12/06/2015 - Engenheiros são multados por facilitar desmatamento no Mato Grosso

12/06/2015 - Engenheiros são multados por facilitar desmatamento no Mato Grosso

Quinze engenheiros florestais foram autuados por fiscais do Ibama por estarem colaborando com o desmatamento ilegal no estado do Mato Grosso. Os profissionais emitiram laudos falsos que acobertaram o crime em várias regiões.
 
As irregularidades aconteceram em propriedades rurais localizadas em cinco municípios do Médio Norte matogrossense – Itanhangá, Nova Maringá, Porto dos Gaúchos, Sinop e Vera, e também no entorno do Parque Indígena do Xingu, nas cidades de Feliz Natal, Gaúcha do Norte, Marcelândia, Nova Ubiratã e Paranatinga.
 
O Ibama constatou que os problemas começaram desde que entrou em vigor uma legislação estadual autorizando que os proprietários façam a limpeza de suas terras para a pastagem mediante a elaboração de um laudo técnico. O superintendente do órgão no Mato Grosso, Marcus Keynes , explica que nesse processo o Ibama identificou que alguns profissionais contratados acabavam forjando documento.
 
“Um engenheiro baseado nesse decreto faz um laudo em área de floresta ou em área que há muitos anos foi pasto, mas que hoje é uma floresta em regeneração, e diz que não, que aquela área realmente é um pasto em regeneração e que pode ser limpo”, disse.
 
Marcus Keynes  nega que o decreto facilite a atividade ilegal. Ele ressalta que, no passado, a Sema permitia que o proprietário realizasse a limpeza por meio de uma licença.
 
O Ibama não realizava vistoria. Agora, constatada a irregularidade, o órgão pode atuar. Dessa  forma, fica preservado ao produtor de boa fé o direito de preservar o seu pasto sem os entraves por causa da burocracia. As denúncias foram encaminhadas ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e aos Ministérios Públicos Federal e Estadual.
 
De acordo com a Assessoria de Imprensa do Crea, os processos já foram encaminhados ao Conselho de Ética. O valor das multas aplicadas aos engenheiros em Mato Grosso ficou entre R$ 1,5 mil e R$ 400 mil, somando quase R$ 2 milhões. Já as multas para os proprietários variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil.
 
A reportagem tentou contato com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, mas, até o fechamento dessa matéria, não teve retorno.

 

 

 

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