12/07/2016 - “Fui eleito para governar; não sou candidato a Miss Simpatia”

Após atravessar o período mais crítico de sua gestão, marcado pelo enfrentamento com os servidores públicos, o governador Pedro Taques (PSDB) considera que agiu corretamente na condução das negociações sobre a RGA (Recomposição Geral Anual).

 

Criticado por muitos, pelo estilo franco e duro, ele minimiza o desgaste. “Tenho um perfil que foge (da normalidade), porque não sou candidato a Miss Simpatia. O cidadão, quando me elegeu, foi para ser governador de Mato Grosso, não para ficar dando tapinhas nas costas”, disse.

 

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, Taques fez um balanço de sua gestão; rebateu críticas sobre morosidade na máquina; criticou o Sintep, acusando-o de agir politicamente; falou sobre eleições municipais; Mesa Diretora da Assembleia Legislativa; e articulação política.

 

Confira os principais trechos:

 

MidiaNews – O senhor teve um embate intenso, e até desgastante, por conta da Revisão Geral Anual (RGA), enfrentando greve geral, com servidores elevando o tom das críticas por meio de campanhas publicitárias. Faria algo de diferente ou se arrepende de alguma postura tomada em relação a esse tema?

Pedro Taques – Eu não vim ao mundo a passeio, para contentar todo mundo. Quando eu era procurador da República, não contentei todo mundo. Fui muito criticado por alguns. Quando fui senador, também não contentei todo mundo, porque tomei posições que deveriam ser tomadas. A questão do VLT [Veículo Leve sobre Trilhos] é um exemplo: apanhei muito por isso, inclusive, da imprensa. Apanhei muito, não foi pouco, tive desgaste. O governador, se ficar preocupado em ter ou não desgaste, daqui a pouco, estará roubando, pensando nas próximas eleições. Eu não penso nas próximas eleições, penso na próxima geração de mato-grossenses.

 

MidiaNews – Então, não se arrepende de nada?

 

Pedro Taques – Nem um pouco. Nós temos no Estado quase 100 mil servidores. E tenho absoluta certeza que a esmagadora maioria deles é composta por pessoas sérias, decentes, que estão lutando por seus direitos. E tenho que aceitar essa luta, porque a greve é um direito fundamental do cidadão. Fui relator do projeto do direito de greve do servidor. Agora, é direito do Estado, e o governador tem que decidir, buscar meios para acabar com a greve. Desde o ano passado, os secretários de Gestão [Júlio Modesto] e da Casa Civil [Paulo Taques] vêm conversando com os sindicatos. Foram mais de 100 reuniões, sendo que eu participei de cinco com o Fórum Sindical. Nenhum outro governador do país fez isso. Na última reunião que tive com eles, disse que não ia mostrar as contas do Estado todo mês, mas, sim, toda semana. Nós temos uma Câmara Fiscal, composta por servidores de carreira de diversos setores, que monstrou as dificuldades. Na administração passada, nunca ouviram a Câmara Fiscal. Aprovaram leis sem o  [estudo de] impacto orçamentário e financeiro e jogaram a bomba para este ano.

 

Quando chegou a época de pagar, eu disse que não tinha como, o cenário era ruim: sem FEX, com diminuição de repasses da União, crise nacional, e eles entraram em greve. Isso é direito deles. Agora, não é direito de grevista impedir que servidores públicos trabalhem, porque isso é piquete. Isso não podia ter sido feito, nossa administração não admite. E também não admite ser chantageada por determinadas categorias pelo fim da greve.

 

MidiaNews – Um possível cunho político foi uma das questões levantadas.

 

 

Pedro Taques – Eu tenho certeza de que a esmagadora maioria dos servidores fez greve porque é um direito deles. Mas fazer greve por “Volta, Dilma”, “Fora, Temer”, porque fui o primeiro governador a defender o afastamento da Dilma, aí já é política. Fazer política com MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], CUT [Central Única dos Trabalhadores], UNE [União Nacional dos Estudantes]... Vão discutir isso em outro lugar.

MidiaNews – O senhor se refere ao Sintep, por exemplo?

 

Pedro Taques – Sim. Basta tirar uma foto da barraquinha dos servidores montada na sede da Seduc. Aliás, pagam pessoas para cuidar das barracas, à noite. Não fica um servidor aí à noite. Só tem um guarda nesse período.

 

Enfim, eu tinha uma consulta ao Tribunal de Contas (TCE-MT) que dizia que eu não poderia pagar a RGA. Tinha duas decisões do Tribunal de Justiça, que diziam que não poderia pagar a RGA. Existe a Súmula Vinculante 42, do Supremo Tribunal Federal, que diz que não pode ter RGA com indicadores que ofendem o Pacto Federativo. Então, apresentei o projeto, foi aprovado e sancionei. Lógico que tem desgaste, mas o político que ficar preocupado com isso não governa. Um político pode perder a popularidade, mas não pode perder a credibilidade.

 

MidiaNews – O senhor não poderia ter revogado aquelas leis de carreira, que geraram impacto na folha de pagamento, aprovadas na gestão Silval?

 

Pedro Taques – Em relação a algumas, ajuizamos Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] e estão em andamento.

 

MidiaNews – Desde 2014,  já se sabia que a folha de pagamento do Estado estava crescendo acima da arrecadação. Por que não tomar uma decisão mais dura de redução da folha antes? Por que o senhor decidiu contratar mais servidores para a Segurança, sabendo que isso impactaria na folha pagamento?

 

Pedro Taques – Como senador, fiz várias críticas a isso, critiquei na campanha. Mas o número de policiais era tão baixo, que eu fiz a opção e pago o preço de ter chamado mais policiais. Eu sabia que teríamos um impacto de R$ 183 milhões. Mas estou absolutamente tranquilo. Veja o deputado Pery Taborelli, que foi vítima de um roubo. Imagine Mato Grosso sem 3.550 novos policiais. Governar é fazer escolhas e eu não me arrependo dessas escolhas.

 

MidiaNews – O senhor admite que o relacionamento com os servidores públicos ficou ruim?

 

Pedro Taques – Em absoluto. Será que os sindicalistas, que querem ser vereadores na campanha deste ano, representam a totalidade dos servidores públicos? Acho que tem desgaste, mas não posso administrar o Estado levando isso em conta.

 

MidiaNews – O senhor é a favor do fim da estabilidade do servidor público?

Pedro Taques – Defendo que o serviço público seja debatido no Brasil. Sou favorável à meritocracia, favorável a um Estado que seja mais cerebral, mais estratégico, menos braços e pernas. Para que o Estado possa fazer o que efetivamente sabe e fazer bem feito. A questão da estabilidade do servidor tem, sim, que ser debatida. Se for um servidor que não preenche os requisitos, tem que sair, porque o Estado precisa entregar política e isso só é feito com a ajuda do servidor público.

 

MidiaNews – Há uma máxima na política de Mato Grosso segundo a qual o político que se indispõe com servidor público terá dificuldade nas urnas. O senhor teme por isso?

 

Pedro Taques – Tenho certeza de que serei avaliado pelo que fiz, ou não fiz, nas eleições de 2018.

 

MidiaNews – A arrecadação de impostos, no primeiro quadrimestre de 2016, foi quase 4% menor que o previsto. Isso dificulta ainda mais o enquadramento do Governo nos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal no que diz respeito a gastos com folha?

 

Pedro Taques – Nós vamos chegar aos 49% de gastos com folha, determinado pela LRF, até o final do ano. Estamos trabalhando bastante para isso. Temos algumas ações no campo da receita para que a arrecadação cresça. Por exemplo, o Pacto por Mato Grosso, que estamos fazendo com o setor do comércio, da indústria.

 

MidiaNews – O ex-governador Silval Barbosa criticou a sua gestão, recentemente, por questões ligadas à RGA, entre outros assuntos. Como o senhor vê esse tipo de crítica?

 

Pedro Taques – A democracia é legal, porque até preso pode criticar. E eu aprendi, no primeiro dia em que atuei como procurador da República, a não bater boca com quem está preso. Então, me reservo ao direito de não respondê-lo.

 

MidiaNews – O senhor disse, em entrevista ao MidiaNews, no ano passado, que não é um homem cordial. Nesse processo da RGA, muitos apontaram uma, digmos, dureza no trato, ou falta de postura diplomática. Esse endurecimento pode ter prejudicado a negociação?

 

Pedro Taques – Quem leu Sérgio Buarque de Hollanda, sabe o que é o homem cordial. Ele fala que não é grosseria, falta de respeito. O que ele critica é aquele que não tem princípios, aquele que é uma ‘Maria vai com as outras’. Tenho um perfil que foge (do habitual), porque não sou candidato a "Miss Simpatia". O cidadão, quando me elegeu, foi para ser governador de Mato Grosso, para tratar as pessoas com respeito, e não para ficar dando tapinhas nas costas.

 

 

MidiaNews – Isso não o prejudica, no aspecto político?

Pedro Taques – Essa crítica, eu recebo desde sempre. Em março de 2010, pedi exoneração do Ministério Público e disseram que nenhum partido iria me querer, mas 10 ou 12 partidos fizeram convites de filiação e me filiei ao PDT. Da filiação até a convenção, as críticas eram de que eu seria rifado e não seria candidato, mas passei pela convenção. Depois, disseram que eu estava com 3% e não ia vencer. Fui eleito. Aí disseram que eu seria um péssimo senador, mas fui eleito um dos cinco melhores do Brasil. Depois, não satisfeitos, disseram que eu não construiria minha candidatura ao Governo do Estado, construí.

 

Disseram que eu era um péssimo político e não conseguia agregar. Agregamos mais partidos que os profissionais da política. Basta olhar as chapas dos doutores em política... Depois ganhei a eleição no primeiro turno, com 58%. Aí disseram que eu não ia conseguir administrar, mas estamos há um ano e seis meses administrando. Enfim, essa conversa já me acompanha há tempos e estou muito tranquilo. As críticas fazem parte da democracia. Eu não tenho a experiência que outros políticos têm por aí e nem quero ter, porque, no dia em que começar a ter, vou ter que cair fora. Quem sabe começar a escrever artigo em site, ser analista político...

 

MidiaNews – Nesse momento, o senhor se sente com força política para tocar o Estado?

 

 

Pedro Taques – Na eleição de 2010, elegemos juntos 10 deputados estaduais, cinco federais. Isso mostra força política. Faça um levantamento histórico e veja qual governador, antes de mim, teve um aliado seu eleito presidente da Mesa Diretora da Assembleia. O Dante de Oliveira não teve. E nós elegemos o Guilherme Maluf. Todos os nossos projetos foram aprovados na Assembleia, inclusive, com voto da oposição. Mas não posso querer unanimidade, não quero uma ditadura, é preciso ter oposição, ter crítica. Aliás, se a administração passada tivesse a oposição que temos hoje, não teria o roubo que teve.

MidiaNews – Mas, nos bastidores, há membros da base se dizendo descontentes, que o tratamento dispensando pelo senhor é muito duro, no "bico da botina”, que faltaria diálogo...

 

Pedro Taques – Já fizemos várias reuniões com deputados, mas nunca me reclamaram desta forma. Posso mostrar o número de vezes em que atendemos deputados aqui, e faço gosto de atender deputado.

 

MidiaNews – Então, não precisa de ajustes?

 

Pedro Taques – Precisa. Nunca está bom, sempre há onde melhorar. Os deputados são importantes.

 

MidiaNews – Com relação à eleição da Mesa Diretora, há informações de que o atual presidente, deputado Guilherme Maluf, que tentará a reeleição, foi preterido pelo Governo, que preferiu apoiar o deputado Eduardo Botelho. Nesta semana, Maluf disse que mantém a candidatura e pediu que o Paiaguás não interfira.

 

Pedro Taques – Eu, como governador, desejaria que a base estivesse unida e um deles fosse o presidente da Assembleia Legislativa. É um desejo meu, mas isso pode não se concretizar. Faço gosto que um deputado da base seja presidente porque estamos em um grupo político, mas isso depende da Assembleia Legislativa. Não me cabe chamar deputado aqui e falar em quem ele pode votar.

 

MidiaNews – Mas, o senhor preteriu o Guilherme Maluf?

 

Pedro Taques – Nunca escolhi candidato a presidente da Assembleia. O que entendo é que tem que ser da base. Nunca preteri Guilherme, que é meu amigo. Não tenho nenhum favorito. O favorito é que possa ser um bom deputado, que ajude a construir a Assembleia.

 

MidiaNews – O senhor teme que o deputado de oposição Emanuel Pinheiro seja eleito o presidente?

 

Pedro Taques – Eu não tenho medo de nada. Imagine um governador eleito ficar com medo de um deputado ser presidente da Assembleia... Respeito o deputado Emanuel Pinheiro, que é meu amigo antes de entrar na política. Minha mãe era amiga do pai dele.

MidiaNews – Mas, o fato de haver dois candidatos na base governista dificulta a vitória do grupo?

 

Pedro Taques – Não sei se teremos dois candidatos. Está longe ainda, muita água vai passar debaixo dessa ponte.

 

MidiaNews – O deputado Guilherme trouxe alguma insatisfação nesse sentido?

 

Pedro Taques – Para mim, não. Conversamos a respeito, disse que o Executivo não pode se imiscuir na eleição da Mesa, mas que seria interessante que alguém da base seja eleito. Mas não é nada contra o Emanuel Pinheiro.

 

MidiaNews – O senhor considera que as eleições municipais deste ano serão um teste de fogo para o Governo?

 

Pedro Taques – Eu não tenho esta compreensão. Sempre defendi que a política municipal é descasada da política estadual. Por exemplo, o Blairo Maggi foi eleito governador com o apoio de três prefeitos. Já o seu então adversário, Antero Paes de Barros, tinha o apoio de mais de 130 prefeitos. Entretanto, o Maggi não elegeu o prefeito de Cuiabá, porque Wilson Santos, que era oposição, ganhou. Silval Barbosa também não elegeu o prefeito da Capital porque nosso grupo ganhou com Mauro Mendes. Então, não vejo essa ligação.

 

MidiaNews – Então, as eleições municipais deste ano não têm relevância em relação a 2018?

 

Pedro Taques – Tem, sim, relevância, mas não é significativo.

 

MidiaNews – Qual sua expectativa para o PSDB nestas eleições?

 

Pedro Taques – O PSDB está em constantes reuniões para definir como será a disputa. Mas, mais que número de prefeitos, precisamos saber que tipo de prefeito está sendo eleito.  O principal não é quantidade, mas, sim, qualidade.

 

MidiaNews – E qual será sua participação?

Pedro Taques – Vou fazer política depois das 18 horas e nos finais de semana, conforme determina a lei. Eu gosto desses eventos, feiras, conversas. Estou pronto, só falta regular a garganta.

 

MidiaNews – Em Cuiabá, o PSDB deve indicar mesmo o vice do prefeito Mauro Mendes?

 

Pedro Taques – Existe no PSDB um grupo de pessoas que entende que devemos ter candidato próprio. Acho legítimo isso. Mas existe, também, quem defenda que façamos a indicação do vice. Já tivemos, há algum tempo, conversas com o prefeito Mauro Mendes e o presidente do PSB e do PSDB. No momento apropriado, será anunciado.

 

MidiaNews – E qual a sua avaliação da gestão do prefeito Mauro Mendes?

 

Pedro Taques – É uma avaliação positiva. A Saúde, por exemplo, está caminhando. Tem o auxílio do Estado. O Mauro conseguiu um grande programa de pavimentação. Penso que ele está colhendo o que plantou. Ele está no quarto ano de mandato, mas. se se pegar à época em que fez um ano e meio, existiam fortes críticas à gestão dele.

 

MidiaNews – Como vê a pré-candidatura do ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva?

 

Pedro Taques – O Julier é meu amigo, não tenho nenhuma diferença com ele. É uma candidatura legítima e precisamos ter muitas candidaturas.

 

MidiaNews – Mas, vocês têm conversado? 

 

Pedro Taques – Eu não tenho nem falado com minha mãe. Às vezes, fico 15 dias sem ir à casa dela. Aqui [o Governo] consome muito.

 

MidiaNews – Está satisfeito com seu trabalho até aqui?

 

Pedro Taques – Para dizer a verdade, vejo que podíamos ter feito mais, não fosse essa crise nacional. Mas estou satisfeito, quero agradecer os secretários. Agora, sempre fica o gosto de podíamos ter feito mais. Busco fazer tudo que faço da melhor forma possível. Com muito esforço, errando, acertando. Mas, eu não erro por omissão.

 

MidiaNews – Está realizado como governador?

 

Pedro Taques – Imagina: um cidadão como eu, que há cinco anos e meio entrou na política, ser governador do Estado em que nasceu, Estado que ama, é motivo de muita honra, alegria e orgulho.

 

 

MidiaNews – O senhor tem trabalhado bastante, se considera um “workaholic”?

Pedro Taques – Não me considero, mas há secretários que reclamam. A minha rotina, por exemplo, começa quando chego aqui, às 7h30 da manhã, vou até meio-dia, almoço em casa, volto para cá às 14 horas. Fico aqui até por volta de 21h30. Vou dormir por volta de 1 hora da manhã e acordo às 6 horas. Durmo muito pouco.

 

MidiaNews – Recentemente, um quadro de Karl Marx, na sala de sua casa, foi mostrado pela imprensa nacional. Na época de procurador, o senhor era identificado com os movimentos da esquerda, defendendo causas como a dos índios e meio ambiente. Hoje, o vemos anunciar medidas como parcerias com a iniciativa privada. O que mudou no Pedro Taques nesses anos? O que o fez deixar de ser de esquerda e virar um conservador?

 

Pedro Taques – Eu nunca fui de esquerda. Hoje em dia, essa questão de direita e esquerda está superada no mundo todo. O que o cidadão deseja é a concretização de políticas públicas. É que tenha um hospital de qualidade, tenha uma reforma agrária que não abandone as pessoas. O Estado precisa fazer entregas, concretizar políticas públicas.

 

 

MidiaNews – Percebe que, nesse sentido, o cidadão está mais exigente?

Pedro Taques – Muito mais. Hoje, o cidadão está impaciente com o tempo das entregas, porque nós demoramos demais, o Estado é muito lento. E não estou dizendo só o Executivo, mas o Estado como um todo. Demora muito para aparecer os resultados. Mas, se eu terminar os quatro anos e não fizer a entrega, o cidadão não é obrigado a votar em mim, porque descumpri o acordo e acho isso absolutamente natural.

 

MidiaNews – O senhor tem uma trajetória de cinco anos na política. Teoricamente curta. Já pegou amor pela política?

 

Pedro Taques – Eu adoro eleição. Se tiver uma eleição de noite, eu vou, porque é muito legal. Você sai da eleição diferente. Adoro falar com o povo. E administrar é muito legal também, mas precisamos entender que administrar nas melhores condições é mais fácil que administrar em crise. O que acredito é que Deus indica o soldado que tem a capacidade de carregar o fardo.

 

 

MidiaNews – O conceito da sua gestão é o chamado “Estado de Transformação”. Nesses um ano e meio de mandato, acredita que conseguiu começar a transformar o Estado?

Pedro Taques – A primeira ideia é que essa transformação não se faz em um ano e meio. Fui eleito para quatro anos e seria muita pretensão minha, muita veleidade, falta de humildade, dizer que vou resolver tudo em um ano e meio. Nenhum governo resolve tudo nesse tempo. Aliás, Mato Grosso não foi estragado, desrespeitado, vilipendiado, em um ano e meio. Mas, nesse período em que estamos no exercício do mandato, penso que já tenhamos iniciado o que chamamos de transformação. Primeiro, na forma de se administrar o Estado. Veja que era corrente no Estado que a corrupção grassava nas repartições públicas, apesar da honestidade da esmagadora maioria dos servidores, e neste Palácio, onde se escondia dinheiro em banheiro. E essa mudança já é uma transformação.

 

Mas a maior transformação que queremos fazer será entregue ao final do mandato. Lógico, algumas coisas já foram entregues. Por exemplo, a área de Segurança Pública teve grandes mudanças em relação a 2014. Na Educação, Saúde, Infraestrutura, também já é possível notar mudanças. A forma de relação do Estado com o cidadão também é diferente. Eu já conversei com a imprensa mais vezes em um ano e meio do que os outros governantes. O número de eventos com a participação da sociedade, dentro do Palácio Paiaguás, revela uma transformação. Agora, não fui eleito para um ano e meio, fui eleito para quatro e o que projetamos para Mato Grosso é para todo o mandato.

 

MidiaNews – No ambiente político, entretanto, há controvérsias. Há críticas que apontam que o ritmo de gestão estaria aquém do necessário, que a máquina estaria travada, com poucas licitações, e que a entrega na ponta, em especial no interior, não esteja sendo efetiva. O que tem a dizer sobre essas críticas?

 

 

Pedro Taques – Já ouvi essas críticas. E separo críticas em duas: existem críticas que são razoáveis e construtivas, e na democracia temos que aceitá-las. Mas existem àquelas das viúvas da administração passada, que perderam o leitinho. Essas pessoas têm que ficar preocupadas mesmo. Sou uma pessoa que quer fazer tudo no menor espaço de tempo, os secretários também, mas, infelizmente, a forma como encontramos a gestão pública de Mato Grosso, dificulta. E precisamos, claro, de uma curva de aprendizagem para que possamos fazer as entregas mais rápido.

MidiaNews – Com quais críticas o senhor concorda?

 

Pedro Taques – Por exemplo, o Intermat ainda não funcionou. Tive uma reunião esta semana com toda diretoria de lá, porque ela ainda não funcionou. Precisamos fazer funcionar. A Metamat também não mostrou a que veio. Para que gastar R$ 13 milhões por ano se não funciona?

 

MidiaNews – Como o senhor vê a Sema?

 

Pedro Taques – Penso que a Sema melhorou muito na administração da Ana Peterlini [ex-secretária] e com o vice-governador Carlos Fávaro [atual secretário]. As reclamações na Sema diminuíram e muito. Confio no trabalho que está sendo feito. Agora, há os que criticam porque perderam seus interesses, que não são republicanos.

 

MidiaNews – Admite que a gestão está mais difícil do que parecia antes?

 

Pedro Taques – Não. Eu não admito isso, porque já sabíamos como o Estado se encontrava e falei isso na campanha eleitoral. Mas, de lá para cá, a crise aumentou. E isso significa que o que antes você podia fazer, hoje não pode mais. Nós estamos vivendo a maior crise econômica da história do Brasil e quem está dizendo isso é o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A União diminuiu os repasses para todos os Estados do Brasil. Em determinadas áreas, como a do SUS, diminuiu em 90%. Temos 180 UPAs paradas no Brasil. Em algumas áreas, temos a União, Estados e municípios sendo parceiros na concretização de determinada política, a Saúde é uma delas, mas isso não tem sido feito. Outro exemplo da Saúde é que existem determinados remédios da Farmácia de Alto Custo que são fornecidos pela União, outros que a União fornece o dinheiro para o Estado comprar e remédios que o Estado tem que comprar. Hoje, falta a parte da União e do dinheiro. E nisso, sobra para o Estado e Município.

Mas eu já estava absolutamente consciente do que iríamos encontrar. No início da nossa administração, a cada gaveta aberta, tínhamos um esqueleto novo, e hoje, nem todos os esqueletos apareceram ainda. Todos nós sabemos o que foi a administração passada. Mas a crise econômica é fato e dificulta as entregas que poderiam ser feitas.

 

MidiaNews – Acredita que, daqui para frente, possa ser possível aumentar o ritmo, ou a tendência é que, em função dessa conjuntura econômica, continue nessa toada?

Pedro Taques – Acredito que o tempo de entrega é o mesmo de outras administrações. Eu acompanho de 10 a 15 governadores por dia. Acompanho as ações deles no Facebook, nos sites, para saber o que estou fazendo de certo, de errado, de que maneira podemos caminhar, e o que percebo é que é a mesma coisa no Brasil todo, porque esta é uma crise nacional. Mas, lógico, alguns Estados estavam com a máquina melhor organizada, a gestão também, o que faz com que andem mais rápido, ao contrário daqui. Nós tivemos que, em algumas áreas, iniciar do zero.

 

Apesar de tudo isso, na Segurança, por exemplo, fizemos o maior investimento da história, quase R$ 300 milhões. Na área de Inteligência, eram R$ 127 mil que encontramos para gastar em 2015, passamos para R$ 13 milhões, um aumento de 9000%. Isso tem uma repercussão. Além disso, chamamos 3.550 novos policiais. Não podem dizer que aí não houve transformação. Todos esses novos policiais, representam R$ 183 milhões a mais por ano na folha. Então, fiz uma opção que é a Segurança Pública, em detrimento da RGA e de outras categorias, porque isso desassossega mais o cidadão. Nos anos de 2012, 2013 e 2014, o Governo chamou 75 soldados para o Corpo de Bombeiros. Isso é uma vergonha. Nós já chamamos 450.

 

MidiaNews – Apesar dos investimentos, as estatísticas demonstram que a violência ainda é grande em Mato Grosso.

 

 

Pedro Taques – Crimes não podem ser combatidos somente com polícia, tem que ser combatido com a criação de oportunidades. E assim se diminuem os crimes patrimoniais. No Brasil, todos os crimes de roubo e furto de celular, saidinha de banco, cresceram. Estamos trabalhando isso com o programa “Emprega Rede”, para que as pessoas tenham empregabilidade, colocação no mercado de trabalho. E, paralelo a isso, tivemos 79% de queda de homicídios em Várzea Grande, passamos 20 dias sem ter assassinato na cidade vizinha da Capital. A média dos homicídios não é a única coisa importante, mas, sim, estancar o viés de crescimento e isso nós conseguimos. Cuiabá caiu 31%, Sinop 40%. Mas é fato que começa a ter migração para furtos, roubo, o que é da natureza do crime, quando se fecha o cerco em Várzea Grande, aumenta em Poconé. Para que isso mude, criamos ano passado as RISP (Regiões Integradas de Segurança Pública) para termos ações integradas entre as polícias. Em Cuiabá, colocamos três formas de fazer ocorrências, através da internet, dos carros e da Central. Isso faz com que a chamada Cifra Negra comece a aparecer. Mas estou reconhecendo que os crimes patrimoniais não diminuíram ainda.

Precisamos ainda de mais, e já autorizei 1.200 novos policiais militares, 100 novos bombeiros, 900 investigadores, 300 escrivães e 125 delegados de polícia. Mas isso tem um custo, porque apesar de Lei de Responsabilidade Fiscal colocar a Segurança como exceção, nós já estamos com 50,46% de gastos com folha, e isso impacta, por exemplo, no não-pagamento da RGA, na realização de outros concursos. E na Segurança tem um detalhe: se você tiver aqui todos os policiais de Nova York, mas ocorrer um crime gravíssimo, como a morte de um coronel em Sinop ou a morte de um estudante, traz a sensação de insegurança. E todo trabalho que você fez, em razão do psicológico, muda. Mas não estou aqui dando desculpas.

 

MidiaNews – Há algum segmento que lhe causa uma preocupação maior, uma angústia?

 

Pedro Taques – Não digo angústia, mas uma maior impaciência, que é a Saúde Pública. Em 2012, foi aprovada uma lei na Assembleia Legislativa que reduziu o repasse para a Saúde na atenção básica, primária. Esta redução trouxe um problema, porque temos a saúde preventiva e a curativa. Se esta primeira, que é a básica, for boa, diminuímos em 80% a saúde curativa. Em Lucas do Rio Verde, a cobertura da atenção básica é de 96%, Cuiabá é de 56%, em Várzea Grande é menor ainda. E, desta forma, você sobrecarrega a saúde curativa. Na campanha prometi revogar essa lei, apresentei um projeto no ano passado, que foi aprovado. Começamos a repassar mais valores aos municípios para atenção básica.

 

Em Cuiabá, há 31 anos não tinha a construção de um novo hospital. Começamos a construir esse novo hospital em Cuiabá no mês de julho de 2015, cinco meses depois de eleito. Esse hospital custará R$ 80 milhões, deve chegar a R$ 90 milhões a obra física, sendo que o Governo vai entrar com R$ 50 milhões e Cuiabá vai entrar com R$ 27 milhões. Por que outros governadores não fizeram isso? Para mim, isso é transformação.

 

MidiaNews – Na questão da Cultura, o que já foi feito?

 

Pedro Taques – Nós reformamos o Palácio da Instrução; trouxemos a Bienal de São Paulo, estamos tendo exposições no Salão Jovem Arte, que estava parado há oito anos; pela primeira vez o Museu está abrindo aos domingos; temos, ainda, a inauguração da Galeria Lava Pés e passamos a Secretaria de Cultura para cá; criamos os prêmios Mato-grossense de AudioVisual e de Literatura; criamos o CPF da Cultura e o Fundo da Cultura; fizemos o Vem pra Arena. Quer, dizer, isso é transformação.

 

MidiaNews – No cenário nacional, o senhor foi o primeiro a defender o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Isso trouxe consequências, como a diminuição dos repasses para Mato Grosso?

 

Pedro Taques – Não teve isso. Uma pessoa que chega à Presidência da República não libera recursos levando em conta o partido dos governadores. Todos sabem que não votei na Dilma nas duas eleições, que fiz campanha contra ela, mas não tenho um dado concreto para dizer que ela tenha prejudicado Mato Grosso em razão do meu posicionamento.

MidiaNews – Esse novo cenário, com Michel Temer no comando do país, e com a possibilidade de ser efetivado, há a expectativa de que Mato Grosso possa ser melhor prestigiado?

 

Pedro Taques – Sempre digo que, como Mato Grosso ajuda muito o Brasil, o país precisa olhar diferente para Mato Grosso. Tenho levado esse debate. Lá no Governo tenho grandes amigos, como o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, o ministro do Desenvolvimento Econômico, Marcos Pereira, colega de mestrado, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Enfim, não sei se ajuda, nunca fui situação. Mas a expectativa é que Mato Grosso seja visto, em razão da importância do nosso Estado. Mas melhorou porque não existia relação com a Dilma, nunca fui recebido por ela. Mas não vou acusá-la de prejudicar o Estado, porque não tenho nenhum dado concreto para fundamentar. Com o Temer tenho uma relação excelente. Liguei no domingo e depois ele me retornou a ligação.

 

MidiaNews – Acredita que o pior da crise já passou?

 

Pedro Taques – Em razão da ascensão de Michel Temer ao cargo de presidente, o dólar caiu, a Bolsa subiu, mas as pessoas estão em compasso de espera. Com a concretização do impedimento por meio do impeachment, a tendência é melhorar, porque a economia se fundamenta na confiança. E os indicadores econômicos já revelam isso. Claro, a crise é muito forte. São R$ 170 bilhões em déficit, algo inimaginável. O próprio Michel Temer disse, em um evento que eu estava presente, que medidas impopulares terão que ser praticadas.

 

Acesse o link e veja o video da entrevista completa com o governador: www.youtube.com/watch?v=0Z1JEafcJWU

 

 

 

Ramon Monteagudo E Douglas Trielli 
Da Redação

 

Comentários

Data: 12/07/2016

De: Luis Gonzaga Domingues

Assunto: Carga horária de Trabalho na Suécia

A Suécia reduziu a jornada de trabalho para 6 horas diárias; veja o que aconteceu 1 ano depois.
O bem estar da população é assunto sério na Suécia. Esforçando-se para se manter na vanguarda no que diz respeito aos direitos trabalhistas, a Suécia começou, em 2015, a testar reduzir a jornada de trabalho, de 8 para 6 horas diárias, sem redução de salário. E os resultados começaram a aparecer.
Passado um ano, as autoridades garantem que o saldo é totalmente positivo: redução de faltas, maior produtividade e melhora até mesmo na saúde dos empregados. “Tivemos 40 anos de uma semana de trabalho de 40 horas. Hoje temos uma sociedade com índices mais altos de faltas por motivos de saúde e de aposentadoria antecipada”, afirma Daniel Bernmar, líder do Partido da Esquerda na Câmara Municipal de Gotemburgo, responsável pelo experimento. Daniel espera em breve instituir oficialmente a nova carga.

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Algumas empresas tiveram de contratar novos funcionários, mas a maioria garantiu que o aumento da produtividade compensou o horário menor.
“Pensamos que a redução da semana de trabalho nos obrigaria a contratar mais funcionários, mas isso não aconteceu, porque todo mundo está trabalhando de modo mais eficiente”, disse Maria Brath, fundadora de uma startup em Estocolmo, que há três anos dobra sua receita e lucro anualmente – e o mesmo se deu com a jornada reduzida.
Empregados da Toyota em Gotemburgo garantem estar mais felizes, assim como seus patrões, pois o rendimento da empresa subiu em um ano. A jornada reduzida não é novidade no Suécia – somente um por cento da população trabalha mais de 50 horas por semana. Segundo as autoridades, não só a jornada menor como a flexibilização dos horários são o futuro do trabalho – ao menos na Suécia, um raro país onde o futuro parece sempre estar de fato logo ali.
E o PSDB quer aumentar a carga do escravo brasileiro.

Data: 12/07/2016

De: Luis Gonzaga Domingues

Assunto: luisodomingues@hotmail.com

Tem muita diferença entre tentar ser franco e não cumprir a
Constituição Federal. Faltou com a ética, portanto podemos dizer que é incompetentes. Os cientistas políticos chamariam o mesmo de corrupto. Juiz que não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal como foi divulgado no Site da Gazeta deve ser um "psicopata", conforme texto citado no mesmo órgão de informação de Cuiabá. Esse é o tal do político sem ideologia. Não sabe o que fala para o povo, mas consegue enganá-lo.

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