13/10/2015 - Empresas buscam gerenciamento de crise

O gerenciamento de crises é uma atividade que exige disciplina do empreendedor e pode salvar uma empresa. O fortalecimento do negócio deve ser orientado por diretrizes como planejamento, auto-conhecimento do negócio e melhor relacionamento com os clientes.

Nesta terceira reportagem especial sobre o mundo dos negócios, o assunto é como lidar com crises institucionais. Em geral, a crise pode ser provocada por diversos fatores, podendo ser provocadas por condições internas ou externas.

No primeiro caso, as adversidades podem surgir da falta de administração, de recursos mal distribuidos, problemas jurídicos e uma série de outras situações que podem virar graves problemas. Já nas crises provindas de condições externas à empresa, a oscilação cambial, as condições de mercado, fatores políticos e até climáticos podem influenciar no desempenho de uma organização empresarial.

Contudo, em evidência como condição externa está a crise econômica, que tem sido considerada de grande repercussão no mundo dos negócios já que influência diretamente na rentabilidade das empresas e, compromete o poder de investimento, a liberação de crédito, além do desgaste psicológico que é ter que lidar com tempos de incertezas. Contudo, ficar lamentando não é o suficiente para solucionar os problemas, independente da origem. O consultor financeiro João Paulo Fortunato explica que diante de uma crise, o primeiro passo a ser tomado é o planejamento.

“A organização dos departamentos que pertencem a empresa deve ser bem fundamentada, partindo do princípio de conhecimento das capacidades do empreendimento”.

O segundo passo indicado pelo especialista é o conhecimento dos custos que a empresa gera e as receitas disponíveis. Dessa forma é possível perceber quais são as áreas que podem receber cortes de gastos e, quais devem merecer real atenção do empresário e de toda a equipe de colaboradores, ou gestores contratados especialmente para o gerenciamento do problema a ser enfrentado.

A terceira dica de Fortunato é a utilização das redes sociais em favor de uma aproximação com o cliente. “As novas tecnologias devem ser utilizadas a favor do estreitamento das relações entre a empresa e o público ao qual são dedicados os produtos ou serviços”.

Contudo, o consultor financeiro ressalta que não é suficiente somente a relação virtual. Principalmente, em momentos de crise o contato pessoal é o diferencial que o cliente está procurando e pode pesar na hora de fechar um negócio, ou na fidelização do cliente.

O empresário Antônio Ademar Vidotti, 60, diz que já passou por todos os tipos de crises possíveis na loja Moda Verão. Há 26 anos atuante no mercado de negócios mato-grossense, ele chega a 2015 com o patamar de 13 lojas distribuídas entre os principais centros comerciais de Cuiabá e Várzea Grande, empregando 280 colaboradores diretos.

Diante das crises,Vidotti diz que aplica uma receita caseira. “Gasto menos do que arrecado”. E assim, o empresário diz que tem superado as eventuais adversidades que surgem na empresa. “Nas crises precisamos avaliar quais são as oportunidades. Não há nenhum bem ou mal que seja eterno. É preciso saber lidar com cada situação. O que é positivo em tudo isso é que a cada experiência, aprimoram-se as maneiras de gerenciamento das crises”.

Já o empresário Osvaldo Martinello avalia que cada tipo de crise exige um comportamento específico. No entanto, para ele a crise financeira é a mais perigosa para uma empresa já que causa problemas imediatos ao empreendimento, comprometendo desta forma todas as partes interessadas. Martinello diz que a melhor forma de gerir uma crise é atuando de forma preventiva a cada ação da empresa.

“É preciso ter uma visão antecipada do mercado financeiro. Eu pelo menos, sempre procuro estar informado tanto sobre o mercado internacional, ou sobre meu segmento. Pois, na verdade o que o empresário faz é uma aposta que sempre precisa obedecer diversos fatores. E só o conhecimento destes processos possibilita êxito”.

Osvaldo Martinello é presidente proprietário da Martinello Eletromóveis, que conta com 62 lojas, sendo 51 em Mato Grosso e 11 em Minas Gerais, nas quais gera mais de 1,5 mil postos formais de trabalho. Mas em alguns casos é necessário buscar orientação profissional para conduzir à diretrizes eficazes em prol de resultados práticos. Foi o caso do empresário Domingos Lima Barros, 58, presidente da RDL Transportes. Em 2009, ele entrou com um pedido de recuperação judicial. A empresa havia acumulado dívida de R$ 10 milhões, grande parte devida à instituições financeiras. A causa foi a renovação de parte da frota de caminhões.

“O setor já estava em retração e, a crise internacional de 2008 foi determinante para que as taxas de juros dos bancos ficassem elevadíssimas, em decorrência dos riscos. Tudo isso foi complicando a situação financeira da empresa. Eu já não sabia o que fazer. Até o momento em que fui orientado a procurar um advogado que me auxiliasse”.

Barros diz que não tinha conhecimento de como funcionava a recuperação judicial, o que provocava insegurança em relação aos processos pelos quais deveria passar na Justiça. Contudo, foi a solução plausível que possibilitou o restabelecimento da empresa. As dívidas foram quitadas, e Barros chega aos 23 anos de empreendedorismo no ramo de transportes.

Ele conta com 57 colaboradores e atua em Mato Grosso, com sede em Cuiabá, com filiais nos estados de Goiás e Rondônia. Para o advogado Bruno Medeiros, atuante em casos de recuperação judicial, os empresários precisam estar atentos às condições da própria empresa e, buscar o recurso antes que ela seja impraticável.

“Mas ainda há muita desconfiança dos empresários em pedir a recuperação judicial por medo de ficar mal visto no mercado”. Contudo, também é necessário avaliar bem as próprias condições já que a recuperação judicial é um processo caro, que inclui despesas com assembleias e administração judicial apresentou o projeto que altera as regras da eleição da Mesa Diretora, ao menos esta proposta precisa passar pelo crivo do plenário já no primeiro semestre do ano que vem, tendo em vista que o pleito para a escolha da nova diretoria da Assembleia ocorre no final de 2016.

 

 

Vinícius Bruno, especial para A Gazeta

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