13/01/2015 - Seduc fará cortes nas "áreas meio"; Taques quer combater analfabetismo

O governador Pedro Taques (PDT) reconheceu que é preciso reduzir o quadro de contratados na secretaria de Educação, hoje em 60%, e deve promover demissões. Segundo ele, Mato Grosso é o terceiro Estado do país com 60% de pessoal nessa condição. “Precisamos cortar gastos e manter o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

 

Até o final do mês, o secretário da pasta Permínio Pinto (PSDB) deve encaminhar ao Palácio Paiaguás a lista das admissões que permanecerão. O número de servidores que atuam nas chamadas “atividades meio”, como infraestrutura e tecnologia da informação, deve ser reduzido pela metade. Atualmente, o quadro seria de aproximadamente 200 profissionais. “Gastou-se muita energia e não tivemos eficiência nas ações”, disse Permínio. “Nada contra esses servidores mas construir prédios é a área meio e não a finalidade da Seduc, que é, sobretudo, o ensino”, completou Taques. O secretário revelou que, de acordo com levantamento prévio, cerca de 15% dos gastos com esse perfil foram desnecessários.

 

Já os servidores da área pedagógica devem ser priorizados e serão mais capacitados e fiscalizados. “Deve ter foco em sala de aula, cumprir carga horária e passar conteúdo das disciplinas”, afirmou o gestor. A pasta deve contar com orçamento neste ano de R$ 1,9 bilhão, valor que está praticamente comprometido com folha de pagamento. A administração também estaria empenhada na aprovação do dispositivo legal que prevê a redução de cargos DGA de 115 para 64. 

 

Todas essas medidas foram anunciadas na visita realizada pelo governador à pasta nesta manhã (12), quando foi realizada uma audiência com o secretário e servidores ligados ao gestor por aproximadamente 1h30. Depois, seguiram para o auditório quando falaram sobre as principais ações. Em seguida, ao responder questionamentos da plateia, referentes ao quadro insuficiente de servidores, inexistência de formação continuada e ao fomento às políticas indigenista, de diretos humanos e de alimentação escolar, além de se comprometer em promover melhorias, o governador pediu contrapartidas dos servidores especialmente ligadas ao empenho no desenvolvimento das funções. “É preciso sair da inércia. A escola é a cara da administração e só vai mudar o que está aí com a ajuda e colaboração dos servidores”. 

 

Também convidou representantes dos movimentos estudantis para debater a qualidade do ensino. A participação da sociedade também deve ser estendida por meio dos Conselhos e Fóruns. “Vamos humanizar o sistema. Precisamos de unidades mais inclusivas”, apontou Taques. “Até 31 de dezembro de 2014, a administração esteve de costas à sociedade e à unidade escolar. Vamos refazer essa relação”, acrescentou Permínio. O pedetista prometeu ainda retomar os debates acerca do modelo ciclado e da “aprovação automática”. Taques ainda se comprometeu em buscar mecanismos que unam conhecimento, tecnologia e inovação. 

 

Taques fez questão de lembrar o desempenho da educação mato-grossense no IDEB, quando “conquistou” a segunda pior colocação do país, assim como criticou os índices da evasão escolar e reprovação. “É vergonhoso. A educação de Mato Grosso não vai bem”.

 

Para mudar esse quadro, além das atividades previstas na Seduc, o pedetista lembrou que a redução dos 7,8% do analfabetismo aos cidadãos com idade acima dos 15 anos está entre os projetos prioritários do Gabinete de Projetos Estratégicos, sob responsabilidade de Gustavo de Oliveira. “Precisamos superar essa chaga, essa doença”.

Mais uma vez, o pedetista garantiu que essa gestão não fará “devassa” e nem “caça às bruxas” mas que o corte de gastos e o combate à corrupção também nortearão a administração da pasta. “Vamos fazer mais por menos. Sabemos que existem pessoas que têm comichão pelo dinheiro público”, reconheceu Taques. Mesmo diante das dificuldades, o governador garantiu que o ano letivo começará em 09 de fevereiro. As mudanças, no entanto, só serão sentidas no final de 2016. “Não faremos mudanças da noite para o dia”.

 

A próxima visita do governador seria à Arena Pantanal ainda nesta semana, que destacou o abandono do local. O processo de concessão do espaço ainda está sob estudo e reconhece que é preciso ofertar atrativos às empresas. “Se a pessoa jurídica que recebeu o Maracanã está revisando os valores porque lá não é superavitário, imagine a Arena Pantanal”, comparou.

 

 

Talita Ormond

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