12/09/2016 - Mulheres são 80% do quadro de professores nas cadeias

Mulheres são 80% do quadro de professores que atuam dentro do sistema prisional de Mato Grosso. A Escola Estadual Nova Chance atende 34 municípios do Estado e 40 unidades prisionais. São 123 salas de aulas com 2.593 alunos e 116 professores, sendo que apenas 5 são efetivos. Os demais são contratados e não recebem qualquer tipo de benefício financeiro pelo fato de atuarem em cadeias ou penitenciárias.

O diretor, Paulo de Oliveira Júnior, lembra que em agosto a Nova Chance completou oito anos de implantação. Em comemoração se instala em novo prédio que dará mais autonomia, junto a sede da Escola Nilo Póvoas em Cuiabá. O local é o ponto de referência administrativa do projeto, que existe de fato dentro de cada unidade prisional. Mas serve como ponto de apoio, para os pedagogos e estudantes.

Como avaliar os resultados do ensino para um público do sistema onde dados apontam 80% de reincidência e retorno pela prática de novos crimes. A dificuldade em trabalhar com número de alunos extremamente flutuante, pelo próprio “entra e sai” das cadeias.

Mas a ideia, como aponta o nome da escola, é dar uma nova chance a quem quer aproveitar a oportunidade. Mas além de se candidatar para o trabalho, o profissional que vai atuar junto aos reeducandos é conscientizado sobre a realidade dentro dos presídios e passa por uma avaliação, antes de assumir a função.

Foram os passos seguidos pela professora Edilaine Maria Mendes de Oliveira, 46, casada e mãe de dois filhos, que há quatro anos atua na unidade prisional masculina de Araputanga (345 km ao oeste). Iniciou como professora substituta de outra colega que entrou em licença maternidade.

O que era para ser serviço temporário se estendeu até hoje. Não pensa em deixar a escola, apesar de no início marido, filhos e familiares se mostrarem apreensivos em relação ao novo trabalho.

Admite que ao conversar com outros colegas que atuam na rede regular de ensino, vê que os problemas de disciplina enfrentados por eles com os alunos são muito maiores. Principalmente em relação aos adolescentes. Ao contrário dela, que experimenta uma relação de respeito profundo de alunos com professores.

“Nas escolas regulares, infelizmente, os alunos apesar de atitudes extremamente desrespeitosas com professores e funcionários, acabam ficando impunes. Já, nas unidades as regras são rígidas e a punição também. Por isso os professores não enfrentam problemas”, enfatiza.

Outra características dos alunos, no caso dela só homens, é o interesse por aulas que instigam a criatividade. Tanto de forma teórica e prática. São abertos a novas experiências, envolvendo propostas que envolvem artesanato e as artes, salienta Edilaine, que se considera uma profissional realizada.

Uma das dificuldades é a carga horária, já que em decorrência de procedimentos de segurança das unidades, acaba reduzida, informa o diretor. A ideia de que os presos estão muito tempo ociosos e por isso as aulas poderiam ter uma duração mais longa não se concretiza. As regras a serem cumpridas de horários de banhos de sol e outros remanejamentos, acaba tornando curtos os períodos em salas de aula.

Mas ao longo dos últimos anos, os resultados vem surgindo, de forma gradativa. O destaque tem sido para reeducandos das unidades prisionais de Rondonópolis e Primavera do Leste (212 e 231 km ao sul, respectivamente), cita Paulo Oliveira.

Tanto que reeducandos destas unidades, avançaram em seus ensinos e conquistaram na Justiça direito de deixar as unidades, com escolta, diariamente, para frequentarem salas de aula em curso superior. Só em Primavera são sete reeducandos beneficiados.

A expectativa, segundo o diretor, é de ampliar ainda mais a ação da Nova Chance, chegando a mais seis unidades prisionais ainda este ano.

 

 

Silvana Ribas, Redação do GD

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário