11/03/2011 -21h:59 Cheias provocam tristeza e sofrimento de centenas no Nortão de MT

 

O morador Renato dos Santos, 37 anos, trabalha como barqueiro na travessia de motos, pelo Rio Aripuanã. Ele conta que famílias inteiras estão sem nada, depois das cheias que atingiram a região e isolou o distrito de Guariba, depois que a ponta de 276 metros - a maior da América Latina - fora arrastada pelas ágas.  “Basta subir um pouco rio acima para o senhor vê como que está a situação. É muito triste. Famílias perderam tudo”, afirma.

Foi um pavor. Segundo Renato, quando da construção da ponte da MT 206, o mestre de obras assegurou que a mesma suportava qualquer cheia, desde que a água não ‘passasse’ por cima. “A água passou mais de um metro acima da ponte”, assevera. E aponta mostrando até onde o nível do rio chegou. “Agora já baixou bastante” - diz.

O caseiro José Lima de Souza, 58 anos, conhecido 'Zé Veinho', que cuida da Ilha do Cidão, e agora está transportando pessoas entre Guariba e a sede do município, faz questão de mostrar ‘in loco’ o estrago provocado pelas águas e leva a equipe de reportagem até o local. “Ali fica a churrasqueira, a antena parabólica... Eu só tirei o supérfluo, algumas roupas e panelas, o resto está tudo aí”, e mostra o fogão, a geladeira e outros móveis como mesa e cadeiras debaixo da água.

O que conseguiu salvar também foram alguns colchões colocados na parte de cima, junto ao teto, e aonde estão os gatos 'Nico e Lau'. Os dois gatinhos ao ouvir a voz do dono ameaçaram descer, mas ficaram apenas na ameaça. 'Zé Veinho' depois faz questão de mostrar, em terra firme, onde cultiva plantação de mandioca, abóbora e outras verduras.

“Acabou tudo, olha aí”, aponta, para em seguida dizer “eu espero reconstruir tudo, com ajuda de Deus”, enfatiza.

O morador João Elói de França, que completa 70 anos este ano, diz que chegou a ver a enchente de 1949, mas acha que esta foi a maior enchete da história. “Aqui para baixo o estrago foi muito grande”, afirma. Outros moradores confirmam que nesses anos todos nunca tinham visto uma enchente desse tamanho. João Elói faz questão de ressaltar que além de volumosa a enchete foi muito rápida. "O rio subiu em questão de horas. Nem precisou de um dia inteiro", afirma.

A prefeita de Colniza, Nelci Capitani, afirma que as chuvas deste ano “alagou rios, danificou pontes e deixou comunidades inteiras isoladas”. Por causa dos danos provocados em diversas pontes e bueiros 8 comunidades estão sem aula. Essas comunidades recebem os alunos da zona rural e como não tem transporte escolar as aulas estão suspensas.

“Entendemos a angústia das pessoas, que estão isoladas, sem comunicação, mas o socorro está chegando”. Segundo ela, a comunidade de Guariba recebeu medicamentos nesta quinta-feira (10.03) e nesta sexta-feira (11) o Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Defesa Civil, vai disponibilizar o helicóptero para levar remédios e mantimentos até a comunidade de Três Fronteiras. As demais comunidades, segundo a prefeita, serão atendidas por barcos e motos.

O governador Silval Barbosa já determinou à Casa Militar que mobilize as secretarias de Segurança Pública (Sesp), de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), das Cidades (Secid), de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs), em caráter de urgência para atender a população das localidades. Para facilitar os trabalhos de abastecimento na região será montada uma base aérea em Juína, onde estará uma aeronave para transporte de alimentos, combustíveis e outros materiais para a população.


Fonte:Agência da Notícia com João Bosquo