14/02/2012 - Expedição Safra - Santa Catarina, dai-nos chuva

 

Marcelo Cambrussi, de Xanxerê, terá perdas de 50% na lavoura, "se chover nos próximos dias"

Depois de atravessar e visitar as principais regiões produtoras do Paraná, com todas as suas diferenças de produtividade, calendário, e tradições, a Expedição Safra/Gazeta do Povo iniciou o trajeto de descida pela região Sul. Visitamos produtores rurais nas cidades de Abelardo Luz e Xanxerê, que são importantes pólos produtores de sementes em Santa Catarina.

Quanto mais caminhamos em direção ao extremo sul, a situação das lavouras de milho e soja começam a ficar mais críticas. Em Abelardo Luz, onde se cultiva em torno de 13 mil hectares de milho e 35 mil hectares de soja, as perdas devem girar em torno de 20%,” se chover nos próximos dias”.  A região foi privilegiada e recebeu chuvas isoladas em uma proporção maior que as cidades vizinhas.

A colheita do milho de verão em Abelardo Luz está começando e a da soja, vai ter início na segunda quinzena de março. Como dizem por aqui, é esperar para ver o que vai dar na soja...

Em Xanxerê, visitamos a propriedade da família Cambrucci. Valdomiro, o pai, coça a cabeça de tanta preocupação e reza por chuva. Marcelo, o filho que é agrônomo, está começando a investir em agricultura de precisão para tentar minimizar as perdas de futuras safras, pois nesta safra, metade já se perdeu. “Nesta safra, vamos perder 50% de tudo (milho e soja). Se chover nos próximos dias, a expectativa é colher 25 sacas por hectare. Se não chover…(pausa)…podemos perder tudo”, diz o filho.

“O negócio é investir cada vez mais em tecnologias que ajudem o produtor a minimizar estas perdas provocadas pelo clima“, garante o agrônomo, que está, aos poucos, inciando o trabalho de agricultura de precisão na propriedade. “Ainda é caro, mas chegamos a um ponto que, ou você faz, ou vai perder mesmo”.

Apesar das perdas que vão ter nesta safra, os Cambrucci estão animados. Ao lado da propriedade, eles constróem uma unidade de sementes. “Decidimos fazer parcerias com grandes empresas para que nós possamos nos manter no mercado e viabilizar a produção”, diz ele. O investimento da unidade foi de R$ 1,8 milhão. “Vamos pagar em 10 anos,  mas é aquela coisa: você tem que achar uma brecha e tentar enxergar onde e como aproveitar a oportunidade”.

 

Escrito por Viviane Taguchi / Diário da Safra - Globo Rural

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