12/04/2015 - Se eles não compreendem é porque estão no mundo da lua, alega Kleber

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT) mantém a greve dos profissionais da rede municipal de saúde, mesmo após liminar expedida pela desembargador Mari Helena Póvoas, decretando ilegalidade do ato. A paralisação teve início na tarde de sexta (10) e será mantida, pois, de acordo com a presidente do Sindicato, Eliana Siqueira, existem vários argumentos para reverter esta decisão.

 

Ela explica que a liminar pode ser derrubada devido à inconsistência e que o Sindimed irá recorrer da decisão, na segunda (13). “O prazo do acordo inicial já venceu, foi na segunda (6). A prefeitura não cumpriu com o acordo. Os mutirões não foram realizados, a UTI pediatra que deveria ter sido inaugurada em abril, não tem prazo para ficar pronta. Fora o reajuste salarial que não foi cumprido”, ressalta.

 

A deliberação da greve foi aprovada no início desta semana, durante assembleia da categoria, data em que o prazo exigido pela legislação venceu. Além do vencimento do prazo, Eliana afirma que o não cumprimento das negociações firmadas com a prefeitura, desde o ano passado, é o principal ponto pela deliberação da greve. Entre as reinvindicações estão a contratação de médicos de forma imediata para as unidades básicas de saúde, a correção dos salários e o reajuste prometido, inclusive com a correção do INPC, melhores condições de trabalho, realização de mutirões de saúde para exames e consultas em comunidades carentes.

 

Conforme a sindicalista, após o acordo feito com o Executivo, não é necessário aguardar por outra rodada de negociação. “Queremos apenas que a prefeitura cumpra o combinado. Porque o que eles querem é ficar ganhando prazos. Não temos mais o que conversar. As unidades básicas de saúde não estão sendo reformadas. Existem colegas nossos atendendo a população em igrejas, casas alugadas, e não podemos mais ficar nesta situação. Além do mais, cerca de 50% das policlínicas estão com a metade da equipe médica necessária”.

 

Outro lado

Segundo o secretário de Governo e de Comunicação da prefeitura, Kleber Lima, se os médicos descumprirem a decisão judicial estarão cometendo desobediência civil, e isso terão que resolver perante a Justiça. Kleber afirma que a prefeitura irá responsabilizar criminalmente o sindicato e os médicos plantonistas, caso ocorra óbito na rede municipal de saúde.

 

Em relação à demanda da categoria, o secretário é enfático ao dizer que o país enfrenta crise e o momento é de preservar o que se tem e não oportunizar. “Se eles não compreendem isso é porque estão no mundo da lua. Pedem ganho real do salário, mas não temos condições de dar devido à crise”, explica em entrevista ao Rdnews.

 

 

Gabriele Schimanoski e Camila Cervantes

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