12/11/2015 - Forças de segurança planejam desbloqueio da BR-174

O comando das forças policiais em Pontes e Lacerda (448 km da capital) realizou uma reunião estratégica na nesta-feira (11) com integrantes da Secretaria de Segurança Pública, Defesa Civil de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Ordem dos Advogados do Brasil e Ministério Público do Estado no município para definir sobre a desobstrução da BR-174, que está fechada desde as 17h de terça-feira (10).

De acordo com o coronel Alberto de Barros Neves, responsável pelo comando da Polícia Militar na região, a atuação efetiva das forças de segurança do Estado deve acontecer após a notificação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao comando da Sesp, em Cuiabá, já que é uma estrada federal. “Nós já enviamos um ofício que relata a atual situação na rodovia e estamos prontos para atender em parceria na desobstrução de forma ordenada e pacífica, neste momento estamos acompanhando de perto para que não haja nenhum dano material e físico aos manifestantes ou à população”. Ele afirma que entende que os garimpeiros têm o direito a se manifestar, mas, que a população também tem o direito constitucional de ir e vir. Além da Polícia Militar, as forças de segurança do Estado na região também contam com a Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

Para o promotor de Justiça de Pontes e Lacerda, Paulo Alexandre Colucci, a reunião foi importante para que as forças de segurança estivessem todas unidas para montar a melhor estratégia para contorna a situação e evitar maiores transtornos. “Mesmo que a ação civil pública seja do Ministério Público Federal, por se tratar de um minério e âmbito do governo federal, nós estamos oferecendo todo o suporte já que o município está um pouco distante de Cáceres.”

Próximo ao horário do almoço e final da manhã, o congestionamento já chegava a mais de 15 quilômetros ao longo da estrada, na entrada para o município, onde se encontram carretas com alimentos e cargas vivas. Todas as vias de acesso, mesmo dentro de propriedades rurais, continuam bloqueadas pelos manifestantes que estão alterados e desorganizados. Segundo o tenente Wallenstein Maia, o Corpo de Bombeiros está a postos para qualquer eventualidade, já que os manifestantes ameaçaram atear fogo. “Nós tivemos relato de que eles pretendem colocar fogo em pneus e veículos, estamos atendendo ocorrências de embriaguez e mal súbito.”

Um motorista que estava vindo de Rondônia para Mato Grosso e que não quis se identificar tentou furar o bloqueio por volta das 12h desta quarta-feira, mas foi impedido pelos manifestantes. Ele estava preocupado porque os animais se encontram há mais de 20 horas sem se alimentar e sem água. “Estou há pouco mais de 80 km do destino da carga, mas não me deixaram passar. Eles atacaram o caminhão, estou muito preocupado, já que o prazo máximo de permanência em transporte é de 72 horas.”

O caminhoneiro Paulo Freire, de 56 anos, está desde as 16h de terça-feira parado, aguardando a situação se normalizar, veio de Curitiba para o Acre trazer eletrodomésticos e está de passagem por Mato Grosso. A mesma situação enfrenta Denir Matos, de 65 anos, que trabalha para a indústria moveleira e foi de Porto Alegre para Boa Vista levar um carregamento e agora precisa voltar. “Não temos coragem de avançar, estamos aguardando a situação se acalmar.”

Visivelmente embriagado, o garimpeiro N.C., de 50 anos, que é da Bahia e trabalha ná mais de 30 anos com garimpo no Pará, disse que os manifestantes não pretendem se retirar da cidade enquanto não obtiverem autorização para voltar ao garimpo para extração do ouro. “Não é justo a gente liberar essa riqueza apenas para grandes empresas enriquecerem, o povo também quer usufruir do ouro, não pretendemos sair da rodovia.” Ele integra um grupo de pelo menos 130 homens estava na BR obstruindo a passagem dos veículos, apenas ambulâncias estão autorizadas a passar. Aparentemente não havia uma liderança.

Mobilização

No local da obstrução, na BR-174, um grupo de cerca de 130 garimpeiros ingeriam bebida alcóolica e realizavam um grande churrasco para garantir a manutenção do ato. Já equipados com um carro de som eles gritavam palavra de ordem e soltavam fogos, garantindo que não sairiam do local e exigindo que pudessem voltar à área do garimpo que passou por um processo de desintrusão, seguindo ordem da Justiça Federal expedida no dia 19 de outubro, que determinava a retirada de todos da Serra do Caldeirão. 
Durante o processo que foi realizado entre domingo e segunda (8 e 9), houve a prisão de 10 pessoas por porte ilegal de ouro, conforme a Polícia Federal. Apesar da movimentação na rodovia, a população da cidade está aparentemente calma. 

 

 

Rose Domingues, redação Sema/MT

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