14/02/2012 Depois de mais um suicídio, comunidade Karajá se mobiliza e denuncia omissão da FUNASA e FUNAI

 

 

Caravana da Solidariedade

A seqüência de suicídios entre as Comunidades Karajá tem gerado forte repercussão motivando a organização de profissionais à região e outras pessoas preocupadas com a situação.

Uma comissão de representantes do Ministério Público Federal, FUNAI, Secretaria de Educação do Estado do Tocantins, Secretaria da Juventude e Direitos Humanos e União dos Estudantes Indígenas do Tocantins (UNEIT) e outros, estão organizando a Caravana da Solidariedade, chegaram a São Félix do Araguaia.

 

A Aldeia da etnia Karajás de Santa Izabel do Morro, na Ilha do Bananal (TO) está enfrentando dias difíceis. Na última semana dois jovens cometeram suicídio. O alarmante é que este é terceiro caso de 2012. Segundo dados da própria comunidade, desde julho de 2011 sete jovens provocaram sua morte, através da prática do enforcamento.

 

Os Inys (como preferem ser chamados) estão preocupados e temem que novos episódios aconteçam dentro da aldeia. O coordenador local da FUNAI e também indígena, João Werreriá, organizou uma reunião na aldeia de Santa Izabel, no domingo, dia 12. O encontro com os líderes e com a comunidade aconteceu debaixo no pé de ingá, na escola Maluá e teve como objetivo levantar as possíveis soluções para esse problema. "Estamos preocupados com o nosso povo, essa reunião serviu para ouvir o que cada um tem a dizer e juntos procurarmos uma solução para essas tragédias", afirmou Werreriá.

Durante a reunião o problema do alcoolismo foi apontando como causa principal dessas mortes. Os indígenas reclamaram da omissão da FUNAI e da FUNASA e pediram apoio do governo. O jovem, Manaije Karajá, acredita que falta apoio da FUNASA na questão. "A da FUNASA tem que enviar psicólogo, assistente social, ajudar a gente a descobrir, nossos jovens também precisam de ocupação, passam o dia todo na aldeia sem fazer nada", comentou ele. Já Tehalue Karajá foi mais enfático. “A da FUNASA tem que colocar profissionais na aldeia ao invés de ser no escritório” afirmou.


Por outro lado, parte da comunidade acredita que a causas dos suicídios é seja de ordem espiritual. Muitos acreditam que as mortes sejam resultados de "flecha", feitiços de alguns horis (pajés) contra algumas famílias. A situação está provocando brigas, discussões internas, acusações e ameaças. Idiarrina Karajá propôs uma reunião com os pajés. "Nós temos que conversar com os pajés e pedir para que eles parem com esses feitiços e que também façam outros para livrar nossa aldeia, isso só está causando tristeza e briga", contou.

 

Mas ao mesmo tempo a comunidade se mostrou consciente em relação ao abuso de algumas drogas, principalmente do álcool. Este já atravessou o Rio Araguaia é hoje é comercializado dentro das aldeias. Os jovens que cometeram suicídio, na sua maioria eram envolvidos com a droga e eram vistos constantemente embriagados. Warataxi Karajá viveu na pele essa experiência. Ele perdeu seu filho de 17 anos no dia 06 de janeiro é um dos que defende a proibição da venda de bebida alcoólica dentro da Aldeia. "Meu filho quando bebia virava outra pessoa, dizia que ia matar o pai, matar a mãe, os irmãos e antes de morrer, um dia quando estava bêbado disse que ia tentar se matar.Nós temos que fazer um baixo-assinado para que não se venda mais bebida dentro da nossa aldeia, Quem está vendendo tem que se conscientizar pois está cooperando para a morte e quem parar de vender está passando a amar os Inys", afirmou o pai.

 

Waxiaki Karajá, diretora da escola, propôs uma nova reunião com as mulheres da aldeia. "Nós temos que ouvir as mães, pois elas é que estão com as crianças o dia todo e pode nos ajudar".

 

Ao final ficou decidido que a comunidade vai escrever um baixo-assinado pedindo o fim da venda de bebidas alcoólicas dentro da aldeia e que uma cópia da ata será entregue para a FUNAI, para que está venha tomar as medidas necessárias.



O consumo de álcool e os Karajás

 

A aldeia de Santa Izabel é a maior da etnia, atualmente mais de 600 famílias vivem na comunidade. Os Inys são conhecidos por manter um diálogo intercultural com os não-índios. E essa aproximação nem sempre é positiva, como já explicou Pedro Casaldaliga. "O contato branco trouxe necessidades que eles não tinham".

 

Uma dessas necessidades foi o álcool. É comum encontrar indígenas bêbados no cais de São Félix. Eles não encontram nenhuma dificuldade em conseguir a bebida. "Nós temos que denunciar na Promotoria esses comerciantes que estão facilitando a venda de bebidas tanto na cidade quanto aqui na aldeia', afirmou Idiarrina Karajá.

 

Os indígenas também denunciaram que nada está sendo feito para combater o alcoolismo. o cacique de Santa Izabel do Morro. Wenonar Karajá comentou a atuação da FUNASA. "A da FUNASA que é responsável pela saúde indígena nunca curou um bêbado e  tem melhorar o trabalho na base, dentro da área. Tem que ter filmes, palestras nas aldeias sobre o alcoolismo, quais são os efeitos, pois ninguém está fazendo trabalho na área da saúde", afirmou o                                            cacique.

 

Rizza Matos/ O Repórter do Araguaia

 

Comentários

Data: 17/02/2012

De: FRANCISCO CARLOS

Assunto: SUICÍDIO ENTRE OS KARAJÁ

O problema é mais sério do que se pensa. Não se trata apenas do uso de bebida alcoólica entre os indígenas. Nem SESAI, nem FUNAI, ou qualquer outro órgão resolverá sozinho esta questão. Trata-se de um trabalho conjunto e interinstitucional. Para esta reunião, por exemplo, deveriam ter chamado mais parceiros, o que não aconteceu.

Data: 15/02/2012

De: Eliana Karajá

Assunto: Informção

Atualmente quem trabalhar com a saúde indígena não é a Funasa é sim SESAI.

Novo comentário