11/11/2015 - Ex-secretário apresenta documentos de suposto esquema de R$ 10 mi no MPE; 20 deputados sinalizam criação de CPI

O ex-secretário-chefe da Casa Civil e ex-presidente da Agecopa (Agência de Execução de Projetos da Copa de 2014), Éder Moraes, se ofereceu para ser delator de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Ministério Público Estadual (MPE). O objetivo seria investigar suposto esquema de corrupção, fraudes e tráfico de influência no pagamento de mais de R$ 10 milhões em cartas de créditos para 40 procuradores e promotores do MPE nos anos de 2008 e 2009. Os documentos, que comprovariam tudo, foram entregues na tarde de hoje (10), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Nos bastidores, 20 deputados sinalizaram positivamente para a criação.
 
“´É grave (a denúncia), mas é uma coisa que a imprensa está deixando passar. É preciso que abram-se estas vísceras, verifiquem estes pagamentos, como foram calculados, porque cada um recebeu R$  400 mil ou R$ 500 mil.  Se estiver tudo lícito, parabéns. Não podem impedir que a sociedade fiscalize e verifique estes cálculos”, disse Éder Moraes à imprensa.
 
Ainda conforme o ex-secretário, o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT) disse que as bases não eram confiáveis e que os dados colhidos para a emissão destas cartas de créditos estavam fora de uma realidade plausível. “Cabe a sociedade investigar. Convoco aqui a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que está em um processo eleitoral, que venha para dentro disto, ajudando a dar luz neste fato das cartas de crédito do Ministério Público Estadual”.
 
Para que uma quarta CPI seja criada na Casa de Leis, é preciso a assinatura de 16 deputados. Segundo o vice-líder do governo na ALMT, Leonardo Albuquerque (PDT), o número de parlamentares que sinalizaram positivamente para a instalação é suficiente: “Até pelo bem do próprio Ministério Público, que teve o nome exposto perante a sociedade, nós vamos assinar. Mais de 20 deputados já confirmaram”.
 
Por fim, o ex-presidente da Agecopa relatou não ter medo de represálias: “Não tenho medo destas declarações, a sociedade me conhece. Eu declaro aquilo que tenho convicção. Este processo do Ministério Público Estadual não pode ficar embaixo do tapete. É um órgão que dá luz, que cobra a verdade, por isso precisa dar o exemplo. Como diz o próprio MPE, pau que bate em Chico, bate em Francisco”.
 
A deputada estadual, Janaina Riva (PSD), comemorou a possível criação da nova CPI: “Foi importante a vinda do Eder aqui, assim todos puderam ouvir dele a mesma explanação que eu já havia ouvido. As provas são muito fortes. É preciso investigar e agora todos entendem que não é revanchismo”. Porém, ela disse que prefere não participar da Comissão, já que poderia ser interpretado como um ato de revanchismo contra o MPE.
 
Os documentos foram entregues por Éder Moraes na tarde desta terça-feira, no Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Os deputados decidirão se votam ou não a favor da criança da CPI. A expectativa é que presidente da Casa de Leis, Guilherme Maluf (PSBD), faça um pronunciamento sobre o caso. 
 
Outro lado
 
A assessoria de imprensa do MPE informou ao Olhar Direto que não irá se posicionar a respeito das acusações proferidas por Eder Moraes.

 

 

 

Da Redação - Wesley Santiago/Da Reportagem Local - Jardel P. Arruda

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