13/10/2012 - Polícia Civil encontra filhos desaparecidos há mais de 35 anos

O mês de setembro fechou com o registro de 50 pessoas localizadas de  67 comunicações de desaparecimento. A maioria dos desaparecidos, 39, está na faixa de zero a 17 anos e 27 na fase adulta de 18 a 64 anos. O mesmo percentual segue para os localizados. Foram 33 pessoas de zero a 17 anos e 16 pessoas acima de 18 anos

Dentre as estatísticas de pessoas localizadas pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), está dois irmãos de 37 e 38 anos, cuja mãe perdeu contato com eles ainda quando eram crianças, a menina com de 1 ano e o menino aos 3 anos de idade.

 
A história de desencontro dessa família, começa em 1975, quando o casal Maria Lina Paula de Castro, hoje com 61 anos, e Nicássio Sales da Silva, viviam com três filhos, na zona rural do município de Cáceres (225 km a Leste). Após uma briga com agressões físicas a mulher, o marido sai de casa carregando os dois filhos menores, Maria Luisa Castro da Silva e Pedro Castro da Silva para a cidade de Araputanga (345 km a Leste), onde registra novamente os filhos agora apenas com seu sobrenome, passando os filhos a se chamarem Maria Luisa Sales da Silva e Pedro Sales da Silva.
 
Algum tempo depois, o pai muda-se com os dois filhos para o Estado de Rondônia, perdendo a mãe, totalmente contado com os filhos. Começa aí a luta da mãe Maria Lina Paula de Castro para reencontra os filhos. Ela conta que até ficou internada em hospital psiquiátrico de tanto sofrimento. Mas nunca deixou de procurar pelos filhos. “Aqui (DHPP) foi minha última alternativa”, disse aos policiais quando foi na unidade  procurar os filhos.
 
Com poucas pistas e sem saber que o casal de filhos não usava mais o sobrenome da mulher, os policiais  passaram a fazer diversas buscas via sistemas de informações e se deslocaram até a cidade de Araputanga, onde ainda moram dois tios dos desaparecidos. Lá, os investigadores descobriram que os dois procurados estavam com nomes diferentes e tinham, ainda criança, se mudado com o pai para a cidade de Cabixi, em Rondônia.
 
Em contato com a Delegacia da Polícia Civil local, os policiais descobriram um boletim de ocorrência, de alcoolismo, contra o ex-companheiro de dona Maria Lina. A partir daí chegaram até ele, mas a procura não havia terminado. O pai contou aos policiais de Rondônia que também havia perdido contato com os filhos, quando a menina ainda adolescente se casou e foi morar no Estado de Mato Grosso do Sul, levando o irmão para lá com ela.
 
Depois de mais de 35 anos, o casal de filhos foi localizado na cidade de Eldorado, no Estado de Mato Grosso do Sul, na divida com o Paraguai, nesta semana pelos policiais do Núcleo de Desaparecidos da DHPP, e nesta quinta-feira (11.10), vésperas dos dias das crianças, a mãe Maria Lina Paula de Castro finalmente cessou sua busca aos filhos sumidos. Ela conversou por telefone com a filha e emocionada contou que nunca perdeu as esperanças de um voltar a ver novamente a filha e o filho.
 
“Fiquei louca com essas crianças desaparecidas, não sabia o que fazia. Daí pedi a Deus e hoje tenho a esperança de ver novamente minha filha. Não sei choro de alegria. Nem sei se vou dormir”, disse a mãe.
 
Para os policiais do Núcleo de Desaparecidos, o caso foi muito difícil de resolver. Desde junho deste ano, quando a mãe foi até a Delegacia procuravam por pistas do casal de filhos. “Foi um caso de muitos desencontros. Ligamos para um colega em Mato Grosso do Sul que descobriu nora da senhora. Aí foi mais fácil”, disse o investigador Auri Nascimento, que junto às investigadoras Lauriane Cristina de Oliveira de Lara, Magda Maria Costa Souza e Janaina Paula Brito de Souza Silva.
 
O trabalho contou com apoio dos investigadores de Cáceres Aerton André, Anísio e José Paulo Felipe. Em Mato Grosso do Sul, os policiais tiveram apoio do policial civil Willyan Carlos, da Delegacia da Polícia Civil, de Eldorado (MS).
 
O Núcleo de Pessoas Desaparecidas está instalado no prédio da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), em Cuiabá, na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha). O telefone de contato é o (65) 3901-4823.
 
LUCIENE OLIVEIRA
Assessoria/PJC-MT