12/03/2016 - Empresário é apontado como “testa de ferro” de suposto esquema

12/03/2016 - Empresário é apontado como “testa de ferro” de suposto esquema

O empresário Willians Paulo Mischur foi apontado pela Polícia Civil como “testa de ferro” e “peça-chave” do suposto esquema de propina e lavagem de dinheiro, desarticulado na 2ª fase da Operação Sodoma.

 

Dono da empresa Consignum, ele foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira (11) e também teve R$ 1 milhão em dinheiro apreendidos em sua residência.

 

Além de Mischur, também tiveram a prisão decretada pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital: o ex-secretário de Estado de Administração, Cézar Zílio; os ex-secretários Pedro Nadaf (Casa Civil), Marcel de Cursi (Fazenda), que já estavam presos; além de Karla Cecília Cintra, considerada braço-direito de Nadaf na Fecomércio (Federação do Comércio no Estado de Mato Groso).

 

As investigações apontam que Willians Mischur é um dos prováveis fornecedores da propina utilizada para a compra de um imóvel de R$ 13 milhões, na Avenida Beira-Rio, no bairro Grande Terceiro, em Cuiabá.

 

O imóvel teria sido adquirido por Cézar Zílio de forma fraudulenta, em nome de terceiros, com dinheiro de empresas que possuíam relação com o Estado na época em que ele era secretário de Administração, entre 2011 e 2013.

 

Conforme a Polícia Civil, a Consignum depositou 35 cheques em favor dos proprietários do imóvel, totalizando R$ 1,2 milhão, após o Estado prorrogar a vigência do contrato da empresa, responsável pelo gerenciamento dos empréstimos feitos por servidores.

 

"Amigo" da organização

Na decisão que decretou a prisão do empresário, a juíza Selma Arruda relatou que a empresa de Willians Mischur teria emprestado o nome para Cézar Zílio no documento de compra do terreno, “a fim de possibilitar a fraude no contrato de aquisição da área urbana”.

 

“Essa disponibilidade demonstrada pelo 'amigo' Willians Paulo Mischur, que se prontificou a concorrer para a prática do crime de lavagem de dinheiro, também indica que se trata de pessoa que provavelmente tem profundo envolvimento com as fraudes noticiadas”, disse.

 

A juíza observou que o empresário é suspeito de integrar outras fraudes em contratações públicas e que, no caso em questão, teve “destaque e empenho na ocultação do dinheiro, disponibilizando-se a participar ativamente da noticiada lavagem”.

 

“Com efeito, se permanecer solto, poderá auxiliar o bando a ocultar provas, pode destruir documentos, alterar seu conteúdo ou criar situações fraudulentas que lhes beneficiem. Prova disso é que já colaborou anteriormente para que isso acontecesse, conforme já foi amplamente narrado e exposto nesta decisão”, disse a magistrada.

Na visão de Selma Arruda, a prisão do empresário é necessária pelo fato de não haver qualquer indício de que ele pretenda colaborar com a Justiça.

 

“Ao contrário, Willians Paulo Mischur demonstrou que não mede esforços para garantir a sua impunidade e, consequentemente, a impunidade dos membros da organização criminosa, ainda que tenha que se valer da prática de novas fraudes e falsificações”.

 

“A notícia de que, além de ser um dos prováveis fornecedores da propina que foi direcionada à compra dos imóveis, funcionou também como “testa de ferro” na elaboração de contrato fraudulento, como adquirente de tais terrenos, revela sua especial predisposição em colaborar com os desígnios da organização criminosa, o que permite que se conclua que se trata de pessoa que apresenta perigo à instrução criminal”, afirmou a juíza.

 

As supostas fraudes e pagamentos de propinas das quais Willians teria participado indica, de acordo com a juíza, que o empresário estaria comprometido com a organização criminosa.

 

“Assim, não é apenas um mero colaborador dos atos praticados, mas verdadeiro comparsa, ainda que eventual, da organização criminosa [...] Apenas o encarceramento cautelar será capaz de garantir que o transcurso da instrução seja isento de percalços e impedir que novos delitos sejam arquitetados e perpetrados pela organização criminosa e seu 'amigo' Willians Paulo Mischur”, completou a juíza.

 

 

 

 
Midiajur

 

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