores exigem do prefeito que cumpra a lei municipal 432/90 (Estatuto dos Servidores Públicos de Leverger) que determina em seu artigo 68 que o pagamento do funcionalismo seja feito até no máximo o 10º do mês subsequente ao trabalhado. Também cobram a equiparação salarial para servidores de todas as Pastas do Município, exigem a valorização profissional por meio do Plano de Cargos, Carreira e Salário (PCCS) e por fim exigem a regularização dos repasses ao sindicato.

 

“Queremos a equiparação salarial de todas as categorias, porque os profissionais da educação ganham mais, todos eles ganham mais que servidores de outras secretarias. Por exemplo, os motoristas da Educação ganham mais que os motoristas de outras pastas”, denuncia o presidente do sindicato.

Ele argumenta que enquanto a média salarial dos funcionários da Educação está na casa de R$ 2,4 mil, os demais servidores de outras pastas com o mesmo nível de escolaridade têm um salário médio de R$ 1,4 mil. “Nosso estatuto não permite que um ganhe mais que o outro, é preciso ter isonomia, por isso exigimos equiparação salarial para todas as categorias”, esclarece.

Sem diálogo

No dia 28 de julho, o Sispumsal fez assembleia-geral e deu prazo de 5 dias para o prefeito Valdirzinho explicar os motivos dos atrasos salariais. No entanto, o gestor pediu prazo de 5 dias, depois solicitou outra prorrogação e por fim, segundo o sindicalista, já se passou um mês e os questionamentos não foram respondidos e nem os atrasos salarais regularizados.

“Estamos aguardando há mais de 30 dias e por isso fizemos esse ato de mobilização para chamar atenção da Câmara de Vereadores e da população. O prefeito não compareceu e deu a desculpa que estava em Brasília e chegou cansado. Reagendamos a reunião para a próxima terça-feira às 8h. Ele se comprometeu a participar. Se nada for resolvido vamos fazer assembleia pra decidir se entraremos em greve”, antecipa Rodrigues.

Versão do prefeito

Ao Gazeta Digital o prefeito Valdirzinho afirmou que quitou nesta quinta-feira a folha de contratados que estava atrasada há 1 mês. “Hoje está vencendo o mês de julho já iniciamos o pagamento dos efetivos e pagamos de 30% a 40% da folha. Acredito que até o dia 20 vamos pagar o residual totalizando toda a folha. Sobre os repasses ao sindicato o prefeito atesta que já pagou uma parcela e o restante será paga até o final do mês. Ele acredita que restam cerca de R$ 30 mil a ser repassado ao sindicato”, disse o gestor.

Afirmou também que toda semana ele conversa com o presidente do sindicato dos servidores. “Todos os dias ele está na prefeitura e eu o recebo, converso atendo. Meu secretário de finanças atende, o secretário de Recursos Humanos atende. Ele não dificuldade nenhuma em conversar comigo ou com alguém da administração. Se ele diz que tem dificuldades, infelizmente está mentindo. Semana passada eu atendi ele juntamente com uma comissão de servidores para revisar o PCCS vendo a possibilidade de melhorar o Plano de Cargos, Carreiras e Salários, mas estamos encaminhando e analisando as propostas”.

O prefeito ressalta que em fevereiro deste ano já concedeu a Revisão Geral Anual (RGA) para os servidores efetivos municipais e também da educação. “Demos a RGA integral, pagamos em uma única parcela, nem dividimos. Pagamos em fevereiro, o RGA integral”.

Crise financeira

Valdizinho reconhece que ainda existe uma folha salarial em atraso espera conseguir honrar com os pagamentos até o dia 20 deste mês. “Hoje dia 10 estamos completando apenas uma folha em atraso, parcial dos nossos funcionários, parcial porque o restante todos já estão sendo pagos e acredito que até o dia 20 conseguiremos quitar tudo. O sindicato também iremos quitar”.

Ele atribui as dificuldades à crise financeira enfrentado por dezenas de municípios mato-grossenses. “Santo Antônio assim como os demais municípios também passa por uma crise financeira muito grande, a queda de arrecadação foi exorbitante, estamos arrecadando menos do que tínhamos previsto. Estamos fazendo um ajuste financeiro. Cheguei de Brasília ontem tentando captar recursos federais e estaduais através de emendas de deputados, mas a dificuldade também está em Santo Antônio. Acredito que depois que conseguirmos captar esses recursos acredito que vamos ter uma melhoria satisfatória e colocar em dia”, relata.

Por fim, o prefeito garante que não falta diálogo com o funcionalismo e que “A porta da prefeitura está aberta quem quiser ir conversar comigo estou lá praticamente todos os dias. Estive ausente essa semana porque estava em Brasília, mas toda semana estou conversando com o presidente do sindicato dando satisfação, fazendo nossa parte”.

 

Welington Sabino, editor do GD

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