11/08/2015 - ONU visita MT para avaliar situação da doença

Mato Grosso registra o maior coeficiente de prevalência para a hanseníase do Brasil, único país no mundo que ainda não está na fase de erradicação da doença. O índice contabiliza a quantidade de novos casos da doença por cada 100 mil habitantes.

Devido a essa situação, o embaixador da ONU para eliminação da hanseníase, o japonês Yohei Sasakawa, está no país, com o objetivo de discutir esta situação e recomendar medidas emergenciais. Ele visita Cuiabá nesta terça-feira, (11), para se reunir com o deputado estadual Leonardo Albuquerque (PDT), a reitoria da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e representantes da Organização Pan Americana de Saúde (Opas) e do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), gratuitamente. Como a transmissão da doença é interrompida 48 horas após o início do tratamento, o Brasil teria todas as condições para eliminar a hanseníase. No entanto, o país concentra o maior número de casos da doença em todo o mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o único país que não está em processo de eliminação da hanseníase – uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Para a OMS, “estar em eliminação” significa registrar até 10 casos da doença por cada 100 mil habitantes.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, em 2014, 31.064 casos novos de hanseníase foram identificados em todo o país, o que corresponde a um coeficiente de prevalência de 15,32 novos casos da doença por cada 100 mil habitantes.

Em Mato Grosso, 2.645 novos casos de hanseníase foram identificados em 2014, o que corresponde a um coeficiente de prevalência de 82,03 novos casos por cada 100 mil habitantes, o maior do Brasil.

A reunião com o embaixador da ONU para eliminação da hanseníase é promovida pelo Morhan, entidade brasileira sem fins lucrativos que é referência internacional na área. O coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, lembra que os desafios vão além da dimensão epidemiológica da hanseníase.

“É preciso vontade política e ações concretas para que possamos garantir os direitos humanos das pessoas atingidas pela hanseníase e reparar dos danos causados pelo maior episódio de alienação parental da História do Brasil, que levou à separação de milhares de famílias ao longo de todo século 20”, aponta Artur, se referindo à política de isolamento compulsório de pacientes com hanseníase, vigente no país até a década de 1980.

“Seguindo a experiência japonesa, o Brasil foi o segundo país do mundo a indenizar as pessoas que foram segregadas nas antigas colônias. E, agora, pode ser o primeiro a indenizar os seus filhos, entregues compulsoriamente à adoção ao nascer. Esperamos que o governo brasileiro cumpra o compromisso de eliminar a hanseníase e reparar os danos causados por esta criminosa política de segregação social e alienação parental”, declara o embaixador da ONU para eliminação da hanseníase, o japonês Yohei Sasakawa.

A expectativa é que o apoio da ONU fortaleça a luta do Morhan junto ao governo federal. “Aguardamos uma decisão histórica sobre esta indenização, que é respaldada pelo Conselho Nacional de Saúde e pela Comissão de Direitos Humanos da ONU. A promessa é que, em seis anos, todas as pessoas que foram separadas de suas famílias até 1986 recebam as medidas reparatórias. Agora, precisamos cobrar que as promessas sejam cumpridas”, informa Artur.

 

Flor Costa, especial para o GD

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