13/10/2016 - 6 famílias esperam corpos retidos no IML

13/10/2016 - 6 famílias esperam corpos retidos no IML

Falta de materiais no Laboratório Forense de Mato Grosso impede liberação de corpos para sepultamento de vítimas de crimes e acidentes. São pelo menos 6 famílias que não tem previsão para sepultar os familiares. Ao todo, mais de 30 corpos e fragmentos de ossos aguardam a chegada de materiais para realização de exames de DNA no Estado.

Um dos casos é o da menina Maria Eduarda Santos de Souza, de dois anos, que foi morta pela pai e pela madrasta no dia 7 de setembro. Corpinho da criança foi achado em decomposição, em um terreno baldio 10 dias depois do crime, ocorrido na cidade de Primavera do Leste (231 km ao sul).

Tio de Eduarda, Pablo Júnior, 22, disse que a última informação que teve ao entrar em contato com o Instituto de Medicina Legal (IML), foi de que não há previsão para a chegada do reagente, fundamental para o exame de DNA a que o corpo de Eduarda precisa ser submetido.

Foi informado ainda que o equipamento para fazer o raio X também estaria sem funcionar. Enquanto isso, sua irmã, Ana Paula, 19 anos, perambula pelos cantos da casa, depressiva. “Além de ter a filha assassinada brutalmente pelo ex-marido, ela não consegue sepultar a menina. Estamos aguardando só a autorização para buscar o corpo e sepultar”, disse o tio da vítima.

A mãe de Eduarda reside na cidade de Água Boa (730 km a leste). Mora com a família e o filho de 10 meses. Lenilson Barbosa de Souza, 25, pai da criança e Kátia Cristina de Almeida Lopes, 27, madrasta, estão presos desde a localização do corpo.

A criança foi morta, possivelmente por trauma de crânio, ao ser agredida pelo pai depois de fazer cocô na cama. O corpo ficou na casa por mais de dois dias até ser enrolado em panos e papelão e ser jogado em um terreno baldio. Casal fugiu para Goiânia e disse que a menina havia sido roubada durante um assalto.

A mãe da vítima que tinha a guarda dela, havia permitido que o pai ficasse com Eduarda por alguns dias. Mas passou a suspeitar de que algo havia ocorrido com a criança quando parou de receber notícias da filha. Então procurou a Polícia que fez as prisões e localizou o corpo.

O mesmo drama enfrenta a família do caminhoneiro Olívio Backes, 53. Ele teve o corpo carbonizado em um acidente de trânsito na rodovia BR-163, próximo a Nova Mutum, no dia 15 de setembro. Uma das filhas veio do interior do Paraná para doar material genético para fazer exame comparativo de DNA.

Mas a resposta é a mesma: não há prazo para a realização do exame pela falta de um reagente. Segundo informações obtidas pela família, pode levar até 5 meses para liberar o corpo. 
Segundo o perito Alisson Trindade, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais de Mato Grosso, não é só o reagente específico para exame de DNA que está em falta a meses.

O equipamento para realização de alcoolemia (dosagem de álcool no sangue) continua parado por falta de manutenção. Análises toxicológicas de drogas, para análise de cocaína, maconha, LSD, ecstasy no sangue de vítimas também estão suspensos por falta de reagentes. Eles são necessários na necropsia de vítimas de acidentes de trânsito e homicídios.

“Importante salientar que o investimento na Segurança Pública como um todo, aumentou, mas na Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) não foi beneficiada”, denuncia Trindade.

Apesar destes pedidos de compra terem sido feitos a um bom tempo e o governo ter sido oficiado e avisado pelo sindicato em inúmeras reuniões, nada foi feito, diz Trindade. “Isto reflete numa baixa produção de provas materiais e com baixa qualidade. Desta forma o judiciário não consegue subsidiar os processos, resultando em um aumento da impunidade e manutenção dos níveis de criminalidade, apesar do aumento de efetivo na rua”, finaliza.

Outro lado - A Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sesp), informou que o processo licitatório para compra do reagente já está em andamento e o produto dever estar disponível em no máximo 20 dias. Enquanto isto está se tentando viabilizar parcerias para a realização de exame de DNA, usando outro tipo de tecnologia. 

 

 

Silvana Ribas, repórter do GD

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