11/09/2014 - Programa estimula investimento em melhoramento genético da pecuária na região Araguaia/Xingu

Com um rebanho de 28,4 milhões de cabeças de gado, sendo cerca de 11 milhões de vacas em produção, Mato Grosso pode agregar 10% no peso de carcaça - hoje com uma média de 194 kg/cabeça - com investimento em melhoramento genético, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). O estado é o quinto do país a participar do programa Pró-genética, que tem como objetivo levar informações sobre como os pecuaristas de médio e pequeno porte de corte e de leite podem melhorar a produtividade de seu rebanho por meio da aquisição de touros puros de origem (P.O.) de raças zebuínas.

O início das ações foi marcado pela assinatura do termo de cooperação entre a ABCZ e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) na tarde desta terça-feira (9). O programa, que começou em 2006 em Minas Gerais, já é desenvolvido também nos estados do Espírito Santo, Bahia e Sergipe. Em Goiás e Distrito Federal, está em processo de implantação.

Entre os benefícios do investimento em reprodutores P.O. estão a desmama de bezerros mais pesados, a maior precocidade dos animais, ganho em carcaça e em produção de leite, o que pode trazer melhoria da renda dos pecuaristas e estimular sua fixação no campo.

Os dados da ABCZ mostram que 80% do gado reprodutor brasileiro são formados por “cabeceira de boiada” - gado comum, onde o produtor escolhe o melhor animal de seu rebanho para se tornar o reprodutor. “O touro, do ponto de vista do melhoramento genético, é responsável por 75% das melhorias em um rebanho. É muito importante que o momento da reprodução seja melhor planejado pelos produtores, pois essa mudança pode trazer precocidade sexual e em acabamento dos animais”, afirma Luiz Antônio Josahkian, superintendente técnico da ABCZ.

A ação de levar informações sobre como os pequenos e médios pecuaristas podem inserir melhoramento genético e aumentar a produção será feita por meio de feiras e palestras, que têm o papel de desmistificar o conceito de que o acesso à genética é elitizado, de acordo com o presidente da ABCZ, Luiz Cláudio Paranhos. Serão informadas aos produtores as linhas de financiamento a que podem ter acesso para compra dos reprodutores. “A maioria das pessoas pensa que os touros são inacessíveis. Esse programa vem explicar porque se deve usar um animal melhorador e mostrar o que pode agregar de valor à produção”, argumenta.

Para o pecuarista de Cotriguaçu, (região Noroeste), e vice-presidente da Famato da Região I, Arnaldo de Campos, o melhoramento genético é importante para o aumento da produtividade, já que o momento por que passa a pecuária é de inversão do ciclo, onde a menor oferta de bezerros gera sua valorização e a retenção de matrizes e a atividade passa a se concentrar em áreas menores. “Tivemos, durante muitos anos, o crescimento horizontal da pecuária, ocupávamos novas áreas. Agora vamos passar por um crescimento vertical, onde vamos ter que produzir cada vez mais em áreas cada vez menores”, ressalta.

Custos

De acordo com o superintendenteda ABCZ, em uma propriedade que adquire um touro P.O. e tem 30 matrizes com 80% de desmama, o produtor pode ter um rendimento de R$ 4,5 mil a R$ 6 mil por ano, que é a mesma faixa de preço que se pode comprar um reprodutor. “É um investimento seguro que pode ser pago com uma safra”, calcula.

Eventos

Mais de 7 mil touros já foram comercializados por meio de eventos realizados em parceria com o Pró-genética no país. Em Mato Grosso, no dia 6 de setembro, foram vendidos 30 touros P.O. dos 31 ofertados por meio de leilão no município de Novo Santo Antônio, (região do Araguaia).

Os próximos eventos do Pró-genética serão no próximo dia 13, em Confresa, (região do Araguaia), e no dia 20 em Bom Jesus do Araguaia, (região do Araguaia).

 

 

O Repórter do Araguaia
com G1 MT

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