11/04/2013 - Hyundai vende veículo de R$ 153 mil que não funciona; proprietária reclama e fica sem carro

A solução para um problema de locomoção de um casal residente em Cuiabá com negócios em Sorriso, acabou se tornando o principal problema enfrentado pela família de Sandra M. da Silva, questão esta que se encontra sem resolução há exatos um ano, quatro meses e dezoito dias. Em outubro de 2011, o casal da Silva comprou um veículo Hyundai Vera Cruz ao custo de R$ 153 mil. Era o primeiro carro zero que a família comprava. Ao retirar o veículo da concessionária, o primeiro problema surgiu com menos de 10 quilômetros rodadas. Uma pane no sistema elétrico inutilizou o veículo antes mesmo que eles conseguissem chegar em casa. A novela se estendeu por cinco meses.

Depois de quase 15 idas e vindas e ligações para a concessionária, milhares de desculpas e algumas situações constrangedoras, a dona do veículo resolver desistir do bem de mais de R$ 150 mil, que de fato nunca funcionou. 

“Quando eles finalmente ‘resolveram’ o problema, o carro que eu tinha comprado só poderia rodar sem nenhum dos aparelhos eletrônicos; eu teria que andar com um carro desconfigurado, sem trava elétrica, sem acionamento elétrico dos vidros, sem nada daquilo que tinha chamado minha atenção a primeira vista”, desabafa Sandra.

Um laudo técnico emitido por um profissional da Hyundai Caoa Ltda., identificado em documento como Eduardo Oliveira, técnico máster e Chefe de Oficina da Hyundai Alpahville de São Paulo, chegou a conclusão que os quatro módulos de acessórios instalados no veículo consumiriam em modo stand by (descanso) um total que ultrapassaria o valor de consumo suportado pela bateria do carro, como decretado pelo fabricante.

O problema se estendia a segurança e a integridade física dos proprietários do veículo, tendo em vista que a pane elétrica, sempre identificada inicialmente pela empresa Hyundai Caoa do Brasil Ltda. como um problema de ‘conexão de bateria’, deixava o carro aberto onde quer que ele parasse. Como quase todo o carro é automatizado, inclusive o câmbio, o carro ficava inutilizado quando a bateria arriava. “As portas ficavam aberta, não tinha como trancá-lo”, explica a proprietária.

“Quando eu perguntei a um mecânico da empresa se era seguro eu trafegar por uma rodovia, a 80 quilômetros por hora, com um carro que de repente pudesse ter o câmbio travado por uma pane elétrica, ele me respondeu que não garantiria minha sobrevivência”, conta o marido da proprietária do veículo.

Quando tomaram a decisão de não continuar andando com o carro que ‘teimava’ em apresentar o problema intermitente e tentaram resolver a questão diretamente com a gerente de vendas que os atendera, a resposta dada por ela foi que deveriam procurar a assessoria jurídica da Hyundai em São Paulo (SP). “Eu a interpelei e disse que tinha comprado o carro em Cuiabá, portanto meu problema deveria ser resolvido aqui, mas ela repetiu que não poderia fazer nada por mim”, diz, um tanto desacreditada, dona Sandra.

Sem saída, procuraram a Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon) para tentar fazer um acordo com a empresa. Na primeira audiência, a Hyundai Caoa não mandou nenhum representante. Na segunda audiência, a empresa mandou como sua representante um mecânico sem poder de decisão alguma. “É um desrespeito atrás de outro, eles nos tratam com total descaso”, aflige-se Sandra.

Proposta

Após muita negociação, o fabricante do veículo ofereceu acordo aos proprietários. “Eles pagariam o valor do veículo, mais os honorários e correção em cima do tempo que estamos sem carro, contudo não quiseram pagar os R$ 4 mil de IPVA e mais R$ 4 mil do seguro que pagamos em 2012; contudo agora queremos receber pelos danos morais que nos foi causado, pois o nome da minha esposa foi negativado pela Secretaria de Fazenda (Sefaz) por falta de pagamento do IPVA de um carro que não temos há mais de um ano”, observa o marido da reclamante.
O caso corre na Justiça Comum.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a assessoria do fabricante em São Paulo não foi encontrada.

 

Da Redação - Rodrigo Maciel Meloni

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