11/09/2015 - Após 13 horas, Júri de Arcanjo é suspenso e será retomado na 6ª

O primeiro dia de julgamento do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro foi suspenso, há pouco, por decisão da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que preside o júri.

Arcanjo é acusado de mandar matar, em 2002, os empresários Fauze Rachid Jaudy Filho e Rivelino Jacques Brunini e da tentativa de homicídio contra Gisleno Fernandes.

Nesse primeiro dia, foram ouvidas todas as testemunhas de acusação e de defesa. As testemunhas prestaram depoimento em outras localidades por carta precatória tiveram os depoimentos lidos pela assessora da juíza.

Também foi realizado interrogatório de Arcanjo, durante a noite, que negou qualquer envolvimento com os crimes pelos quais está sendo julgado.

Ele disse, inclusive, que chegou a ser convidado a participar do negócio envolvendo os caça-níqueis, mas que recusou a proposta por "não achar viável". 

"Eu fui convidado a participar, mas não quis. Primeiro pelo Arthur e o Júlio Bachs. Depois veio o Rivelino, o Jesus e o Rogério. Eles me apresentaram um laudo pericial dizendo que os caça-níqueis eram legais, mas eu não quis", disse ele.

Ligação com Bachs

Arcanjo admitiu que era amigo de Júlio Bachs, apontado como um dos operadores dos caça-níqueis no Estado e suposto mentor do crime, e que ambos jogavam futebol duas vezes por semana.

Porém, ele negou que recebia mensalidades por cada caça-níquel e disse desconhecer a alcunha de "papai do céu" que supostamente Bachs atribuía a ele.

O ex-bicheiro também se defendeu da acusação de que uma das provas de seu envolvimento era o fato de as máquinas conterem o símbolo de um colibri, mesmo símbolo de uma das factorings dele.

"Quando eu fiquei sabendo do símbolo, reclamei com o Jesus e o Rivelino. Tanto que, a partir disso, eles tiraram o símbolo e colocaram outro. Eu não tinha interesse nas máquinas, pois já explorava o jogo do bicho em Cuiabá. 

Reunião em factoring

A juíza Mônica Perri perguntou ao ex-bicheiro o porquê de ter sido realizada uma reunião na factoring dele com diversos integrantes da máfia dos caça-níqueis. Arcanjo afirmou que naquela reunião,  os sócios dos caça-níqueis no Rio de Janeiro tentaram o convencer a firmar parceria com eles, mas que não era ele quem autorizava ou não a entrada das máquinas no Estado.

Mônica Perri também questionou Arcanjo sobre a informação de que, em razão de Rivelino ter sido proibido de atuar em Cuiabá, o empresário implantou caça-níqueis em Chapada dos Guimarães. 

Em razão do prejuízo em Chapada, segundo relatou a juíza, Rivelino instalou caça-níqueis em Várzea Grande, o que teria deixado Arcanjo furioso pouco antes da data do crime, mandando apreender as máquinas de Rivelino que estavam em um galpão.

"Nunca existiu isso. Nunca mandei nem colocar nem retirar máquinas. Isso é um absurdo. Não tem porque eu ter feito isso. Eu conhecia o Rivelino, gostava dele", defendeu Arcanjo.

 

 

Lucas Rodrigues 
Do Midiajur

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário