14/05/2013 - Suiá Missú: FUNAI usa máquinas para remover o que restou de vilarejo‏

Máquinas da FUNAI estão na reserva indígena Maraiwatséde no município de Alto Boa Vista (Nordeste de Mato Grosso a 1100 km de Cuiabá), derrubando todas as casas que ainda ficaram de pé, e retirando os entulhos com maquinário pesado. O cenário hoje é realmente de uma cidade fantasma mas ao adentrar no vilarejo vimos que ainda existe atividade humana, caminhões e tratores agem na sombra para remover e apagar qualquer vestígio de que ali já foi habitado.

Segundo um funcionário da FUNAI que estava fazendo rondas no local, qualquer pessoa que não estiver com uma autorização por escrito em mãos, está terminantemente proibida a trafegar pelas ruas do que antes era o vilarejo de Estrela do Araguaia (Posto da Mata), segundo ele, quem não estiver com a devida autorização pode ter complicações ao encontrar os índios que já ocupam o local em busca de frutas e caça.

Enquanto isso, 26 km à frente estão acampados alguns dos ex moradores da Suiá Missú, residindo em tendas precárias, usando a água do córrego que passa ao lado para tomar banho, lavar, cozinhar e beber.

Segundo os moradores que ali estão, que enquanto o governo não fizer um plano de desocupação eles não sairão daquele local, pois eles não tem pra onde ir.

“Olha a situação em que estamos, enquanto derrubam nossas casas sem dó nem piedade, estamos aqui morando em barracas à beira da estrada. Lá não tem mais mata, os índios para sobreviverem nessas terras terão de virar pecuaristas e isso foge da proposta indigenista.” lamenta Raimundo Ferreira Lopes, ex morador do Posto da Mata.

A desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso, foi oficialmente concluída em 28 de janeiro. A operação de retomada e devolução da área de 165 mil hectares para o povo Xavante foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em outubro de 2012, na área vivia aproximadamente 7000 mil pessoas, quatro meses depois vimos que pouco foi feito pelo estado para sanar os prejuízos dos moradores que ali viviam.

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