13/08/2016 - Agora é tempo de Dom Pedro Casaldáliga

13/08/2016 - Agora é tempo de Dom Pedro Casaldáliga

Nas mãos calejadas, ele traz sempre um anel de tucum. Feito de uma palmeira da Amazônia, diz que marca a sua aliança com os oprimidos. Sua vida e suas lutas estão retratadas em peça escrita a duas mãos, por Luiz Carlos Ribeiro e Flávio Ferreira.

Pedro nunca mais irá embora. Pedro permanecerá sempre na nossa memória, pois agora está em livro... de arte. A ARTE, a literatura, a poesia, muito das vezes, com suas metáforas e elipses contam mais a verdade que as narrativas dos livros nas estantes das bibliotecas. O livro “Fica, Pedro”, de Luiz Carlos Ribeiro e Flávio Ferreira entra agora para distinto rol dos grandes livros mato-grossenses.

O livro, vamos dizer assim, é o registro documental da peça teatral “Fica, Pedro!”, escrita inicialmente por Luiz Carlos Ribeiro e concluída por Flávio Ferreira, dois profissionais que tem uma carreira senão semelhante, mas de perfis semelhantes. Os dois são advogados, os dois gostam do teatro e fazem teatro e juntos montaram a peça em homenagem a Dom Pedro Casaldáliga.

A gênese do texto tem aquilo que costumamos dizer: a antena da intuição estava ligada. LCR conta que já conhecia Dom Pedro desde 1980, mas precisamente no dia 31 de janeiro de 1980, dentro de um teatro, em Goiânia, após a apresentação da peça “Rio Abaixo, Rio Acima – Ergue o mocho e vamos palestrar – de Glorinha Albuês, que encerrava a sua participação no projeto Mambembão. Lógico, Luiz Carlos Ribeiro já acompanhava a trajetória de Dom Pedro de sua atuação no Araguaia.

Em 2007, conta LCR, estava ele em sua mesa de trabalho, sobre a mesma uma revista “que nem vou falar o nome dela – que não leio, não gosto dessa revista”, destaca. Era um exemplar novinho em folha e ele pega a revista para jogar no lixo – que é o melhor lugar para tal panfleto – mas aí veio a ‘aquela coisa’ que disse que não deveria jogar, não podia ficar sem ao menos dar uma passada de olho. Foi o que fez LCR e nas últimas páginas, uma matéria que perguntava algo como “aonde a igreja vai jogar o seu velho bispo”, que falava da aposentadoria de Dom Pedro.

A igreja, claro, vivia um drama. Dom Pedro, da Prelazia de São Felix do Araguaia, estava se aposentando e a igreja mandou um emissário para contornar o problema, pois não queria Dom Pedro na prelazia “para não constranger” o novo bispo. A matéria fazia ainda uma porção de questionamentos sobre a saúde, e perguntava em que asilo a igreja iria mandar internar Dom Pedro... Ali, viu o dramaturgo, estava o mote pra um trabalho. Na mesma hora LCR arranca a página e ‘guarda’ o resto no lixo que sempre – ontem, hoje e amanhã – será o lugar ideal desse semanário que há anos deixou de fazer jornalismo.

Depois da leitura da matéria, Luiz Carlos Ribeiro conta que começou a fazer a pesquisa, com leituras das obras de Casaldáliga, para escrever sobre a vida desse clérigo, nessa parte contando com a colaboração de Therezinha Arruda, que lhe emprestou obras de seu acervo particular.

A ideia era escrever um texto biográfico misturado com a poesia do próprio Dom Pedro. E como advogado começou a trabalhar o texto como uma peça de acusação. A definição “libelo dramático” quem deu foi o próprio Dom Pedro assim que terminou a leitura.

Voltando, um pouco antes. Luiz Carlos Ribeiro escrevia o texto, na outra ponta o diretor e produtor de teatro Flávio Ferreira estava à caça de um texto para encenar. “Luiz, por favor, preciso de um texto original”, ao que respondeu: “Eu tenho um texto inédito que precisa ser concluído, já que a personagem central está viva e temos que falar com ela e ao mesmo tempo checar as informações”. No outro lado da linha: “Quem é?” A resposta de pronto: “Trata-se de Dom Pedro Casaldáliga”. Flávio Ferreira entusiasmado manifestou sua concordância. “Nossa Senhora, nós vamos lá”.

Flávio organiza uma excursão com o grupo para mostrar o trabalho ao bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia. Luiz Carlos não pode viajar por conta de uma cirurgia, mas o autor do texto recomendou. “Você peça as benções do Dom Pedro e ele pode fazer o que quiser – contar, emendar ou rasgar”. Recado dado e depois da leitura, dois dias depois a confirmação. “Não vai contar nada, apenas acrescentar mais algumas informações”, que foram desenvolvidas cênicamente pelo próprio Flavio Ferreira.

Segundo LCR, Dom Pedro acrescentou mais detalhes sobre a morte do padre João Bosco Penido Burnier.

Para quem não tá lembrado, o ano era 1976, auge da ditadura militar, então comandada pelo general-ditador Ernesto Geisel. João Bosco Penido Burnier e Dom Pedro vão até Ribeirão Cascalheira, então Ribeirão Bonito, e lá encontram uma situação com as duas mulheres presas – nora e irmã de um sitiante que em defesa de seu filho matou um soldado da região, que tinha jurado de morte o filho do sitiante. As duas estavam sendo torturadas para confessar o paradeiro do velho sitiante.

A comunidade celebrava a novena da padroeira N. Sra. Aparecida. Os dois - Pedro e João Bosco - foram interceder pelas mulheres torturadas. Quatro policiais estavam esperando e foi possível apenas um diálogo de minutos e um soldado, Ezy Ramalho Feitosa, desferiu um soco no rosto do padre, uma coronhada e tiro fatal. O padre João Bosco agonizou e morreu no dia seguinte em um hospital em Goiás.

Por conta dessa tragédia, de cinco em cinco anos a Prelazia de S. Félix do Araguaia realiza a Romaria dos Mártires, quando é apresentada uma peça teatral para contar aos jovens como aconteceu a tragédia. Neste ano de 2016, 40 anos da morte do padre Burnier, o recorte da peça da morte foi apresentada pelo grupo Cena Onze, comandado por Flávio Ferreira.

Voltemos ao livro. Com os detalhes apontados por Dom Pedro, com Luiz Carlos convalescendo, Flávio Ferreira ‘costura’ o restante do texto e fica como coautor da peça que seria montada em 2010, e ficaria em cartaz por três meses no teatro da TVCA. A ideia do livro ainda não estava formatada. Ela começa a aparecer quando Luiz Carlos vai fazer um curso de teatro espanhol barroco, no Centro Cultural da Espanha, financiado pela Embaixada, e no encerramento do curso vem a Cuiabá o adido cultural para falar da cultura espanhola. LCR foi apresentado ao diplomata e na conversa fala do texto sobre Dom Pedro e o espanhol se entusiasmou e acertou uma possível tradução, que veio acontecer com uma edição artesanal de apenas 300 exemplares do texto também traduzido.

Dessa edição artesanal, veio a ideia de fazer um livro que, além de textos, teria fotos das apresentações. O projeto foi aprovado pela Secretaria de Cultura do Estado, que liberou uma parte dos recursos, quando chegou nas mãos de Maria Tereza Carracedo ela recusou-se a fazer uma simples brochura que aquele dinheiro permitia, apresentou um projeto editorial gráfico que os dois autores toparam e agora estão se desdobrando para financiar o restante da obra.

É uma edição belíssima, sem dúvida, com textos de apresentações de Leonardo Boff, do professor ex-reitor da Unemat, ex-secretário de Educação, Carlos Alberto Reyes Maldonado, já falecido, e de Marília de Beatriz Figueiredo Leite, presidenta da Academia Mato-grossense de Letras.

Luiz Carlos Ribeiro conta que o lançamento ‘oficial’ aconteceu no último dia 15 de julho, no Santuário dos Mártires da Caminha, a igreja que foi erguida no mesmo local da delegacia, lá no Araguaia. Essa apresentação e lançamento foi um pedido de Dom Pedro. Observação, foram vendidos 100 exemplares, um fato que chega a ser inédito, pois livro não é pra qualquer um.

O segundo lançamento será em Cuiabá, claro, provavelmente na Academia Mato-grossense de Letras, assim que a mesma reabrir, em setembro. Vamos ficar na torcida. Fica Pedro! - Dom Pedro Casaldáliga, bem entendido.

 

 

 

João Bosquo - Diário de Cuiabá

Comentários

Data: 19/08/2016

De: Luis Gonzaga Domingues

Assunto: luisodomingues@hotmail.com

o tal patrão além de não escrever o nome, o mesmo escreve muito mal. Porque será que esse senhor não explicação para o Senhor neoliberal Fernando Henrique Cardoso/PSDB e para o ex-ministro do STF Joaquim. Aliás, eu estava me esquecendo que nessa época o governador do Estado de Mato Grosso era Dante de Oliveira. É lógico que essa máfia não ia propor que terras do Estado Brasileiro da Suiá-Missú voltasse a ser uma área dos seus próprios originais. Na verdade foi a justiça que determinou que as terras voltassem a ser propriedade do governo Federal.
O senhor Patrão deve estudar um pouquinho. Faça que nem eu fiz ao longo da via. O D. Pedro não juiz de Direito, portanto ele não pode assinar documentos liberando terras para nenhum grupo social ou pessoa. Pede para o Filemom, Juiz Manuel e o prefeito atual de São Félix.

Data: 16/08/2016

De: Felix

Assunto: A verdade veio a tona, Fica Pedro

Bom dia a todos! É isso ai Luiz Gonzaga vc falou tudo completou o que eu ja tinha adiantado.

Data: 15/08/2016

De: Luis Gonzaga Domingues

Assunto: luisodomingues@hotmail.com

O tal "olho vivo" e outros que não colocaram são uns verdadeiros covardes e desinformados. Com certeza estão com o lugar lá no quintos dos infernos. Vão estudar.

Data: 15/08/2016

De: Luis Gonzaga Domingues

Assunto: luisodomingues@hotmail.com

Quanto analfabetismo histórico, político, teórico e funcional de todos que escreveram acima. Já escrevi várias vezes nesse saite abordando esse tema. Essas terras sempre foram ocupadas por povos de origem asiática( os índios não de origem indiana, ou seja, da Índia). Historicamente os colonizadores foram adentrando em direção ao oeste do Brasil e ocupando as terras desses povos e matando-os.
Os governos(representantes dos ricos colonizadores) que se instalaram no país foram incentivando a ocupação das terras do Araguaia, sendo que mataram a maioria dos povos da região. Desde Getúlio Vargas até o governo de Fernando Henrique foram desenvolvidos programas e projetos para retirarem a população Xavante, Karajá, etc., e entregar as terras aos latifundiários. Após o ano de 1850 com a lei de terras os brancos foram se apossando das terras brasileiros e excluindo o negros e índios. As terras da região foram doadas a um grupo Italiano e no ano na década de noventa o mesmo grupo devolveu as mesmas para o governo Fernando Henrique Cardoso. Portanto, D. Pedro não tem nada haver com essa questão, mas o governo da época e Juiz Joaquim Barbosa que assinou o documento devolvendo-as ao estado brasileiro.
Quem invadiu inicialmente as terras foram os fazendeiros e logo após realizaram um movimento para atrair pessoas sem terra para região com objetivo de justificar sua ocupação. Todos sabem que a população chamada indígena não possui terra no Brasil em seu nome, pois são propriedades pertencente ao Governo Federal. O Brasil é país que possui a maior concentração de terra nas mãos de poucos latifundiários na Terra.
Vamos ler e caso não tenha frequentado uma escola procure estudar na EJA. Parem de falar besteira. D. Pedro é pessoa nas Igrejas do mundo que vive um vida super simples. Ainda existem latifundários querem matá-los. Que vergonha. Todos irão para o quinto dos infernos, por que no primeiro já vivemos.

Data: 16/08/2016

De: patrao

Assunto: Re:luisodomingues@hotmail.com

mentirosos vc tirão nos do posto da mata para criar o parque axa Araguaia Xingu amazonas. axa so que vc vao ter o seu

Data: 15/08/2016

De: a verdede veio a tona

Assunto: posto da mata

Parabenizo os escritores do livro Fica Pedro! Pessoas de outras regiões são conhecedores da realidade existente em nossa região enquanto pessoas sabedoras da realidade ficam se fazendo de vítimas depois de desfrutar de terras que não os pertenciam!!! Todos sabem que essas terras sempre pertenceu ao Índios, e D. Pedro sempre repetiu isso. O que acontece é que temos um órgão incompetente chamado FUNAI que não tomou providencia antes, deixou todo mundo entrar apoiado por políticos incompetentes da região e pressionados por fazendeiros aí deu no que deu. Pq a FUNAI não entrou quando a fazenda devolveu as terras para o governo? Segundo estou sabendo o governo deu prazo de quase 5 anos para sair porque não saíram, agora vem com lero-lero! tenha paciência!!!.

Data: 14/08/2016

De: OLHO VIVO

Assunto: UM FALSO PROFETA & JUDAS

O próprio tempo apagou de nossa memoria a imagem dessa pessoa que se dizia defensor dos pobres, que na hora da luta e de nos defender, para que nos não fosse retirado do assentamento do posto da mata ele se acovardou pedindo refugio em outro estado. Pedro você é um COVARDE.

Data: 14/08/2016

De: posto da mata

Assunto: morador

dom pedro casaldaliga !? ,o na trajetória dele no vale do Araguaia teve muitas mortes, provocadas por , Dom pedro casaldaliga como retiradas dos povos do posto da mata, que muitos viera-o a morrer , ele não veis o seu papal de um homem de DEUS como um crista .

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