13/09/2013 - Motorista de MT acredita ser pai de Cássio, goleiro do Corinthians

O jeito de jogar, de falar, a aparência física e muitas outras coincidências são motivos que levam o motorista Altenir Chiapetti, 47 anos, morador de Juína, uma pequena cidade do noroeste de Mato Grosso (735 km de Cuiabá), desconfiar que seja o pai biológico de um dos mais importantes goleiros da atualidade, jogador de um dos maiores times do Brasil: Cássio, do Corinthians.  Em uma entrevista ao jornalista Ivan Pereira, da Rádio Band FM de Juína, Altenir deu detalhes de sua vida, marcada por sentimentos de culpa, saudade e dúvida: onde andaria um de seus filhos que teve quando ainda era muito jovem?
 
Alternir relatou que em meados dos anos 80, época em que prestou serviço militar na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná, teria tido um caso amoroso com uma bela moça que trabalhava na Vila Militar, na casa de um general. Apesar de não se lembrar do nome, ela teria sido o primeiro amor da sua vida. Como o regimento interno da corporação militar era muito rigoroso, o então soldado Chiapetti, como era conhecido, foi obrigado a mentir para a mulher seu próprio nome, com medo de represália de seus superiores hierárquicos. Teria dito se chamar Cássio ao invés de seu verdadeiro nome.
 
O motorista Altenir informou à reportagem que também foi goleiro na equipe do quartel e que passado certo tempo foi procurado pela mulher que afirmou estar grávida dele e ele, sem condições financeiras, não teria podido ajudá-la. “Quando arrumei o dinheiro e fui atrás, ela já tinha saído da casa do general e não tinha me deixado nenhum endereço, daí em diante nunca mais soube por onde ela estava”, explicou.
 

Desnorteado, o paranaense saiu de casa em busca de novos rumos. Alguns anos depois, se mudou para Rondônia e em seguida para Mato Grosso onde passou a ganhar a vida na boleia de um caminhão. “Em todos esses anos, nunca perdi a esperança de encontrar meu filho. Percorri mais de 23 estados procurando por ele, mas não tive informações suficientes”.
 
Contou o caminhoneiro que, através de orações, teria recebido uma luz divina e passou a acreditar que seu filho poderia estar mais perto do que imaginava. “Quando eu o vi jogando, me chamou atenção pela atuação dele, o jeito de se posicionar, as defesas. Quando ele estava na Libertadores comecei a sentir uma angústia maior e falar que ele era meu filho, foi quando descobri que ele não conheceu o pai”, relatou com os olhos lacrimejando.
 
Agora Altenir quer ter a oportunidade de realizar um sonho: descobrir se, de fato, o goleiro Cássio é o filho que tanto procurou. Mesmo sabendo que o goleiro já declarou não ter interesse em conhecer o pai, ele faz questão de descobrir a verdade, pois procura ser perdoado: “Tenho culpa da mentira, de não lembrar o nome da mãe dele, mas não fui covarde de não procurá-lo. Muitas pessoas vão dizer que agora que ele é famoso o pai quer aparecer. Eu não quero nada dele de bens materiais, pois tudo que ele tem foi conquistado com muito sofrimento, eu sei disso”.
 
Perguntado se ele estaria preparado caso um possível exame de DNA resultasse negativo Altenir, que hoje é evangélico e tem três filhos biológicos e um adotivo, foi categórico. “Estou preparado, mas eu preciso tirar essa dúvida. Confirmado, quero pedir pra Deus continuar abençoando ele, que me perdoe para que eu possa ter paz de espírito”, finalizou.
 
A assessoria de imprensa do Corinthians, em contato, não se manifestou sobre o caso. 
 
Ivan Pereira | Band FM Juína