12/08/2016 - Corregedor vê transgressão de policiais em abordagem a caçadores de Pokémon em Cuiabá;

12/08/2016 - Corregedor vê transgressão de policiais em abordagem a caçadores de Pokémon em Cuiabá;

Os dois jovens que foram agredidos física e verbalmente em frente à sede da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil instalada no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá, na madrugada do dia 9, já prestaram depoimento ao delegado corregedor da Polícia Civil, Geraldo Magela, designado para apurar o caso. 

O episódio de ‘abordagem’ foi registrado em vídeo que foi replicado por meio de aplicativos celulares.Os dois adolescentes estavam caçando ‘Pokémon’ em frente à delegacia e foram flagrados por dois policiais. As imagens revelam que a dupla é obrigada a deitar no chão e sofre uma série de  humilhações, na sequência. As cenas gravadas evidenciam o preconceito com a aparência de um dos  rapazes. Na gravação um policial de chinelo grita palavras de baixo calão e pergunta se as vítimas “querem morrer.” 
 
Para subsidiar o processo, segundo o delegado corregedor, foram colhidos termos de declaração dos jovens. Na sequência, ele irá requisitar a listagem de servidores de plantão na data do fato para que sejam ouvidos no procedimento investigatório.
 
“Vamos apurar com respeito aos policiais e as vítimas, mas com firmeza. No mínimo, será aberta uma sindicância já que está claro que houve transgressão disciplinar”, disse. Ele ainda explicou que a medida poderá evoluir para um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), cuja penalidade máxima prevista é a exoneração do cargo público.
 
Os pais de um dos jovens agredidos denunciaram o caso à imprensa  e ponderaram quanto ao direito de ir e vir de qualquer cidadão, que deve ser respeitado.
 
“Não se trata de uma revolta seletiva da classe média, de uma indignação só porque é com meu filho. Não importa quem seja. Eles não poderiam agir assim, com crueldade, brutalidade. Mesmo se fosse um bandido, as pessoas tem direitos que asseguram a sua integridade, a dignidade humana. Eram dois jovens que não representavam perigo nenhum, o policial podia ter tido uma conversa de outra natureza, no entanto optaram por jogá-los no chão e colocá-los nessa posição vulnerável”, pondera a mãe de um dos rapazes, Imar Queiroz, que é  professora na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e integra o Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e da Cidadania (Nievici). 

Acessa o link e veja o vídeo: www.youtube.com/watch?v=rN9B6UYZsc8

 

 

Da Redação - Patrícia Neves

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