14/03/2012 - Ex-pistoleiro é condenado a mais 45 anos de reclusão

Após confessar ter sido pago para assassinar o empresário Rivelino Jacques Brunini, o ex-cabo da PM Hércules Agostinho foi condenado pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (13) a 45 anos e dois meses de reclusão pelo crime confessado e por ter executado, na mesma ocasião, Fauze Rachid Jaudy. A condenação também contempla a tentativa de homicídio contra o pintor Gisleno Fernandes, que sobreviveu ao ataque que tinha Brunini como alvo.

A sentença por duplo homicídio qualificado (motivo torpe) e tentativa de homicídio elevou o tempo total da pena a ser cumprida pelo ex-PM a 162 anos. Ele deve passar pelo menos 27 anos deste total em regime fechado, de acordo com o cálculo do Código Penal. A sentença ratificou a prisão preventiva de Hércules e ele terá de pagar as custas processuais. A defesa, de qualquer maneira, já anunciou que recorrerá da sentença.

O crime foi cometido em 6 de junho de 2002. Sob pagamento de João Leite, ex-cobrador do comendador João Arcanjo Ribeiro, Hércules se deslocou de motocicleta até uma oficina da avenida Historiador Rubens de Mendonça (avenida do CPA) onde estava o alvo, Brunini, o amigo Fauze Rachid Jaudy e o pintor Gisleno Fernandes. 

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), a execução foi encomendada pelo grupo de Arcanjo devido à concorrência que Brunini oferecia no ramo dos caça-níqueis. “Rivelino morreu porque, no início, fazia parte da organização criminosa, mas passou a não interessar mais ao grupo”, enfatizou a promotoria. 

À época dos fatos, Brunini estava para se associar a um grupo carioca de exploração de caça-níqueis, o que contrariava os interesses de Arcanjo e do “Estado paralelo” sob seu poder em Mato Grosso, segundo o MPE. 

Ação

A ação, rápida e fulminante, resultou na morte imediata de Brunini, atingido por sete disparos. Fauze foi atingido por um tiro e também não resistiu. Gisleno foi atingido por um disparo, mas sobreviveu. 

Embora confesse ter matado Brunini sob encomenda (cujo valor não foi revelado), Hércules negou ter agido com cobertura de Célio - que responde pelo crime em outro processo – e ter atirado em Fauze: sua defesa chegou a afirmar que o exame de balística atesta a alegação, embora não saiba explicar quem efetuou os disparos. 

Além disso, não haveria, segundo a defesa, intenção de matar Gisleno – o qual teria sido confundido com algum segurança de Brunini, o que o MPE refutou. 

Tribunal do Júri

O julgamento ao longo desta terça-feira foi marcado pelas acusações trocadas entre o advogado de Hércules, Jorge Godoy, e o representante do MPE, promotor Antônio Sérgio Piedade. 

Godoy desqualificou o trabalho do MPE, apontando a denúncia contra Hércules como forjada com provas ilegais. Além disso, o advogado se utilizou de um capacete – o qual não estava incluso nos autos como prova – para tentar explicar que houve falha nos depoimentos das testemunhas da execução, o que irritou a promotoria. 

Em seguida, o promotor se defendeu afirmando que não era criminoso ou pistoleiro como o cliente do advogado e, por não ter sido incluído nos autos, a juíza Mônica Perri desautorizou a demonstração com o capacete. 

Durante todo o julgamento, Célio se manteve concentrado. Sem algemas, de barba feita e vestido com uma camisa social, acompanhou compenetrado as falas da defesa e da acusação. Saiu do tribunal sem esboçar qualquer reação após ouvir a sentença.

 

Da Redação - Renê Dióz

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