11/03/2011 - 23h:15 Após conceder registro a advogado condenado por decapitar amante, OAB analisa idoneidade do membro

Mesmo com duas condenações por homicídio, o advogado Paulo Roberto Gomes do Santos obteve o registro da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional de Mato Grosso. Porém, somente no ano passado a entidade instaurou um incidente de idoneidade contra o acusado que tramita no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT.

De acordo com o presidente interino da OAB-MT, Maurcício Alde, o processo corre em segredo de justiça e foi aberto no início do ano passado, assim que a entidade descobriu sobre as condenações foi instaurado o incidente de idoneidade contra Paulo Roberto, que bateu o carro no paredão do Portão do Inferno, na rodovia Emanuel Pinheiro, na noite de sexta-feira (4). Ele ficou ferido, mas já foi liberado.

Segundo Alde, o que aconteceu é que quando Paulo Roberto solicitou o registro na Ordem, após ter sido aprovado no exame da OAB-MT, ele apresentou as certidões criminais do domicílio atual, ou seja, Cuiabá. Portanto, não constava os crimes cometidos pelo bacharel.

“A Ordem solicitou as certidões deste advogado (Paulo Roberto), porém não foi constatado na época os crimes cometidos por ele, pois seu domicílio era de Cuiabá, mas assim que assumimos e fomos informado sobre o caso instauramos o incidente de idoneidade contra ele”, afirmou em entrevista ao Olhar Direto.

O presidente ainda afirmou que a OAB é uma das entidades que mais pune seus pares, mas alerta que também é preciso levar em consideração o critério da “inocência presumida”, ou seja, mesmo que um bacharel responda algum processo não é possível privá-lo do registro até que sejam confirmados os fatos.

Fato curioso é que pelo que se sabe, Paulo sequer tinha iniciado a faculdade na época do crime, em 2004, portanto deve ter feito o curso dentro da cadeia, já que chegou a cumprir pena em regime fechado.

Os casos

Paulo Roberto já foi condenado em 2006 por matar a amante decapitada e por assassinar um delegado no Rio de Janeiro. Além disso, o advogado usava uma identidade falsa e era conhecido como Francisco Vaccani, na época em que manteve relacionamento com a estudante de fisioterapia, Rosimeira Maria Silva, assassinada em 2004.

Vaccani, como era conhecido em 2004, era empresário do ramo de auto-peças em Lucas do Rio Verde e casado, mas ‘namorava’ Rosimeire em Cuiabá. Desconfiado de estaria sendo traído, ele contratou um detetive particular para investigar a amante. Sob a suspeita de traição, viajou com a jovem de 19 anos para Juscimeira.

Em um motel na cidade, executou Rosimeire asfixiada na banheira do quarto. Em seguida cortou-lhe as falanges e sua cabeça para dificultar a identificação. O corpo da garota foi jogado no Rio São Lourenço e a cabeça no Rio das Mortes, mas nunca foi encontrada.

Em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Paulo Roberto pulou da janela do antigo prédio, altura do 4º andar, na tentativa de fugir, mas acabou sofrendo fraturas e teve de passar um tempo no Pronto-Socorro de Cuiabá. Durante a investigação constatou-se que ele usava identidade falsa e já era procurado da polícia por ter matado um delegado com um tiro na nuca à queima roupa em 1998, no Rio de Janeiro.

Durante uma discussão na viatura da polícia, Paulo, que era policial civil, estava no banco de trás e atirou na nuca do delegado Eduardo da Rocha Coelho. Ele foi preso em flagrante pelo colega de serviço e encaminhado à Polinter da cidade de Araruama, mas fugiu, vindo para Mato Grosso com o nome falso de Francisco de Ângelis Vaccani Lima.

 

Da Redação - Alline Marques