11/09/2015 - Irmã de empresário morto afirma que Arcanjo controlava Judiciário e compara ex-bicheiro com traficante

O auditório do Fórum de Cuiabá começou a lotar cedo na manhã desta quinta-feira (10) para o julgamento de João Arcanjo Ribeiro. O réu chegou por volta das 7h30 sob forte escolta da Polícia Militar, que também reforçou o esquema de segurança na entrada do prédio. Raquel Brunini, primeira pessoa a prestar depoimento, afirmou que o ex-bicheiro controlava o Judiciário e Legislativo.

Às 10h38 - Raqueu Brunini afirma que o então procurador Pedro Taques, anos depois da morte, entrou em contato com a família e sentiu segurança em passar a colaborar. "Senti tranquilidade com ele. O melhor que poderia fazer era de contribuir com justiça". A audiência é interrompida para intervalo de almoço.

Às 10h38 - Ao advogado do réu, a depoente disse que não se sujeitou a passar doze anos fora do Brasil para mentir. "Vim aqui para falar a verdade. O senhor pode me perguntar vinte vezes a mesma coisa é dizer tudo o que eu lembrar." A frase foi dita ao ser questionada se havia participado de uma reunião que tratava sobre a divisão da área de atuação das máquinas. Raquel ratifica que não está mentindo, a juíza interfere para manter a ordem. Ela é lembrada que está sendo ouvida na condição de informante e não deve se negar a responder. A juíza pede para que ela mantenha a calma. "Não precisa se alterar", disse a juíza.

Às 10h18 - Raquel afirmou que a organização criminosa tentou apontar Rivelino como autor da morte do sargento Jesus, executado em abril de 2002. Jesus era integrante do braço armado de Arcanjo. A testemunha comenta que a família foi destruída pela ganância de Rivelino. “Toda Família foi ameaçada. Fugimos como bandidos. Crianças com a roupa do corpo e já se passaram doze anos e a gente vive esse terror por causo desse desgraçado”.

Às 09h30 - Raquel disse ainda que, em razão da ganância do grupo, muitos furtos começaram a ser registrados, a estimativa é de que o lucro semanal com uma pequena quantidade de máquinas era de dez mil. Por causa disso, houve uma redivisao das áreas de atuação e Rivelino ganhou a área de exploração em chapada, mas teimou em explorar na capital e Várzea grande. Ele passou a acumular dívidas em razão da nova divisão e disse que caso perdesse a guarda dos filhos, Ricardo e Rafael iria contar tudo o que sabia a polícia.

Dias antes de Morrer Brunini teria sido chamado a casa do ex-vereador Baiano Pereira que ele tinha três dias para retirar as máquinas por ordem de arcanjo. "Nesse dia ele falou: eu vou morrer. Todo mundo sabia que o arcanjo era o chefe de tudo. Sem autorização dele nada acontecia. É como um traficante, ele autorizou os bicheiros do Rio de Janeiro a entrar em MT.

Às 9h00 - Raquel brunini é a primeira pessoa a ser ouvida pela juíza da 1ª Vara Criminal, Mônica Catarina Perry de Siqueira. Ela solicitou à justiça que fosse ouvida sem a presença de João Arcanjo. Disse que é um dos maiores criminosos do país e que sente medo e por isso morou por mais de dez anos fora do país. A Defesa pediu para que a magistrada não considerasse o pedido "e fácil falar o que desejar sem a presença do acusado, que fica impedido de auxiliar em sua defesa técnica".

O MPE foi contrário ao pedido da defesa, a juíza acatou o pedido de Raquel considerando que o artigo 217 do Código de Processo Penal possibilita o depoimento sem a presença do réu. Ela disse que hoje trabalha com faxinas e que em 2000, o irmão dela começou a exploração de máquinas caça-níqueis. Estima que foram pelo menos mil Máquinas fornecidas pelos bicheiros do Rio de Janeiro.

As maquinas vieram do RJ e cada pessoa tinha uma determinada quantidade, afirmou a depoente. Arcanjo, segundo ela, tinha o poder em MT e controlava todo o Judiciário e Legislativo.

Raquel conta que em 2000 o irmão abriu a Mundial Games para trabalhar legalmente. Muitas dessas máquinas funcionavam por meio de liminar já que não existia legislação para autorização. O lucro, das que foram colocadas em Cuiabá, variavam de R$ 500 a mil reais. Disse que não sabe como funciona a distribuição do dinheiro arrecado. " nunca negue a justiça que várias vezes ajudei meu irmão. Fui em muitos lugares e ficava com ele quando retirava. Se cometi um crime estou disposta a pagar, não mandei matar ninguém eu participei da vida do meu irmão, como de qualquer um da família. Entendo que não participei ativamente. Eu não trabalhava com meu irmão eu ajudava".

Há seis anos inserido no sistema penitenciário federal, João arcanjo Ribeiro deve permanecer por no máximo três dias em Mato Grosso. Na data de hoje ele será julgado pelas mortes de Rivelino Jacques Brunini, Fauzer Rachid Jaudy e pela tentativa de assassinato do pintor Gisleno Fernandes.

Os crimes foram registrados na avenida Historiador Rubens de Mendonça, no ano de 2002. Arcanjo é apontado como mandante das execuções e teria pensado o crime para evitar a instalação de uma nova modalidade de jogo em Mato Grosso, o que poderia prejudicar o esquema de exploração de jogo do bicho e máquinas caça níqueis comandados por ele.

Nesse momento uma servidora do Fórum deu início a primeira chamada dos jurados e na sequência será realizada a leitura do pregão, na prática, os autos do processo. Arcanjo ainda não encontra-se na sessão. Ele será julgado pelo artigo 121 pro duas vezes.

As testemunhas de defesa do comendador são: Rutemberg Ferreira Tarcisio Luiz Mendonça, Kelly Cristina Santana, Sandro Tadeu Constantino e a irmã de Rivelino, Raquel Spadoni Jaqye Brunini. Arrolados pelo MPE: Sinezio de Farias, Joaci das Neves, Ronaldo Sérgio e Paulo Cézar Moura.

Pena: defesa e acusação

O promotor será Vinicius Gahyva, que espera uma pena de no mínimo 50 anos para o comendador. E a defesa será patrocinada por Zaid Arbid e Paulo Fabrini, que alega não existirem provas da participação do réu no caso.

O genro de Arcanjo, Giovane Zen, disse o sogro está desgastado e há muito tempo preso. A família espera absolvição pela falta de provas.

O caso

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Rivelino Jacques Brunini era sócio da empresa Mundial Games, concessionária de máquinas caça-níqueis da organização criminosa chefiada por Arcanjo, que explorava com exclusividade o ramo de jogos eletrônicos em Mato Grosso. Mesmo assim, segundo o MPE, Brunini associou-se a um grupo do Rio de Janeiro, que pretendia acabar com o monopólio no Estado. Essa seria a motivação do crime. Fauze Rachid Jaudy e o pintor Gisleno não eram alvos, no entanto, foram atingidos.

As investigações apontara que Hércules de Araújo Agostinho (condenado a 45 anos pelos crimes) se aproximou em uma moto e, utilizando uma arma de fogo de 9 milímetros, efetuou disparos contra todos. Brunini foi atingido por sete disparos e morreu na hora. Fauze Rachid e Gisleno Fernandes foram atingidos por um disparo cada um, porém Fauze Rachid não resistiu e foi a óbito.

O capanga Célio Alves de Souza e o cidadão uruguaio responsável por instalar maquinas caça-níqueis em Mato Grosso, Júlio Bachs Mayada, já condenados, teriam dado suporte à Hércules de Araújo. Na ocasião da primeira parte do júri, o pistoleiro foi sentenciado a cumprir 46 anos e dez meses de reclusão em regime fechado. Já o uruguaio Júlio Bachs recebeu sentença de 41 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

O julgamento de Arcanjo estava previstos para o dia 30 de julho. Porém, o advogado de defesa pediu desmembramento do caso.

 

 

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