11/09/2015 - Setembro Amarelo alerta para casos de suicídio

A primeira causa de morte por atos de violência no mundo não são os acidentes de trânsito, os homicídios e nem os conflitos armados, mas os suicídios.

A Associação Internacional de Prevenção do Suicídio (IASP) criou a campanha do 'Setembro Amarelo' e estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A ideia é discutir o assunto e divulgar ações preventivas.

Mato Grosso teve um aumento de 15,6% em 2014 e está entre os três primeiros Estados do Brasil que apresentam o maior índice de casos por habitantes. Na maioria das situações, a morte é reflexo de depressão, doença que ajuda a lotar postos da Capital e representa 70% dos atendimentos ambulatoriais das unidades de saúde mental.

O suicídio é o desfecho de uma doença física ou mental e pode ser prevenido. A prevenção se dá na forma de discussão e enfrentamento do tema, ou seja, é necessário que o tema não seja visto como tabu, ausência de espiritualidade ou crença religiosa. As pessoas com transtornos mentais devem receber atenção e cuidados, evitando assim que busquem esta solução para suas dores, explica a psicóloga Marines Fortes de Barros.

Outra mudança que vem sendo observada é a faixa etária de quem tira a própria vida. Historicamente mais comum entre os idosos, o ato vem crescendo entre pessoas de 15 a 44 anos. Estudo feito pelo Mapa da Violência de 2014 confirma essa tendência no Brasil. E traz um dado surpreendente: um aumento de dez vezes mais na mortalidade por suicídio em jovens de 15 a 24 anos entre 1980 e 2014.

Considerando apenas os homens da mesma faixa etária, esse índice aumentou 20 vezes. Em qualquer idade, o suicídio é muito mais frequente no sexo masculino. Além de tentarem menos, as mulheres geralmente usam métodos menos violentos e, portanto, menos letais, explica a psicóloga.

"O comportamento impulsivo e agressivo é ainda mais importante para explicar o suicídio entre jovens, bem como em pessoas que o fazem com métodos violentos, como queda livre ou arma de fogo", esclarece Marines.

Ela ressalta que pelo menos 30% dos suicidas foram vítimas de abuso físico ou sexual ou de algum tipo de negligência por parte da família. O suicídio é visto atualmente como um transtorno psicossocial de causas múltiplas, em que fatores biológicos, psíquicos, sociais e culturais interagem de forma complexa, aproximando ou afastando as pessoas do abismo psíquico.

"A doença mental não tratada está presente na maioria dos casos, principalmente na forma de depressão e de transtorno bipolar. O abuso de drogas, principalmente do álcool, é um ingrediente bastante comum. Essas pessoas estão tão deprimidas que perdem a capacidade de se enxergar no futuro”, descreve.

A psicóloga afirma que sua experiência no atendimento a sobreviventes de tentativas mostra que a maioria não queria de fato morrer. Geralmente é um ato de desespero depois de uma grande perda, fracasso ou traição. Segundo ela, o fato de mulheres se matarem menos provavelmente se deve a aspectos culturais que fazem com que tenham mais facilidade para expressar e dividir suas angústias. 

CVV

No Brasil quem está promovendo o Setembro Amarelo é o Centro de Valorização da Vida (CVV). As 70 sedes em todo o país vão colocar uma faixa amarela na fachada.

Segundo a assessoria de imprensa do CVV, a cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública. Um brasileiro morre deste mal a cada 45 minutos. No mundo, o número cresce para um a cada 45 segundos. Pelo menos o triplo dessas pessoas já tentou tirar a própria vida e outras chegaram a pensar em fazê-lo.

 

Soraya Medeiros, especial para o GD

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