10/11/2014 - Avô e neto morrem abraçados em queda de ultraleve em Teresina

Duas pessoas morreram após a queda de um ultraleve em Teresina. De acordo com a Polícia Militar, as vítimas são avô e neto e os corpos foram localizados na manhã deste domingo (9), a cerca de 300 metros da pista do Aeroporto Nossa Senhora de Fátima onde funciona o Clube de Ultraleve do Piauí. As vítimas foram identificadas como Carlos Alves Brandão, de aproximadamente 60 anos e Lucas, de 5 anos.

Ainda segundo a Polícia Militar, a aeronave decolou por volta das 17h20 do sábado (8) e deveria ter pousado antes do anoitecer. Um piloto que estava no clube estranhou o atraso e resolveu sobrevoar a região, procurando o ultraleve, sem sucesso. Novas buscas foram retomadas neste domingo e a aeronave foi encontrada às 6h em uma área de mata e difícil acesso. Conforme o tenente Adolfo Veloso, do Grupo Tático Aéreo Policial, o resgate foi acionado na tentantiva de encontrar sobreviventes. “Quando fomos informados acionamos o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência porque acreditamos na possibilidade de haver sobreviventes. Localizamos o ultraleve, mas os ocupantes estavam mortos”, informou.

Egito Fagundes, piloto do Grupo Tático Aéreo Policial, participou das buscas e disse que as vítimas estavam com cinto de segurança e acredita que ao perceber que não conseguiria pousar o avô abraçou o neto para protegê-lo.

“Pelo local onde a aeronave, caiu acreditamos que ele tenha percebido o problema e tentou voltar para o clube para tentar o pouso, mas não conseguiu. Eles estavam abraçados e ele pode ter feito isso na tentativa de proteger o neto”, contou Fagundes.

De acordo com o piloto do Clube de Ultraleve do Piauí, que sobreevou a região para as buscas, o avô chegou a fazer contato com ele para saber se o rádio estava funcionando. “Falei com ele e disse que o rádio estava funcionando. Temos a orientação de não voar à noite e antes do pôr do sol a gente tem que pousar. Como ele é bastante rigoroso com as normas estranhei que não tivesse pousado e já imaginei que poderia ter acontecido alguma coisa. Ainda peguei o avião e sobrevoei para tentar localizar, mas não encontrei”, disse o piloto, que não quis se identificar.

Segundo informações de testemunhas, o avião não explodiu, mas com o impacto da queda ficou partido ao meio. Eles também relataram que viram o avô e neto ainda abraçados. Também foram enviadas para o local do acidente equipes do Corpo de Bombeiros.

Ainda de acordo com o tenente Adolfo Veloso, o ultraleve teria caído de ponta e não houve explosão. O Instituto de Criminalística também esteve no local para apurar as circunstâncias do acidente. A Infraero informou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) será o responsável pela investigação do caso.

Atualização às 21h12

Os corpos foram enterrados

Os corpos foram enterrados na noite deste domingo (9) no cemitério Jardim da Ressurreição, Zona Sudeste da capital piauiense. No velório, realizado no Clube Ultraleve Piauí, a filha do piloto, Hellen Alves Brandão, falou sobre o amor do pai pela profissão e família. Avô e neto foram encontrados abraçados nos destroços da aeronave.

“Todo mundo é testemunha do amor que ele tinha pela gente. E eu vou estar muito satisfeita no dia em que eu conseguir dar para o meu filho pelo menos a metade do que o meu pai dedicou pela gente. Hoje, peço a Deus que nos ensine a conviver com essa ausência dessas duas pessoas tão importantes nas nossas vidas”, discursou Hellen.

O presidente do Clube Ultraleve Piauí, Jacinto Lay, lamentou a perda e disse que Carlos Brandão era um grande pai, amigo, avô e empresário. O espaço leva o nome do piloto morto na tragédia. “A aviação para ele era como um esporte e ele era muito feliz no que fazia. O sentimento é de grande perda. Foi ele quem ajudou a fundar tudo isso”, lamentou.

Segundo Fernando Cronemberger, amigo do piloto e sócio do clube, a maior parte dos profissionais formados no Piauí teve Brandão como professor, conhecido como pioneiro da profissão no estado. "Era um cara feliz e uma figura absolutamente espetacular e especial. Ele não foi pioneiro só aqui no Piauí, mas em todo o Brasil. Tinha o prazer de dizer que em 26 anos de clube, nenhum acidente com fatalidade tinha acontecido. Infelizmente, o destino quis que fosse com ele", completou.

 

 

 

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