12/04/2015 - Líder do PCC, Marcola, diz que o Brasil é um "inferno presente"

Preso há 10 anos por comandar a maior organização criminosa do Brasil, o PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, enviou em 2012, carta a revista Veja relatando sua vida cercada de crimes, vingança, ódio ao que ele chama de “sistema” corrupto e nefasto, neste caso, a classe política do Brasil. Antes da carta, em 2006, Marcola surpreendeu o país ao falar com exclusividade ao jornal carioca O Globo. Confira abaixo:

Em 12 de maio de 2006, durante a realização do maior ataque de nossa organização contra a polícia do Estado de São Paulo, tomamos a decisão firme de executar 45 opositores de nossos interesses imediatos. Não fugi de minhas responsabilidades.

Em 1977 comecei minha carreira, com nove anos de idade, na Baixada do Glicério, como um trombadinha comum. Minha nacionalidade tropical, no entanto, continuou intacta.

Por mais da metade de minha vida me dediquei ao sol quadrado e aos livros. Li mais de três mil.

Por longos anos também fui considerado por muitos um pária da sociedade e um inimigo do Brasil. Acho que eles estavam certos.

Nas madrugadas que se sucederam ao fatídico 12 de maio, depredamos agências bancárias do sistema, incendiamos ônibus do sistema e espalhamos nossa doutrina, forçando o sistema a negociar conosco. 107 companheiros foram sumariamente negociados com o sistema.

Fui transformado em inimigo público número 2, porque o número 1 agora é o outro.

Também sou acusado até hoje, injustamente, de chefe de quadrilha. PCC é só um churrasco na laje, para os iniciados na nossa boa vida.

Fui convocado a depor na CPI dos Bingos, onde encontrei criminosos muito mais perigosos do que eu. Me identifiquei com todos.

Hoje, vivo como condenado e líder de uma facção que o Estado jura existir para me manter como exemplo de que o crime não compensa. Tivesse eu sido político, teria compensado.

 

 

Escrito por RP News via O Documento

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