11/03/2015 - "Tem gente mais perigosa para me assustar", diz Paulo Prado

O procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, afirmou que não teme que as críticas do ex-secretário de Estado Eder Moraes sobre a suposta ilegalidade das cartas de crédito recebidas por membros do Ministério Público Estadual (MPE) possam gerar conflitos internos na instituição.

“Eu não temo nada nessa vida. Sou uma pessoa que enfrenta organizações criminosas, que enfrenta traficantes, que pede prisão de quem quer que seja. Você acha que eu vou me assustar com EderMoraes? Tem gente mais perigosa para me assustar do que um Eder Moraes da vida. Que ele fale o que quiser, que ele declare o que quiser, o Ministério Público está pronto para o que der e vier”, disse Paulo Prado, em entrevista coletiva concedida antes de sua posse, na última sexta-feira (06).


Eder Moraes havia dito que a ação proposta pelo MPE contra ele, por participação em suposto esquema de fraudes de certidões de crédito no âmbito da Secretaria de Fazenda, serviria para “tirar o foco” dos promotores e procuradores, que teriam recebido cartas de crédito de forma irregular.

Ele ainda defendeu que a Assembleia Legislativa instaurasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar se os cerca de R$ 10,3 milhões pagos nas certidões de crédito aos membros do MPE são legais ou não.

No entanto, Paulo Prado reafirmou a legalidade das cartas de crédito e disse confiar que não será detectada nenhuma ilegalidade, pois, segundo ele, os valores referem-se ao pagamento de férias acumuladas e outros direitos trabalhistas dos promotores e procuradores de Justiça.

“Foi apurado uma vez, vai ser apurado pela segunda vez, se quiserem apurar 10 vezes, estou 10 vezes à disposição para qualquer apuração. Não tem o que ser contestado. É uma carta que tem origem, todos são concursados, todos são servidores públicos, o dinheiro era aquele que deveria ser pago. A instituição está tranquila”, disse.

Cartas de crédito

A polêmica veio à tona em maio do ano passado, durante a 5ª fase da Operação Ararath, ocasião em que Eder Moraes foi preso.

Na busca e apreensão realizada na casa do ex-secretário, a Polícia Federal encontrou diversos documentos e planilhas, que continham detalhes do pagamento das cartas de crédito a 47 promotores e procuradores de Justiça.

As planilhas chegaram a ser citadas pelo Ministério Público Federal (MPF), na denúncia posteriormente aceita pela Justiça Federal. 

Em um dos trechos, o MPF observa que “a referida planilha foi encontrada no mesmo local e circunstância da apreensão dos documentos que sugerem pagamento de propina a autoridades do Poder Executivo e Legislativo do Estado de Mato Grosso (notas promissórias, cheques, lista contábil de pagamento, operações bancárias e anotações de depósitos)”.

A legalidade das cartas de crédito está sendo apurada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

 

 

Lucas Rodrigues 
Do Midiajur

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