12/02/2013 - Cuiabá vira piada nas redes sociais pós desfile da Mangueira e suas gafes

Cuiabá virou piada nas redes sociais depois de o desfile da Estação Primeira de Mangueira e as inúmeras brechas deixadas pela apresentação da Escola de Samba. Elementos básicos que representam a cultura local como a Viola de Cocho, o Siriri, o Cururu, o pequi, o calor escaldante da terra, foram simplesmente ignorados no contexto para dar lugar a gafes culturais como ‘noivas-cadáveres’, peixes amazônicos, Bumba Meu Boi e até um Jequitibá mato-grossense.

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O que para muitos foi motivo de indignação, é que a Mangueira ‘vendeu’ para o mundo uma Cuiabá que não existe e o que mais se via nas redes sócias, é que povo Cuiabano não se reconheceu no desfile. O publicitário e cineasta, Bruno Bini, foi um dos que de forma muito bem fundamentada externou o que se via nos posts dos demais.

“No facebook, a timeline gritou a revolta cuiabana contra noivas-cadáveres e outros equívocos. Até acharam um Jequitibá mato-grossense, mas como filho de historiador, me recuso a aceitar que isso seja representação da cuiabania. Realmente foi uma grande oportunidade. Uma enorme vitrine. Estivemos anunciando Cuiabá, mas do jeito errado. Aquele produto não existe. Faltou pequi, viola de cocho, nosso calor e uma "ufa" de coisa.

No marketing existe um termo para isso: dissonância cognitiva. É quando o consumidor percebe que o que desejou é diferente da realidade. É o que estamos sentindo agora, pois não nos reconhecemos ali. E é o que qualquer turista estimulado pelo desfile vai sentir ao chegar a Cuiabá, pois o que ele viu não existe”, citou o publicitário em um artigo publicado logo após o desfile.

O ‘investimento’ milionário encabeçado pelo ex-prefeito Francisco Galindo (PTB) na Mangueira gerou polêmica. Apesar de a alegação de que era uma vitrine para a cidade-sede da Copa 2014, boa parte da população acredita que os R$ 3,6 milhões destinados à escola de samba, poderiam ter sido revertidos para saúde, educação e outras áreas prioritárias.

Com todos os questionamentos sobre a história e o contexto vendido ao público, ninguém questiona que a escola fez bonito na avenida com seus 4 mil componentes. Tanto foi que que a Estação Primeira de Mangueira venceu o prêmio Estandarte de Ouro do Carnaval 2013, do jornal O Globo, por seu desfile no Grupo Especial do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (11). A agremiação da Zona Norte do Rio, que falou sobre a capital matogrossense Cuiabá, ficou, ainda, com o título de "Melhor Porta-Bandeira para Mercella Alves e de "Melhor Ala das Baianas".


Confira alguns dos posts nas redes sociais:

- O Jequitibá....foi dureza!

- será que escutei direito? bumba meu boi?

- Não, jequitibá, boi bumbá e noiva cadáver NÃO são caraterísticas marcantes da capital mato-grossense. Emocionada. Só que não.

- Esse samba enredo e essa direção artística da Mangueira foram feitos para gringos e para os que não cuibanos, pois os cuiabanos mesmo ficaram de longe, muito de longe... Mangueira poderia ter feito uma pesquisa melhor.

- Foi MUITO emocionante ver a Mangueira apresentar Cuiabá na avenida, IMPAGÁVEL (desde que invista aqui também na mesma proporção), porem faltou pesquisa!!!! Faltou a viola de cocho, o Siriri e Cururu e outros detalhes, mas o trem surgiu nem que seja na imaginação, imagino a emoção dos que lá estavam, pois aqui já me emocionei muito. Valeu !!!!!!

- Só falta a Mangueira pagar de Palmeiras e ser rebaixada pra segundona! #PODEARNALDO?

- Ei, você da Mangueira que fez a pesquisa sobre Cuiabá: You are fired!

- Agora quem vai pagar pelo lixo apresentado no valor de 3,6 milhões, ai depois quem chupa e campo grande.. Tá bom CUIABANOS..


Leia a íntegra do artigo de Bruni Bini:

Sou cuiabano e amo minha cidade.
E apesar de não ser um folião, tenho simpatia pela Mangueira.
Me emocionei ao ver o desfile.
Foi bonito, curti a novidade das duas baterias e ver a arte de João Sebastião ali.
Mas… Houve muitos "mas".
Esqueçam a beleza, a magia e a embriaguez da festa.
Foi um negócio. Uma compra.
Nada contra o apoio a manifestações culturais, muito pelo contrário. Sou defensor do patrocínio, do apoio a cultura - que funcione. E aí é que está o problema.
O ex-prefeito queria uma vitrine. A Mangueira enfrentava dificuldades financeiras, com salários atrasados e uma situação interna conturbada, com um processo eleitoral anulado pela Justiça.
Foram 3,6 milhões investidos na compra de um espaço na mídia televisiva nacional.
Cada minuto custou R$ 40.900,00. Valeu a pena pra Cuiabá? É preciso fazer conta.
Uma inserção na Globo nacional pode custar bem mais do que isso, dependendo do horário. Mas quanta gente está vendo? Salve Jorge, a pior novela das oito que eu já vi teve pico de audiência de 37 pontos.
O carnaval da emissora, que vem perdendo audiência a cada ano registrou 8,7 pontos, quatro vezes menos. É menos do que Malhação ou Vale a Pena Ver de Novo. Ou seja, uma audiência que não é lá essas coisas.
Se estamos falando da contratação de um serviço (no caso, do talento e criatividade dos mangueirenses), seria preciso que os contratados seguissem o briefing - ou pelo menos o lessem. Não foi o que aconteceu, com um samba enredo coringa, que poderia servir para várias outras cidades. Não vi o mínimo compromisso com a história e a cultura da minha cidade.
No facebook, a timeline gritou a revolta cuiabana contra noivas-cadáveres e outros equívocos. Até acharam um Jequitibá mato-grossense, mas como filho de historiador, me recuso a aceitar que isso seja representação da cuiabania.
Realmente foi uma grande oportunidade. Uma enorme vitrine. Estivemos anunciando Cuiabá, mas do jeito errado. Aquele produto não existe. Faltou pequi, viola de cocho, nosso calor e uma "ufa" de coisa.
No marketing existe um termo para isso: dissonância cognitiva. É quando o consumidor percebe que o que desejou é diferente da realidade. É o que estamos sentindo agora, pois não nos reconhecemos ali. E é o que qualquer turista estimulado pelo desfile vai sentir ao chegar a Cuiabá, pois o que ele viu não existe.
Acho que foi um ótimo negócio para Ivo Meirelles e a sua Mangueira - que pra completar, ainda conseguiu estourar o tempo, comprometendo as chances de um título.
Para Cuiabá, um negócio duvidoso.
Uma boa ideia, com boa intenção, mas que se perdeu quando o cliente ficou menor do que o fornecedor”

 

Da Redação

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